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Nenhuma maldição impede a Luna Destinada
Nenhuma maldição impede a Luna Destinada
Penulis: Ms. Julianna

Que azar

Penulis: Ms. Julianna
last update Tanggal publikasi: 2026-10-03 00:59:47

A claridade que inunda o quarto me desperta e com isso, cada músculo do meu corpo ainda dói. Faz dois dias que estou deitada na cama numa situação decadente depois da minha última lua cheia. Aquela tinha sido a minha sexta cheia e de longe a pior que já havia encarado.

Sabem quando o azar persegue uma pessoa a ponto dela questionar se valia a pena lutar com tanta garra assim pela vida? Era exatamente assim que me sentia. Minha família era, em sua maioria, de bruxos muito poderosos, a família Way era a mais poderosa da cidade tanto magicamente quanto financeiramente, mas na minha cerimônia ancestral aos nove anos, não houve a revelação dos meus poderes. Passei a ser vista como a única bruxa da família sem poderes, foi o suficiente para crescer isolada, por mais que eu me esforçasse para obter algum destaque era frequentemente ofuscada pelas conquistas dos meus primos. Eu tenho apenas dezenove anos e já estou na metade do meu mestrado em física nuclear, notas exemplares, artigos publicados.. eu era vista e reconhecida no meio acadêmico, havia encontrado meu lugar no mundo mas tudo mudou seis meses atrás

Meu pai, Henry Way, acumulou inimigos ao longo dos anos, entre eles o Alfa de uma matilha na parte mais isolada do país. Era um final de semana para descontrair e esquiar, mas o Alfa Albert tinha outros planos para a nossa família. Ele matou minha mãe diante dos meus olhos, me atacou mas não conseguiu acabar comigo e meu pai deu um fim nele. Lembram do azar que me persegue? Um lobisomem criado é raro pois só acontece quando é mordido por um alça durante uma lua cheia e o alfa em questão morre na mesma noite.

Não tem sido fácil esses meses, meu pai ficou recluso, incapaz de me olhar e saber que a culpa era dele por eu ter me transformado no que sou, mas tenho meu primo Thomas me ajudando, ele já nasceu lobisomem então pra ele é tudo natural, Ramon também tem me ajudado e treinado comigo para desenvolver as novas habilidades, ele é um dos betas da matilha que agora faço parte, minha nova família.

Me sento na cama com dificuldade, dando alguns gemidos, quando ouço Katherine entrar pela porta

“Eli, não podia esperar? Garota teimosa..”

Viro os olhos pra ela e a encaro por alguns segundos. Kath é minha tia, do segundo casamento do meu avô e é três anos mais nova que eu, meu pai e minha tia Felicity implicam consideravelmente com ela por ser tão bondosa, mas é exatamente isso que gosto nela

“Eu preciso melhorar logo KitKat, forçar meu corpo é necessário”

“Eli, você sabe que quase morreu, não sabe? Dê uma pausa, mais um dia na cama não vai fazer mal” Kath bufa e diz impaciente, estava realmente reconsiderando, até ver meu celular vibrando com uma notificação, meu semblante fica desanimado e encaro ela

“Não vai dar, o Alfa está convocando a todos, não posso ser exceção à regra”

Ainda era um pouco difícil respirar, seis costelas fraturadas, fêmur quebrado em três lugares, clavícula deslocada, uma grave concussão e desidratação severa foram o resultado da semana de terror que fiquei trancada no porão da mansão da família.

Era apenas a Deusa me dando mais uma dose de azar, meu primeiro cio em plena lua cheia e como eu não tinha a intenção de transar com todos os machos solteiros da matilha, a solução foi ficar no porão enfeitiçado que me impediu de sair, mas não de fazer minha loba tentar desesperadamente sair dali para se saciar. Eu não era como os outros, ainda não tinha controle da minha loba quando me transformava, isso acontece com os mais jovens e eles são agraciados pela Deusa por terem o cio apenas depois dos dezesseis anos, depois de terem tudo sob total e absoluto controle, mas eu tive que aprender as coisas um pouco na garra e na coragem

Sento no carro e encaro minhas mãos no volante, um arrepio percorre minha espinha ao lembrar de quando acordei a dois dias atrás e não tinha nenhuma unha, minhas mãos cobertas por camadas de sangue seco, desde aquela noite alguns flashs da semana vinham em minha mente, eu via o que estava acontecendo, mas ainda não via através dos meus olhos e isso era a parte mais estranha. Não tinha como perguntar para Thomas porque ele estava muito ocupado com Lis, uma semana separado dela era um tormento, palavras dele, não minhas. Respirei fundo e segui até a casa da matilha na floresta.

Normalmente os ômegas viviam na casa da matilha, eram criados, agricultores, professores. Mas o alfa Orus foi persuadido a não me deixar realizando trabalhos tão abaixo do meu padrão por minha tia Fabi, acreditem, ela sabe como impor suas vontades

O caminho era curto e em menos de vinte minutos estava estacionando na casa da matilha. Notei que apenas o meu carro estava no estacionamento destinado aos membros da matilha e pensei ter chegado cedo demais.

Pra minha surpresa o Alfa Orus estava na porta me esperando, eu não ousei dar um só resmungo de dor, cerrando meus dentes e me mantendo calma enquanto caminhava

“Vamos até meu escritório”

Baixei os olhos e caminhei em silêncio atrás dele, não notando mais ninguém naquele andar da casa. Ramon havia me ensinado desde que começamos os treinamentos a ouvir a certa distância, separar o que é batimento cardíaco humano ou animal, a identificar os cheiros e essa era uma das habilidades mais legais que aprendi. Assim que passamos pela porta, esperei que ele se sentasse para depois me sentar na cadeira á sua frente

“É bom ver que se recuperou” Orus ofereceu um sorriso sincero em seu rosto, como um bom alfa que cuida dos seus, definitivamente ele era assim

“Sim Alfa, sei que acabei por faltar a ronda e meu treinamento, posso pegar um turno duplo se for necessário”

Orus ergueu a mão e me calei, estava ansiosa por alguma razão que não sabia explicar

“A Deusa tem testado você Eli, nunca soube o porquê, mas acho que estamos perto de uma resposta” ele pegou um papel e me entregou, era uma carta feita a mão, faziam anos que não via algo assim, mais do que isso, aquele pedaço de papel tinha um cheiro diferente, muito fraco mas que trouxe paz, cheiro de grama e pinho que me entorpeceu, me fazendo voltar a realidade apenas quando o Alfa pigarreou, pegando a carta das minhas mãos

“A matilha da Aurora. Seu antigo Alfa era o Alfa Albert”

A menção do nome do alfa me fez estremecer e meu corpo ficar rígido, se eles estão em busca de vingança, esse certamente será meu fim

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