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CAPÍTULO 189: RITOS DE PASSAGEM

Author: Isa S
last update publish date: 2026-08-23 09:00:31

Samanta

Faltavam exatamente três dias para sábado. Três dias para o momento em que a minha vida mudaria para sempre. Três dias para o nosso "sim".

Eu parecia uma pilha de nervos ambulante. Meu coração não encontrava um ritmo calmo há 48 horas e qualquer pequeno detalhe me fazia prender a respiração. A ansiedade pelo casamento parecia ter se misturado com o ar pesado que pairava sobre nós nos últimos dias. Lorenzo estava trabalhando até mais tarde na Safetech, mergulhado em pilhas de relatórios
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    MatteoA voz metálica e rouca de Mário ecoou pelo alto-falante do meu celular com uma calmaria sádica que me revirou o estômago. O ar no escritório parecia ter congelado instantaneamente. Alessandro prendeu a respiração ao meu lado, enquanto Emma e Sofia abafavam os soluços cobrindo a boca com as mãos, os olhos arregalados de puro pavor. O delegado Ricardo permaneceu imóvel, a expressão afiada de quem analisava cada inflexão daquela chamada.— Buonasera, meu querido sobrinho... — debochou Mário do outro lado da linha, o tom arrastado e cínico. — Espero que já tenha começado a movimentar os seus advogados e que o Luca já esteja preparando as malas da minha esposa. O relógio está correndo... e a sua amada não é muito fã de ambientes escuros.O meu sangue fervendo subiu diretamente para a cabeça. A fúria cega quase atropelou o resto de juízo que me sobrava. Avancei contra a mesa, apoiando as duas mãos sobre a madeira escura e me curvando sobre o aparelho:— Seu desgraçado! Fala quanto vo

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    AnnaCerca de uma hora dentro daquele carro sufocante, senti o balanço do veículo mudar drasticamente. O asfalto liso deu lugar aos solavancos secos de uma estrada de cascalho e terra batida. Percorremos esse trajeto por mais uns quinze minutos, balançando de um lado para o outro, até que o motor roncou mais alto e o carro finalmente parou por completo.A porta ao meu lado foi aberta com violência. Antes que eu pudesse respirar ou tentar entender o que estava acontecendo, fui arrancada do banco de trás pelos braços por dois homens grandes, com a mesma brutalidade de quem manuseia um objeto pesado.— Anda, levanta! — rosnou um deles, empurrando-me para a frente.Senti o chão irregular sob os meus sapatos enquanto éramos conduzidas para o interior de um espaço que parecia ser uma casa antiga e isolada. O som de passos ecoava pelo piso de madeira rangente. Fomos empurradas para dentro de um cômodo abafado e frio. Em seguida, os capangas nos forçaram a sentar em cadeiras de madeira e amar

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    MatteoQuando aquelas palavras finalmente cruzaram os lábios do Mário, o chão debaixo dos meus pés pareceu sumir, e o meu mundo inteiro desabou em uma fração de segundo.— Então, sobrinho... — disse ele, ajeitando a lapela do paletó amassado com uma calma asquerosa, enquanto o sangue ainda secava no canto da sua boca. — Me leve até a sua sala. Vamos conversar como dois cavalheiros.Eu permaneci estático, com os punhos cerrados com tanta força que os nós dos meus dedos doíam. A minha mente girava em um turbilhão violento, incapaz de processar a dimensão daquela crueldade. Como ele tinha tido coragem? Como o Mário conseguiu chegar até a Anna bem debaixo do meu nariz?Em poucas horas, eu a havia deixado na agência. E a segurança dela — Sônia, a profissional de elite que eu contratei pessoalmente para proteger cada passo da Anna quando eu não estivesse, especialista em gestão de riscos — simplesmente não havia me ligado. Como diabos aquilo aconteceu? Como a Sônia permitiu que a Anna fosse

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