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Desejos e Sombras na Madrugada

last update publish date: 2026-08-24 11:45:57

Capítulo 74

Aria permaneceu paralisada no centro do cômodo, com o coração disparado a cada barulho que vinha do lado de fora. Os uivos agudos cruzavam a noite, acompanhados pelo som estalado de galhos se quebrando e pelo ruído abafado de centenas de patas pisando com força sobre a terra molhada.

Levada pela curiosidade, deu alguns passos lentos até a janela. Sua mão deslizou pela cortina e abriu uma pequena fresta — o suficiente para vislumbrar a cena estarrecedora: dezenas de lobos gigantesco
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    Epílogo Anos haviam se passado desde a queda de Squamish. A terra em Vancouver não conhecia mais o gosto do sangue e do medo; em seu lugar, reinava a paz, o calor de uma família reunida e a força de uma alcateia que se reerguera das cinzas.Na mansão principal, o movimento era leve. Aria cruzou a varanda sentindo o vento fresco da manhã tocar seu rosto. Em seu pescoço, perfeitamente visível, a marca escura e imponente de sua ligação com Hulio brilhava com a tranquilidade de quem finalmente havia encontrado o seu porto seguro. Parada perto do parapeito, ela observava o jardim, onde a pequena Lara, de cinco anos, corria gargalhando enquanto tentava caçar borboletas, vigiada de perto pelo irmão do meio, Luca, um garoto de dez anos cheio de energia que fingia ser um bravo guerreiro defendendo o território.Lisi e Kili se aproximaram, trazendo xícaras de chá fumegantes. As três amigas de longa data compartilharam um sorriso cúmplice. O tempo havia curado as feridas, transformando a dor do

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    Capítulo 209Aria finalmente abriu os olhos. Por alguns segundos, permaneceu imóvel, tentando afastar a névoa de confusão que ainda pesava sobre sua mente. Seu olhar percorreu lentamente o ambiente, reconhecendo os móveis, a textura da madeira e cada detalhe daquele quarto.Era o quarto de Hulio.A lembrança de tudo o que havia acontecido despencou sobre ela como uma avalanche. Tentou se mexer, mas, antes que pudesse fazer qualquer movimento mais brusco, percebeu a presença dele logo ao seu lado.Hulio estava sentado na borda da cama. Assim que notou que ela havia despertado, levantou-se e inclinou-se sobre ela.— Como está se sentindo? — perguntou, observando cada centímetro do seu rosto com uma atenção quase dolorosa.— Muito melhor... — respondeu Aria, tentando se apoiar trêmulamente nos braços para se levantar.Ele imediatamente colocou uma das mãos firmes sobre seu ombro, impedindo-a com delicadeza.— Você ainda está fraca demais. Precisa descansar.— Não, eu estou bem. — Aria fr

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    Capítulo 208Assim que deu as instruções na enfermaria, Hulio pediu a Kili e Lisi que mantivessem os olhos fixos na pequena para garantir que ela descansasse e se recuperasse. Ele precisava de ar, precisava clarear a mente. Contudo, ao cruzar o corredor para fora do prédio, algo no ar pareceu estalar.Uma pontada violenta rasgou o peito do Alfa, fazendo-o desacelerar os passos.O aroma de pinho gélido e terra molhada — o perfume de sua alcateia — foi subitamente atravessado por um rastro inconfundível e desesperado. Seu lobo interno arranhou as paredes de sua mente com uma agitação feroz, uivando em um alerta imediato: nossa companheira está aqui. Ela está fraca demais... precisa de nós!Hulio não pensou. Não pesou o orgulho nem mediu as consequências. Movido por um instinto primitivo e incontrolável, ele disparou a passos largos, rasgando o caminho em direção às trilhas de patrulha que levavam à fronteira.Foi quando a viu.Aria estava cercada por seus guerreiros, cambaleando e lutan

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    Capítulo 207À medida que se aproximava dos limites de Vancouver, a mágoa e a angústia acumuladas durante sete anos de um inferno particular pareciam invadir cada fibra do corpo de Aria. Seu peito se apertava de tal maneira que, por vezes, o ar faltava, transformando cada respiração em uma tortura. Ainda assim, nada se comparava ao pavor gélido de pensar que Baly pudesse ter caído nas mãos de Raimonte ou Rania. Ela se lembrava vagamente de Kaelen comentar que Rania havia se tornado a Luna daquela alcateia; a mulher jamais toleraria a existência de uma filha de Hulio, principalmente com traços tão inconfundíveis.Em contrapartida, havia uma esperança frágil e sangrenta à qual ela se apegava com unhas e dentes. Se Baly tivesse conseguido cruzar o rio e alcançado as terras de Vancouver, ela estaria com as únicas pessoas que Aria um dia chamara de família. Eles podiam estar magoados, podiam carregar um ódio mortal em seus corações pelo que acreditavam ter sido uma traição... mas Aria conh

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    Capítulo 204As palavras de Baly atingiram Hulio como lâminas cravadas diretamente em seu peito. A armadura de gelo que ele levara sete anos para erguer trincou de ponta a ponta. Ver aquela criança chorando, confessando a ausência crônica de afeto, fez seu estômago revirar. Seus olhos desviaram-se por um segundo para Benjamin, agarrado à cintura de Lisi, e retornaram para a figura frágil de Baly.A respiração do Alfa tornou-se pesada.— Quem fez isso com você? Foi o seu pai? — perguntou ele, a voz caindo em um tom grave e perigosamente rouco.Baly fungou, limpando o rosto com as costas das mãos trêmulas, os olhos brilhando em pura mágoa.— Ele não é meu pai! Eu ouvi com meus próprios ouvidos a minha mãe conversando com a vovó em Squamish... Meu verdadeiro pai é você!O silêncio que caiu sobre a enfermaria foi absoluto, pesado como chumbo.Hulio respirou fundo, sentindo o mundo girar ao seu redor. Ele deu dois passos curtos, fechando a distância até ela. Sem se importar com a postura d

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