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Carolina Ferreira está em seu laboratório testando a penúltima cepa de seu experimento. Depois do composto estar sintetizado, ela injetou na cobaia. Esperou fazer efeito, mas a tentativa fracassou.
— Depois dessa, só tem mais um componente a ser experimentado, se não der certo, precisarei iniciar tudo de novo. Pegou outra cepa e introduziu o último componente a ser testado, colocou na máquina sintetizadora e depois injetou em outra cobaia. Esperou e depois de um tempo a cobaia que estava prostrada, mexeu-se e correu pela jaula, passou pelo circuito e continuou ativo. — EURECA! Consegui. Ela sabia que aquele era o primeiro passo, precisava terminar de documentar, juntar todos os arquivos e experimentos para enviar para aprovação de patente. Sentou na frente do computador e passou mais de uma hora organizando tudo. Prevenida, gravou tudo em um pendrive e fez uma série de movimentações que para um leigo, pareceria parte do processo, mas para outro cientista, eram só movimentos sem nexo. Um disfarce para o que ela realmente estava fazendo: ocultando seu projeto final. O telefone interno tocou e ela atendeu: — Alô… — Doutora Ferreira, já são duas da madrugada, não está cansada? — Era o chefe da segurança. — Já terminei, estou saindo. — respondeu normalmente, sem euforia para não denunciar seu grande feito. — Ótimo, vou enviar uma escolta para a senhora. — Ok. — concordou pois era a norma da empresa, ela era muito importante no laboratório, uma renomada cientista com vários prêmios por descobertas na área de medicamentos naturais. Passou por todas as portas de proteção e saiu no corredor, encontrando o segurança que faria sua escolta até o estacionamento no subsolo. Entraram juntos no elevador e ele perguntou: — A senhora quer que chame um carro com motorista, doutora? Deve estar cansada. — Não será necessário, estou bem. Sempre durmo depois das duas da madrugada, meu corpo viciou. — Está bem, então. Saíram do elevador e ele a acompanhou até o seu utilitário. Seu chefe sempre reclamou por ela preferir um carro tão simples, mas não gostava de ostentar e nem tinha tempo para ficar escolhendo os veículos. Entrou no carro e saiu do estacionamento tranquilamente, pegou a rota como se fosse para casa, mas no caminho, contornou uma praça e seguiu para o outro lado, indo para a orla e entrando em um hotel cinco estrelas. Seu carro não foi bem vindo, mas o manobrista não podia recusar e depois de olhar com desprezo, entrou no carro com nojo e seguiu para o estacionamento. Ela entrou no hotel e também notou os olhares enviesados dos poucos funcionários que estavam no saguão naquela hora. Chegou ao balcão e pediu: — Suite presidencial — estendeu seu cartão Black para que não houvesse má vontade da recepcionista. Ela não soube se a recepcionista acenou ou apertou algum botão, mas logo o concierge estava ao seu lado. — Boa noite, senhora, sou Paul, seu concierge, posso lhe ajudar? — Sim, Paul. Quero uma garrafa de champanhe Moët & Chandon e uma muda de roupa para vestir amanhã, quando sair, obrigada. — Algum petisco, senhora. Lembrou que não tinha comido nada desde a tarde, mas aquela hora… — A essa hora o restaurante deve estar fechado…talvez eu… — Eu mesmo posso lhe preparar algo. — Hum, que eficiência, confio em você, nada pesado, só para acompanhar a champanhe. Ele sorriu e acompanhou-a até o elevador, apertando o botão para o andar em que iria ficar. Chegou na suíte confortável e tirou logo os sapatos, seguindo para o banheiro e colocando a banheira para encher. — Eu mereço. Depois de três anos de trabalho, finalmente consegui encontrar uma cura natural para o Alzheimer. Será uma revolução para a pesquisa de medicamentos naturais, quanto as farmacêuticas não querem perder seu monopólio de medicamentos químicos. Vigiou a banheira enchendo, colocou sais de banho e esperou Paul chegar com o que pediu. Assim que ele entrou com carrinho, abriu a champanhe e