FAZER LOGINIsso me irritou como um enxame de vespas selvagens, só que em sua fúria cega, elas atacaram não o agressor, mas a primeira pessoa que se virou para mim — eu. E sinto como se a raiva estivesse correndo pelas minhas veias, um concentrado tão brilhante e poderoso que poderia facilmente substituir o sangue. E então eu me tornarei um maldito herói de quadrinhos do m*al, sua id*iota.
Kira dá um passo para trás, enxugando os olhos com a manga como uma garota com o nariz escorrendo. Ela não está chorando. Que bom.
— Eu vim para o casamento. Eu sorrio m*aliciosamente. Ela se anima, piscando os cílios como uma Barbie desavisada, embora uma boneca de borracha seja mais se*xy do que essa coisa inútil, que só evoca dois desejos: alimentá-la e depois chutá-la para bem longe das nossas vidas. — O quê? Meu tio não te contou?
Dima é um completo idi*ota. Ou não. Ele é um idi*ota, um cretino e um imbecil, porque eu o avisei com quem ele estava se envolvendo, e em vez de palavras de gratidão, ouvi ele dizer para eu não me intrometer na vida dele. E uma palestra moralista no seu estilo tedioso: está na hora de você amadurecer e aprender a perdoar.
Espero, meu querido tio, que você aprecie como mandei sua sabedoria para o inf*erno. Porque o perdão é para aqueles que merecem uma segunda chance, não para garotas que vendem seu amor por dinheiro.
— Você é sobrinho dele. Kira tenta manter a expressão séria, mas seu lábio inferior trêmulo a entrega.
— Seria estranho se Dima convidasse sua mãe e não convidasse você.
— Não é estranho, é estúp*ido e desprezível, e cheira a podridão e zombaria, porque casar com você debaixo de um cadáver é ridíc*ulo, mas convidar o irmão do homem que você matou para o seu casamento é cínico.
Tenho quase certeza de que agora aquela boca feia vai se abrir e Kira vai despejar mais um monte de besteiras em cima de mim, tipo "A culpa não é minha!". Mas alguma coisa deve ter mudado nos últimos dois anos, já que ela nem está tentando se justificar. Ou será que minha raiva a afetou e seus instintos de autopreservação entraram em ação?
— Você precisa mesmo estragar tudo, é? Essa mariposa pálida de repente ganha vida, seus olhos verdes brilhando como kryptonita. — Desenterrando o passado de novo?
— Você achou que podia simplesmente relaxar e viver como uma rainha?
— Pelo menos eu não me alimento do medo dos outros. Ela responde com um sorriso amargo.
— Bem, você viu como foi fácil descobrirmos que eu não vou morrer de fome, porque terei um gerador perpétuo à minha disposição.
Ela finalmente desaba: a comida visivelmente faz seus ombros caírem, embora ela esteja claramente tentando manter a cabeça erguida e a expressão impassível. Mas nós duas sabemos que nunca funcionou comigo, porque — como o destino quis — pareço ser a única imune à sua "magia de cordeiro inocente". Porque, depois da morte do meu irmão, sou a única testemunha viva do passado alegre dessa freira.
Kira se vira e, lentamente, ainda tentando manter a dignidade, caminha em direção aos portões do cemitério. E, por algum motivo, eu observo, observo e observo, enquanto as suas omoplatas salientes quase rasgam o tecido fino da blusa.
E em algum lugar lá fora, no zumbido da minha colmeia de vespas selvagens, um silêncio completo e sóbrio se instala.
E eu caio de cabeça nas rochas afiadas do autodesprezo. Porque é ela quem me faz assim. Porque é aquela pu*ta da Kira... É nojento, mas é viável, e tenho certeza de que, assim que eu tocar o último acorde dessa marcha fúnebre, tudo se encaixará, sem precisar de terapia para controle da raiva ou outras baboseiras pseudocientíficas.
Eu queria transar com a Kira. A Kira decidiu não se entregar completamente e se recusou a ser fo*dida, agarrando-se como uma sanguessuga a uma presa mais fácil. Então, uma vez que eu complete essa gestalt, não me incomodarei com suas tentativas de fingir inocência, nem com seus olhos de kriptonita, nem — que se dane tudo — com suas omoplatas magras projetando-se como barbatanas de peixe. Deus, ninguém nunca pensou em engordá-la pelo menos um pouco, ou isso faz parte da imagem dela de pobre garota que lutou a vida toda?
Duvido que eu consiga uma ereção por essa paródia magra e seca de uma mulher madura, mas terei que tentar.
Tentar. E mostrar ao meu querido tio o que sua futura esposa faz com seu único sobrinho. Logo no cartório, logo após o pomposo "Você concorda, Dmitry..."
Então todos nós conversaremos sobre perdão e dar a outra face. No entanto, algo me diz que não haverá muitas pessoas dispostas a discutir essa situação embaraçosa.
E Kira...
Kira simplesmente recomeçará sua vida e procurará um novo emprego.
Garotas de programa não se perdem na rotina árdua de lavar pratos. Mas essa será a história de outra pessoa, e o problema de outra pessoa.
