تسجيل الدخولEnquanto Dominick esperava a notícia que não chegava, Carolina acordou, vestiu a roupa mais decente que encontrou no guarda roupa, pegou a bolsa com os documentos verdadeiros da sua hospedeira, desceu e tomou café na padaria da esquina.
Enquanto comia, abriu o celular e verificou os contatos e redes sociais da dona, constatando que ela não tinha vida social e nos últimos meses, desde a doença do Rafael Pacheco, seu noivo de contrato, estava investigando o caso absurdo. Ninguém conseguia descobrir o que o acometeu e paralisou e ela não aceitava isso. Desconfiava de que alguém queria matá-lo e até tinha uma suspeita, mas não encontrou prova nenhuma. A Carolina doutora se esforçou e lembrou de onde estava naquele dia e ligou para si mesma. — Alô, quem é você? Como sabe meu número privado? Era estranho ouvir sua própria voz falando consigo mesmo, uma coisa muito bizarra. — Doutora Ferreira, a senhora não me conhece, meu nome é Carolina Gordon e preciso muito da sua ajuda, só a senhora pode me ajudar. Sabia que a tratar como exclusiva e colocar um problema urgente em suas mãos, chamaria sua atenção, conhecia-se bem. — Sobre o que seria, algum tipo de doença crônica? — É sobre o Rafael Pacheco, ouviu falar? — O que está em coma? — Sim, mas ninguém sabe qual é o problema, acredito que foi contaminado com alguma toxina que o deixa em estado vegetativo. Carolina ficou em silêncio do outro lado da linha, analisando a possibilidade e respondeu: — Não posso, simplesmente, entrar lá e examiná-la, deve estar muito bem guardado. — Se a doutora aceitar, eu cuido da liberação. Meu pai é Gustavo Gordon, sócio e amigo de Alan Pacheco, o pai do Rafael. A senhora aceita? — Sim, confesso que fiquei curiosa. Carolina suspirou aliviada, era um grande passo que a antiga Carolina nem imaginou em dar, pois não conhecia o trabalho da Dra Ferreira. — Aguarde meu contato, vou agora mesmo falar com o meu pai. Até breve, doutora. Carolina desligou a ligação, levantou-se e fez outra, dessa vez era para o seu motorista particular, que não demorou para pegá-la. — Bom dia, senhorita, a senhora demorou desta vez, estão todos preocupados. — disse Charles, abrindo a porta para ela entrar no Maybach com estofamento de couro branco. — Bom te ver Charles. Meu pai está em casa? — perguntou ela, depois que ele saiu com o carro. — Sim, bufando e tentando encontrá-la. — Perdeu o brinquedinho dele, não consegue viver sem mim… — sorriu com as lembranças da rebelde Carolina discutindo com o pai. A jovem era uma pestinha, amava correr perigo em corridas de carro clandestinas, mas também era uma excelente engenheira de software e era por isso que o pai estava desesperado atrás dela. Os dois não conversaram mais, até o carro parar na frente da mansão no bairro mais luxuoso de Nova Jersey. Assim que ela desceu, a porta dupla da frente da mansão, de madeira maciça e branca, foi aberta pelo mordomo que olhou para o céu, agradecendo pela chegada da jovem. Carolina sorriu para seu maior aliado dentro daquela casa, o querido Eugene. — Jovem senhorita, que alívio em vê-la bem. — Com saudade de mim ou alívio porque vou acalmar meu pai. — Creio que os dois, senhorita. Ele quebrou o vaso mais caro da sua mãe e ela bateu nele com as rosas que estavam nele. — Que dramático! Vamos entrar antes que ele destrua a casa. Entraram e ao chegar ao grande salão, ela não conseguiu deixar de comparar o quarto e sala em que estava, com esse exagero de espaço que não havia necessidade para a quantidade de pessoas que ali moravam. Nunca entendeu o porquê de morar em uma casa tão grande e terem que seguir normas impostas por uma sociedade falsa e mesquinha. Ouviu o grito do pai e a voz suave da mãe que tentava acalmá-lo. — Espero que tenha sido ela que chegou, ou vou cortar todos os seus cartões e a deixarei na miséria. — Calma, querido. Nossa filha está passando por um período difícil, você tem que ter paciência com ela. Não