serviu-a mostrando a tábua de frios que preparou, acompanhando alguns tipos de pães. Ela assinou o recibo e ele agradeceu, desejando e uma boa noite. Ela comeu a vontade tudo o que ele trouxe, bebeu a champanhe e foi para a banheira, sentando na banheira, apoiada na borda. — Isso é que é vida. Continuou bebendo e nem percebeu quando apagou e seu corpo escorregou para dentro da água, afogando-se. Sentiu que tinha algo estranho, flutuava no ar e via seu corpo mergulhado na água. “ Morri? Como assim? Justo agora que conquistei o meu grande projeto? " Flutuou até a sala e ouviu vozes, pessoas entravam no quarto. — Tem certeza que o remédio já fez efeito, Paul? — Precisamos conferir onde ela está e se o plano deu certo, o Sr. Smith pagou muito bem pelo serviço completo. " Então foi ele, mandou me matar, maldito Erick.” Sentiu um puxão e pareceu ser atraída, passando pelo espaço tão rapidamente e voltou ao seu laboratório. Encontrou ele lá, Erick Smith, acompanhado daquela secretária sonsa, Pamela Duarte. — Tem certeza que está no computador? Não encontro nenhuma pasta com o projeto. — Procura na nuvem. “ Idiota, pode procurar, pensa que sou burra igual a você? Claro que me preveni." — Só ela pode abrir os arquivos na nuvem. — respondeu a Pamela. — Vou ver a gravação de novo, ela deve ter gravado em um pendrive. — ele viu as imagens, procurou na gaveta, mas estava trancada e ele arrombou — achei. Seu celular tocou e ele atendeu ouvindo e sorrindo, desligou satisfeito ir olhando para a Pâmela, contou: — Conseguimos, ela está morta e temos o pendrive. " Coitado, não faz ideia de que o pendrive contém só a penúltima experiência, vai se dar mal e perder bilhões, só pela sua arrogância.” O casal deixou o local e ela os seguiu, amaldiçoando-os: “ Seus desgraçados, não conseguiram nada com esse pen drive, me mataram à toa queria poder voltar e me vingar de vocês, não deixaria nenhum escapar.” De repente, sentiu-se puxada mais uma vez e desta vez passou por um túnel e era como se voltasse no tempo que já tinha vivido. Apagou e não viu o que aconteceu, acordando horas depois, debaixo de um viaduto, deitada sobre papelões.Augusto chegou na empresa e foi direto para o escritório do filho, tendo dificuldades de passar sobre os destroços de tudo que ele quebrou. Até as cadeiras estavam jogadas e não havia nada sobre a mesa. — Preciso chamar a clínica psiquiátrica para internar você? Michel olhou para o pai, surpreso e indignado, o que ele estava fazendo ali? Perguntou-se. Como não queria ser desentender com o pai, respirou fundo para acalmar-se e acusou sua irmã: — Aquela sua filha ingrata, foi embora novamente. — Ela entregou o projeto pronto, pelo menos? — Sim, já enviei para análise e logo poderemos entregar ao comprador. — Então, qual é o problema? Sua irmã precisa viver além do espaço desta empresa, ou você quer mantê-la acorrentada em você. Michel espantou-se com a fala do pai, nunca tinha lhe passado pela cabeça aquela imagem. Carolina presa pelo tornozelo com uma corrente ligada ao tornozelo dele. Sorriu com a imagem que se formou em sua mente, quase pen
Carolina arrepiou-se , refletindo sobre o assunto e chegando à conclusão que não tinha problema nenhum em ter sentimentos por ele, porque Carol já tinha partido daquele mundo de forma trágica. Assim como foi informada pelo sistema, a sua situação e a da sua hospedeira não tinham volta. Enquanto isso, inconformado com o sumiço da irmã, Michel mobilizava toda a equipe de seguranças para caçar a irmã e todos os funcionários que lidavam com ele, estavam receosos devido aos ataques de fúria que ele tinha. O chefe de segurança, preocupado com a situação, ligou para o senhor Gustavo e relatou o comportamento do CEO. — Senhor presidente, o CEO Michel está quebrando tudo no escritório e já demitiu três funcionários. — Mas o que aconteceu para deixá-lo assim? — A senhorita Carolina sumiu? Augusto arregalou os olhos e ficou preocupado, sua filha prometeu que terminaria o projeto do firewall, para Michel estar descontrolado, será que ela não cumpriu sua tare
