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Capítulo 2

Autor: Nabo Mirtilo
Então Joe me pegou completamente de surpresa.

— Vamos decorar esta casa do jeito que a Carol gosta. Ela vai ficar aqui de vez em quando, e quero que se sinta em casa.

Fiquei paralisada.

— Joe, esta é a nossa casa. Por que deveríamos decorá-la de acordo com o gosto dela?

O rosto dele se fechou.

— É só decoração. Você pôde decorar a nossa casa atual do jeito que quis, não pôde? Os pais da Carol moram no exterior, e ela está aqui sozinha.

Ele fez uma pausa antes de continuar:

— Ela vai ficar bastante aqui de agora em diante. Qual é o problema em decorarmos o lugar de acordo com o estilo que ela gosta? Por que você precisa ser tão mesquinha?

Soltei uma risada curta, incrédula.

Aquela era a minha casa, mas ele queria que ela fosse decorada para outra mulher.

A ideia era absurda.

Nenhum de nós cedeu, e nunca terminamos de mobiliar a casa.

Olhando para trás, eu deveria ter me divorciado dele naquele instante.

Mas eu ainda me agarrava à esperança.

Decidi esperar até o nosso aniversário e tentar conversar com ele, colocar tudo às claras.

Agora, até mesmo essa esperança havia desaparecido.

Joe só voltou para casa às duas da manhã.

Eu estava cochilando no sofá, mas me forcei a despertar quando ele entrou.

— Joe, precisamos conversar sobre uma coisa.

Ele olhou para mim, mas não demonstrou nenhuma reação ao ver o quanto eu estava exausta.

Apertou a ponte do nariz, e a irritação começou a aparecer em sua voz.

— Tudo isso é realmente necessário, Tessa? É só um aniversário. Estamos casados há anos.

Ele suspirou.

— Você realmente precisa fazer tanto drama por causa disso e ficar prolongando essa discussão a noite inteira? Olha só que horas são. Tive um dia longo e estou cansado demais para discutir com você.

Joe se virou e entrou no banheiro.

Durante os dez minutos seguintes, tudo o que ouvi foi o som do chuveiro.

Quando saiu, passou direto pelo nosso quarto e entrou no quarto de hóspedes.

A porta bateu atrás dele, fazendo-me despertar completamente.

A casa voltou a ficar em silêncio.

Meus pensamentos estavam completamente confusos, e meu peito parecia apertado de dor.

Olhei para os papéis de divórcio em minhas mãos.

Sem aviso, as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.

Quando foi que ficou tão difícil simplesmente conversarmos um com o outro?

Foi quando Carol se tornou a primeira pessoa com quem ele queria compartilhar tudo?

Foi quando ele começou a colocar coentro no meu prato?

Ou foi quando me deixou passar sozinha pelo aborto espontâneo?

Quando éramos jovens, eu o persegui com tudo o que tinha.

No fim, ficamos lado a lado e prometemos passar o resto de nossas vidas juntos.

Agora, uma porta fechada nos separava, e poderíamos muito bem ser dois estranhos.

De alguma forma, oito anos tinham sido suficientes para chegarmos àquele ponto.

Uma lágrima caiu na palma da minha mão.

Respirei fundo, peguei uma caneta e assinei os papéis de divórcio.

Voltei para o quarto.

Eu estava completamente esgotada e dormi tão profundamente que só acordei quase ao meio-dia.

Quando abri a porta do quarto, encontrei a última pessoa que esperava ver.

Carol parecia encantada ao me ver.

— Tessa, você acordou.

Fiquei paralisada.

Joe saiu da cozinha, com um tom impaciente:

— Finalmente acordou? A Carol já está aqui há um bom tempo.

Carol lançou a ele um olhar brincalhão.

Então pegou uma caixa de veludo da mesa de centro, veio rapidamente até mim e a colocou em minhas mãos.

— Joe, não diga isso. Tessa, não ligue para ele. Ele pode fingir que não se importa, mas se importa, sim. Ele escolheu esse presente de aniversário especialmente para você ontem e não parou de falar sobre isso durante todo o caminho para casa.

Toda aquela situação me dava arrepios, mas guardei meus pensamentos para mim.

— Obrigada. O que é...

Antes que eu pudesse terminar, Carol abriu a caixa.

Dentro havia um colar com um pingente tão minúsculo que chegava a ser ridículo.

Pior ainda, era um brinde promocional que os clientes podiam comprar com desconto depois de gastarem determinada quantia.

Joe pegou a caixa das mãos dela e explicou em um tom indiferente:

— A Carol queria uma bolsa da nova coleção, então levei ela para fazer compras. A bolsa custou o suficiente para ganhar um desconto nesse colar.

Ele deu de ombros.

— Achei que combinava com o seu estilo, então paguei um pouco a mais e peguei para você.

Como não fiz menção alguma de pegá-lo, ele acrescentou:

— Você é médica. Não pode usar nada muito chamativo, então escolhi algo simples.

Antes que eu pudesse responder, ele pegou várias sacolas de grife que estavam no chão e as jogou aos meus pés.

— São as roupas que a Carol acabou de trocar. Lave-as e guarde-as para ela. Temos um evento de arte contemporânea para ir, então precisamos sair.

Os dois saíram rindo e conversando, sem sequer olhar para trás.

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Último capítulo

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    Continuei:— Eu estou feliz aqui. Passo meus dias salvando vidas e estou cercada de pessoas que se importam com as mesmas coisas que eu. Posso comer o que quiser e não preciso me preocupar com o humor de ninguém.— Joe, eu não amo mais você.Joe desabou na cadeira. As lágrimas escorriam pelo rosto, mas, mesmo assim, ele ainda tentava se agarrar a alguma esperança.Murmurou:— Tudo bem. Tudo bem, Tessa. Eu vou esperar por você. Quando estiver pronta para voltar, eu estarei aqui.Eu não queria mais ouvir desculpas que não mudavam nada, então me levantei e saí do café.A partir daquele dia, Joe ficou perto do acampamento.Alugou um quarto simples nas proximidades e passou a me esperar do lado de fora do acampamento todos os dias. Trazia meu café da manhã e água, além de ajudar a carregar os equipamentos médicos.Disse que havia cortado Carol da vida dele de uma vez por todas. Vendeu as duas casas que tínhamos em casa e não pretendia voltar.Continuava me mandando mensagens, tent

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