Gabriel— Você ainda não ganhou peso nenhum, Kira. Digo a primeira coisa sensata que consigo pescar no meio da multidão de pensamentos obscenos na minha cabeça.É um m*aldito caso de *déjà vu*. Ela está fugindo de novo, e eu a estou seguindo por algum motivo m*aldito, trancando-me no banheiro a sós com ela. Normalmente, é exatamente assim que eu acabaria transando de forma selvagem e sem compromisso: encontro uma égua gostosa e desinibida, pago um coquetel caro, deixo ela saber que sou bem-dotado — e a conduzo para o banheiro para fodê-la até ficar totalmente esvaziado.Mas com a Kira... eu na verdade enfio as mãos nos bolsos da calça, porque tocá-la seria como acariciar uma gata sarnenta no cio. Ela pode até achar que é inalcançável, independente e feita de pedra, mas toda mulher emite sinais fáceis de perceber. Respiração ofegante, olhos semicerrados, lábios entreabertos. E gotículas de água tremendo em seus cílios claros.Droga, não — Gabriel, sua mente está indo pelo caminho errad
Kira— Consegui arrancar um presente de casamento do Varfolomeev. Yulya anuncia triunfante após o terceiro brinde.M*al comi alguma coisa, então minha cabeça já está girando um pouco. Dou um gole minúsculo — ou melhor, apenas encosto os lábios no vinho Moscatel doce e frisante.— Vamos voar para as ilhas tropicais! Por dez dias! Yulya gesticula com tanta empolgação que quase derruba um prato da mesa. — Um resort cinco estrelas com tudo incluído — três piscinas, uma delas de água salgada! Um spa!Engulo em seco, tentando conter uma onda de lembranças indesejadas que — como guerrilheiros — começam a invadir minha mente por todos os lados. A praia, a areia, o som das ondas e o ar com gosto de frutas tropicais — tão doce que minha visão fica turva. E aquele beijo voraz e avassalador — do tipo que me fazia querer chorar e caminhar voluntariamente para o abismo.Sinto um m*al-estar comigo mesma por não conseguir me alegrar verdadeiramente pela minha amiga em um momento tão importante. Porqu
KiraSeis meses depois…— Me pediram para te entregar isso.Levanto os olhos do tablet e deparo-me com um lindo buquê de rosas cor de caramelo, decorado com um balão, quase como um presente de casamento. Vera coloca um elegante cartão de visitas ao lado.— E aí? Minha amiga insiste, batendo o dedo impacientemente num pedaço de papelão, como se estivesse invocando um gênio da lâmpada. — Pelo menos veja quem mandou!Sinceramente, não estou interessada, mas para satisfazer a sua curiosidade, continuo olhando.Alex Morozov. O fotógrafo mais estiloso, que está fazendo sucesso no Instagram com os seus ensaios fotográficos impressionantes, destacando os bumbuns firmes das mulheres. Ele se especializa em fotografia erótica, e todo mundo, de cantoras a modelos e bailarinas, quer as suas fotos para seus portfólios. Mas ele próprio parece o sonho de qualquer fotógrafo: coberto de tatuagens, com um corte de cabelo estiloso, atlético e tão sarado que poderia estrelar um comercial de academia. — Qu
Gabriel— Não me toque! Some daqui com os seus cremes, eu não sou criança!Minha mãe bufa e estende a mão para passar um cotonete com antisséptico no meu lábio machucado. Consigo me virar, pulo de pé e aponto para a porta:— Saia daqui! E aí?!— Você precisa de um médico. Ela responde calmamente, sentando-se de forma demonstrativa no sofá e cruzando as pernas. — Não vou a lugar nenhum até ter certeza de que a vida do meu único filho não vai acabar por causa de uma infecção generalizada.— Você se importa? Eu respondo bruscamente.— Não, desde que cheguei aqui e aguentei o seu mau-humor por meia hora. Você é igualzinho ao seu pai.— Bem, pelo menos em alguma coisa, senão você ia achar que eu sou um órfão.— Eu ficaria feliz em ir embora, até para os confins da Terra, mas estou simplesmente apavorado. Então, pelo menos posso admitir isso para mim mesmo. Tenho medo de que esta m*aldita ilha seja pequena demais para que eu e Kira sintamos falta um do outro, e se eu a vir de novo, então...
KIRACaio silenciosamente de uma grande altura para dentro do meu próprio corpo.Talvez seja por isso que não sinto os meus braços nem as minhas pernas, apenas o arame farpado em volta do meu coração, apertando tanto que o som da pele perfurada estalando me faz sangrar lágrimas.Gabriel crava os dedos na areia, respirando pesadamente, enquanto Dima circula acima de mim e me envolve cuidadosamente numa capa. Ela está coberta de areia e arranha a minha pele, mas me deixa um pouco mais sóbria, porque estou completamente embriagada por aquele beijo.E o pânico sobe pela minha garganta novamente, ameaçando se transformar em outro ataque.Estou com medo, porque o que aconteceu foi uma revelação pessoal enviada de cima.Pela primeira vez em dois anos, sobrevivi a um ataque sem o spray. Eu estava morrendo. Sentia o meu coração, como um corredor desesperado, mas azarado, ainda tentando lutar contra a longa distância, mas se transformando em pedra a cada batida.E de repente — o gosto do ódio n
GabrielEla jaz aos meus pés como uma sereia: pálida, magra, com os cabelos como se tivessem crescido na areia. E respira com dificuldade, porque correu tão rápido que m*al consegui acompanhá-la. E por que a persegui? Quem poderia responder a uma pergunta tão simples? Não tenho a menor ideia. Só me resta uma desculpa tolerável para aquela parte de mim que quer esmagar essa praga e não hesitará em usar todos os meios necessários: "oficialmente", eu fui atrás de Kira, aproveitando-me da sua condição para pegar uma e terminar o que a minha mãe começou — acabar com ela.Mas não consigo.Simplesmente não consigo nem tocá-la enquanto ela emite esses sons, como se estivesse respirando por um tubo entupido de terra. Preciso ajudá-la a se levantar, garantir que não tenha convulsões e aproveitar essa desculpa para processar a minha mãe por abuso emocional.— Vá embora. Pede Kira, sem se virar. — Só vai embora. Você veio aqui para me provocar, não foi? Amanhã de manhã sou todo sua.Quero dizer a