Apertando os olhos e encolhendo o corpo, Carolina Ferreira esperou a explosão do Presidente Pacheco, mas não veio. Alan segurou o queixo, pensativo. Aquela informação trazia muitas implicações, mas também afunilaram a lista de suspeitos do atentado contra a vida do Rafael. O fato dela ter confessado a sua responsabilidade, mostrava sua honestidade. Talvez pudesse contar com ela para descobrir esse ninho de ratos. — Não se preocupe, não há culto pelo estado do meu filho, culpa aquele que usou sua criação para matá-lo. Ela relaxou, respira profundo e levantou os olhos para ele. — Na sua cabeça já devem ter passado mil e uma ideias e você não está errado. Essa cepa estava congelada em nosso cofre de projetos rejeitados. — Quem tinha acesso à esta cepa? — Sabia que perguntaria isso. Só três pessoas têm acesso ao cofre, Jonas Ferreira, meu tio e presidente do grupo Ferreira, Erick Smith, o CEO da farmacêutica e eu. — Fica bem mais fácil de descob
Carolina era agradecida por ter Charles com ela, era o apoio de Carol antes e agora estava sendo muito útil, além de lhe dar proteção. O espaço era pequeno, por isso a mesa de jantar também era pequena, apenas um quadrado de madeira e dois bancos, mas os dois comeram à vontade. — Quer que eu o atenda, se ligar por causa de problemas? Com certeza vai te tratar bem. — Ele nunca me tratou bem, por que começaria agora? Para ele é minha obrigação fazer o que eu faço e não precisa cuidar de mim e nem me pagar para isso. — Espero que te dê um descanso, agora que já tem o projeto tão desejado por eles. Provavelmente vou receber uma fortuna pelo projeto e não lhe darão nada. — Vou procurar por outro serviço maior e melhor, quero fazer alguns investimentos e montar minha própria empresa de segurança digital. Não preciso do dinheiro deles, vou ganhar o meu próprio e eles se arrependerão de não ter me dado valor. — Ótima ideia. Usará o seu novo algoritmo ou criará um
Acontece que Carolina não era era como Carol que abaixava a cabeça e deixava para lá, por isso, estufou o peito e atacou com palavras: — Acho que deixei você livre demais e por isso é tão arrogante. Se não deixar eu passar, será demitida e não será por mim. — Você fala como se tivesse alguma autoridade, mas aqui você não é nada, nem o seu irmão te respeita. — Diga o que quiser, se você não deixar eu entrar agora, se arrependerá muito no futuro. Dentro do escritório, o CEO Michel, irmão de Carol, escutou a discussão e saiu para ver o que era. Assim que abriu a porta, viu que era sua irmã, arregalou os olho e perguntou: — É você? Até que enfim, entre logo, por que ainda está parada aí? — falou Michel com a arrogância de sempre e fazendo a secretária se sentir poderosa. — Sua secretária achou que implicar comigo era mais importante do que eu te entregar o projeto. Ao ouvir o que estava acontecendo, Michel ficou enfurecido com a secretária que es
A maneira como Michel a agarrou pelo colarinho, prendeu sua garganta e a estava sufocando. Carolina não era boba, tinha vindo de outra vida, assumido o corpo de uma morta e não queria morrer de novo nas mãos de um suposto irmão que não a respeitava. Prendendo o pouco de ar que ainda tinha nos pulmões, Carolina ergueu as mãos, segurou com força os ombros dele, apoiando-se e ergueu sua perna, chutando o baixo ventre do homem alto e forte. O urro de dor foi ouvido por todos os que estavam próximos e ele a soltou para segurar suas partes íntimas. Caindo de bunda no chão, Carol apoiou as mãos, levantou-se com dificuldade, mas não ligando para a dor em seu “derriere”. Correu para o carro onde Charles já a esperava com a porta aberta. Entraram e saíram às pressas, passando pelo portão sem olhar para trás. Se tivessem olhado, teriam visto Gustavo chegando e acertando um tapa forte no rosto do filho. A discussão entre os dois começou e foi preciso que Helena interviesse p