se esqueça que precisa dela. Carolina parou no meio da sala, de braços cruzados, esperando eles aparecerem, vindos pelo largo corredor que levava ao escritório. Quando o pai a viu, estancou, pensando em como agir e optou por seguir o conselho da esposa. — Carol, minha filha, até que enfim voltou para casa. Papai estava preocupado. — Abriu um sorriso e caminhou até a filha, abraçando-a. Carolina sabia que aquele comportamento era só tática de aproximação, pois ele precisava dela para concluir o projeto do super firewall que estava criando para as empresas Pacheco. Havia parado o projeto para continuar a investigação e sabia que havia um prazo para entregar o projeto. — Estou aqui, papai, sossegue. Ouvir aquela palavra pareceu despertar a fera controlada e ele afastou-se e segurou seus ombros para mantê-la parada. — Não seja insolente, mocinha, você está me devendo e sabe muito bem a responsabilidade que temos. Milhões estão em jogo, você não pode ficar brincando por aí. Carolina ficou séria, pois entendia bem como funcionava o mundo corporativo e ela sempre brigou contra esses prazos e cobranças excessivas que obrigavam pessoas como ela, a trabalharem sob pressão extrema para acelerar o processo de criação que não dava para ser acelerado. — O senhor sabe muito bem que não gosto de ser pressionada. Voltei e tenho um pedido, se o senhor me ajudar, completo hoje mesmo o projeto. A fera pareceu se acalmar e largou seus ombros, satisfeito. — Vamos ao escritório. Finalmente sua mãe pode se aproximar e dar boas vindas a filha. — Que bom que voltou, querida. Mandarei preparar o seu prato favorito para o jantar. — beijou seu rosto e deixou que seguisse com o pai. Helen Gordon era uma mulher elegante, firme, mas dócil. Amava os três filhos, mas nunca entendeu muito bem a mais nova, pois sua rebeldia era o oposto da tranquilidade que pautava sua vida. Pai e filha seguiram pelo corredor e suas posturas eram iguais, era nítido o quanto a filha se parecia com o pai, o que o orgulhava, mas também o exasperava, por ser tão difícil domá-la.Três anos depois “ Parabéns hospedeira, você conseguiu quebrar a maldição familiar que passou do pai para os filhos. Você é a única que dará descendência ao Gustavo Gordon e os outros amigos, não terão descendentes, interrompendo o ciclo de crimes que passariam através das gerações.” Carolina não esperava por mais mensagens do operador e tinha até esquecido da investigação sobre o “sistema do céu”. ” Por que você apareceu agora? Não estava tudo concluído? ” “ Depois de muitas discussões, o sistema te concedeu o benefício de conhecer os segredos deste caso e manter as memórias referentes ao trabalho da antiga dona.” “ Então, você vai me contar o por que me enviaram para esse corpo? ” “ Sim. Também voltei agora, por causa da morte do Ferreira. Ele se “suicidou” na prisão e por ser o principal e mais criminoso dos três, o caso pode ser encerrado. Quanto a sua pergunta, não entendemos como,mas a antiga dona desse corpo, em sua invasão e passeio pelos
Carolina entendeu o principal motivo de Helena estar ali, não era por amor nem consideração, era pela própria necessidade de manter o controle sobre o patrimônio da família. Percebendo isso, não teve dúvidas em declarar: — Não quero ter nenhum contato com nada que envolva aquele trio maligno. Agora eu sei o porquê do mal estar que sentia quando estava próximo a ele e na empresa. O mal sempre deixa seu rastro. Obrigada por ter vindo, perdoe-me por não convidá-la para ficar. Helena compreendeu, virou-se e de cabeça baixa e ombros caídos retirou-se sem olhar para trás. A comemoração continuou e quando todos se despediram, Charles pegou sua esposa no colo e levou-a para o carro, onde o motorista levou os para um hotel cinco estrelas, presenteado pelo delegado para passarem a lua de mel. O resultado do julgamento saiu e não era outro senão a condenação dos réus. Passados alguns dias, Ferreira foi preso e a condenação ocorreu a revelia de sua presença. Os três não se en
