تسجيل الدخول(Mariá)— Sandra, você tem certeza de que está tudo pronto?Ela pôs a mão na cintura e me lançou aquele olhar indignado que conheço há anos.— Mariá, pelo amor de Deus, eu organizei aniversários infantis, chá de bebê, casamento na Itália e sobrevivi a tudo isso. Você acha mesmo que eu esqueceria alguma coisa hoje?Ri, nervosa.— Não custa perguntar.— Custa, sim. Custa a minha paciência mulher.As meninas caíram na risada. Diana balançou a cabeça enquanto ajustava o vestido, e Kete quase derrubou a bolsa de tanto rir.— Ela está surtando — disse Sandra, apontando para mim. — E ainda nem entrou .Respirei fundo e olhei meu reflexo no espelho.Cinco anos.Cinco anos tinham se passado desde aquele dia em que achei que talvez não voltasse para casa.E agora eu estava ali, na Bienal do Livro,com grandes nomes, prestes a lançar meu primeiro livro.Ainda parecia impossível.— Meninas... — voltei a olhar para elas. — Eu só queria dizer que estou muito agradecida por vocês estarem aqui comi
Cinco anos depois...(Ramon)Nossa casa está exatamente do jeito que aprendi a amar.Barulhenta.Cheia de risadas.Brinquedos espalhados por todos os cantos.Discussões para decidir quem vai sentar ao lado da mãe no sofá, quem vai ajudar a decorar a festa ou quem vai dormir abraçado comigo quando o medo ou a saudade aparecer.Cinco anos atrás, eu daria qualquer coisa para ouvir esse barulho, não gosto nem de lembrar daqueles dias no hospital.Hoje, não consigo imaginar minha vida sem a Má e tudo que veio com ela.Os nossos pequenos completam cinco anos.Laís e Mauro Luiz acordaram antes mesmo do sol nascer.Agora, são os pezinhos deles correndo pelo corredor que nos despertam todas as manhãs. Lucas e Lara cresceram. Já são adolescentes e vivem naquela fase curiosa entre ainda querer brincar com os irmãos menores e fingir que já são adultos.A ansiedade pela festa tomou conta da casa.Mas não apenas por causa do aniversário.Na próxima semana haverá outro grande motivo para comemorar.
(Mariá)Foram mais dois dias no hospital.Confesso que achei um exagero.Eu me sentia cada vez melhor, mas o médico preferiu não correr riscos. Disse que meu corpo ainda precisava recuperar as forças e que, depois de tudo o que havia acontecido, descansar também fazia parte do tratamento.Dessa vez, resolvi obedecer.As visitas foram suspensas.No começo, estranhei o silêncio.Depois percebi que talvez aqueles dois dias fossem um presente.Pude aprender, sem pressa, a conhecer meus filhos.Descobri que Laís fazia uma pequena careta antes de acordar para mamar e, depois de satisfeita, cruzava as perninhas enquanto dormia, como se fosse uma mocinha elegante desde o berço. Ramon passava minutos inteiros observando aquela cena.— Ela puxou a mãe — dizia, completamente encantado.Já Mauro Luiz era diferente.Antes mesmo de abrir os olhos, esticava os bracinhos como se quisesse abraçar o mundo inteiro.Depois começava a procurar o mamá.Quando percebia que ainda não o encontrava, ia abrindo
(Mariá)Meu encontro com meus pais aconteceu já no começo da noite.Ninguém foi capaz de segurar minha mãe.Segundo Ramon, todos tentaram conhecê-la a esperar até o dia seguinte para que eu descansasse mais um pouco.Era perda de tempo.Quando se tratava dos filhos, ela nunca foi mulher de esperar.Eu sei muito bem disso.Sou muito parecida com ela.Os bebês dormiam tranquilamente depois da primeira mamada.A enfermeira havia diminuído a intensidade das luzes do quarto, deixando o ambiente mais aconchegante.Pela primeira vez desde que acordei, senti que o hospital parecia menos um hospital.Havia flores sobre uma pequena mesa.As roupas dos bebês dobradas com cuidado.Uma manta que minha mãe certamente havia mandado .Pequenos detalhes que transformavam aquele quarto em um pedaço da nossa casa.Ramon estava sentado na beirada da minha cama.Eu descansava a cabeça em seu ombro enquanto observávamos nossos filhos dormindo.Nenhum dos dois falava.Às vezes o silêncio também é uma conve
(Mariá)Depois foi a vez do Mauro Luiz.E, se eu tinha achado que a Laís estava com fome, percebi imediatamente que o irmão conseguia ser ainda mais determinado.— Esse puxou o pai mesmo — brinquei.Ramon fingiu indignação.— Você já decidiu que tudo é culpa minha?Sorri.— Não é culpa. É genética.Até a enfermeira riu.Na verdade, acho que os dois estavam apenas descobrindo o mundo da forma mais importante possível: sentindo a mãe pela primeira vez.Era como se estivéssemos todos aprendendo juntos.Eles a mamar.Eu a ser mãe daqueles dois pequenos gêmeos que quase não pude conhecer.E Ramon a viver aquele sonho que tantas vezes imaginamos.Márcio não pôde ficar até o final.Já tinha conseguido mais tempo do que deveria.Antes de sair, aproximou-se da cama.— Vou deixar vocês curtirem esse momento.Segurei sua mão.— Mostra tudo para a Diana.Ele sorriu.— Pode deixar.— E dá um beijo nela por mim.— Dou dois.Acariciei seu rosto.— Eu te amo, filho.Os olhos dele ficaram marejados.
(Mariá)Infelizmente, Márcio só podia ficar pouco tempo comigo — o que eu achava uma tremenda injustiça.Depois de uma semana inteira dormindo, todos repetiam que eu precisava descansar mais.Descansar de quê?Eu me sentia muito bem.Melhor do que imaginava: fisicamente ainda um pouco cansada, sim, mas feliz — tão feliz que parecia impossível ficar deitada sem querer conversar com todos ali ao mesmo tempo.Antes que ele fosse embora, o celular dele tocou.Assim que atendeu, o rosto de Sandra apareceu na tela.— Nunca mais faça isso comigo, ouviu, Mariá? — ela começou logo, entre lágrimas e risos.Sorri imediatamente.— Oi para você também.— Não brinca! Você não faz ideia de quantas promessas eu fiz durante essa semana toda. — Apontou o dedo para mim pela tela. — E trate de ficar bem forte, porque vai ter que me ajudar a cumprir cada uma. A culpa é toda sua.Ri de verdade, daquelas risadas que fazem o peito doer.— Sandra, eu estava aqui dormindo! Nem sabia o que estava acontecendo