Carolina parou ao ouvir o grito e perguntou para o homem raivoso: — O que você quer agora, Dominick? — Por que não me contou que estava grávida? — Não preciso lhe dar satisfação da minha vida. — Como não? É o meu filho que você está gerando e precisamos casar o quanto antes. Ele segurou o braço dela com força e tentou arrastá-la para seu carro, mas ela com um Safadão jogou no chão. Nem ela mesma acreditou na força que tinha, mas ficou satisfeita ao vê-lo caído. Charles tomou a dianteira e ficou na frente dela, vendo o homem humilhado levantar-se e voltar a reclamar. — Saia da frente, ela é minha noiva e está grávida do meu filho, que direito você tem de ficar na minha frente? — Não se iluda, este filho é meu e não seu. Já demos entrada no pedido de casamento e em breve faremos a cerimônia. Dominick ficou mudo por um instante, não tinha cabimento sua noiva estar casando com o segurança. Ele a possuiu primeiro, foi seu primeiro a
Como Carolina estava sentada em uma poltrona, ele sentou-se no sofá de frente a ela e a fitava com intensidade, até que Charles parou atrás dela e pousou as duas mãos no rosto do sofá, encarando com seriedade, quase como uma ameaça. — É bom esclarecermos logo este assunto, não estamos noivos o acordo entre nossos pais está cancelado, principalmente agora que eles foram presos por abuso e assassinato. Você acha mesmo que vou casar com alguém que tentou me assassinar e é filho de um assassino? Dominique arregalou os olhos, não sabia que ela tinha conhecimento do processo que envolvia o seu pai. Pensando bem, analisando de fora, sua família era toda miserável. Rafael foi preso em uma clínica psiquiátrica por ser mafioso, seu pai por ter cometido vários crimes, entre ele abusar de mulheres e assassinar um estudante da faculdade. Apesar de não haver provas, ele promoveu o assassinato de Carol quando ela começou a investigar a situação de Rafael e sentia-se um criminoso
Charles percebeu que ela ficou estática, sem saber o que pensar vou sentir e abraçou-a com carinho, deixando-a descansar em seu peito, ouvindo o batimento do seu coração. — Calma, amor, é só um bebê… Ela começou a chorar, totalmente impactada com a notícia, principalmente porque não tinha notado nada de diferente em seu corpo, sentiu-se uma estúpida. Quando as lágrimas secaram, decidiu fazer o teste e ergueu-se do colo dele, falando: — Preciso ter certeza. — Sim, claro. Já pedi na farmácia alguns testes de gravidez, devem estar chegando. Ainda desnorteada, ela olhou para ele com incredulidade, perguntando-se como ele descobriu que ela estava grávida, se nem ela percebeu. Fez os seus cálculos rapidamente, percebendo o que ele já tinha percebido: ela não menstruou naquele mês. Sentiu novamente aquele incômodo no estômago e era o sinal clássico de gravidez. Se ela realmente está grávida, quem seria o pai? Podia bem ser Dominick. Com este pensamento,
As investigações continuaram, complexas, pois o material a investigar era muito e vasto em informações. O delegado Amaury e sua equipe fizeram a conexão entre os achados no quarto secreto da mansão, as informações e documentos enviados pela Dra Carolina Ferreira e a exumação dos corpos. Era tudo muito mais complicado do que Amaury esperava e exigiria mais tempo. Tomou a atitude de vigiar os passos das três famílias envolvidas. A morte de Erick e Pâmela foi passada para outra equipe de investigação e a empresa Ferreira sem o Presidente e o CEO, estava sem rumo, ninguém queria ou tinha autorização para resolver os problemas maiores. Dominick corria atrás de Carol que sumiu e ninguém sabia de seu paradeiro. Gustavo também tentou encontrar a filha, mas Charles, que sempre o manteve informado, estava desconectado. A falta de informações de Charles, ao mesmo tempo que o deixaram preocupado, também lhe deu a certeza de que ele continuava cuidando de sua filha. Michel estava







