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Capítulo 3

Author: Nabo Mirtilo
Senti como se não passasse de uma empregada, sempre à disposição de Joe e Carol.

Ao olhar para a bagunça que os dois haviam deixado para trás, senti uma dor surda no peito. Minha garganta apertou, e até respirar começou a ficar difícil.

Foi então que meu celular vibrou. O grupo do hospital havia publicado um aviso informando que estavam abertas as inscrições para uma missão internacional de assistência médica.

Meu coração acelerou enquanto eu lia. Talvez aquela fosse exatamente a oportunidade de que eu precisava para deixar aquele lugar, me afastar de Joe e finalmente seguir em frente.

Respirei fundo, me acalmei e fiz minha inscrição pelo celular. Depois, me arrumei e fui ao hospital entregar os documentos necessários.

Quando terminei, conferi minhas mensagens. Nossa conversa ainda mostrava minha última mensagem:

"Me avise quando terminar. Precisamos conversar."

Joe ainda não havia respondido.

Eu estava prestes a ligar para ele quando uma notificação de um aplicativo de vídeos curtos apareceu.

Era um vídeo que Joe havia gravado de Carol enquanto ela explicava o significado artístico de uma pintura para um grupo de pessoas. Ela falava com confiança e evidente entusiasmo.

A legenda dizia:

"Carol tem memória fotográfica. Ela é absolutamente brilhante."

Meus nós dos dedos ficaram brancos enquanto apertava o celular com força e ligava para ele.

— Estou no café em frente à galeria. Se você não aparecer em trinta minutos, vou entrar para te procurar.

Joe respondeu bruscamente:

— Tessa, sobre o que é isso? Eu já te falei...

Desliguei antes que ele pudesse terminar, deixando-o reclamar do outro lado da linha, com o telefone já desligado.

Sentei-me no café, contando os minutos.

Pouco antes de os trinta minutos se completarem, levantei-me para entrar e procurar por ele. Foi quando Joe e Carol apareceram caminhando tranquilamente.

Carol foi a primeira a falar, com um tom preocupado:

— Tessa, você parecia tão abalada ao telefone que fiquei com medo de ter acontecido alguma coisa. Então pedi para Joe vir logo. Tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?

Joe olhou para o meu rosto e ficou ainda mais irritado.

— O que é tão urgente que você não podia me contar pelo telefone? Precisava mesmo vir até aqui e fazer uma cena?

Olhei para Carol, que continuava firmemente ao lado dele, e me virei para ir embora.

Ela veio rapidamente atrás de mim, passou o braço pelo meu e me puxou de volta para a cadeira.

— Não fique brava, Tessa. Joe só me trouxe porque não queria me deixar sozinha na galeria. Já que estamos aqui, por que não tomamos um café antes de irmos?

Ela sorriu para mim como se não tivesse feito absolutamente nada de errado.

No passado, eu teria arrancado meu braço do dela. Agora, estava anestesiada demais para me importar, então deixei que ela me puxasse de volta.

Quando não fiz escândalo, a expressão de Joe suavizou um pouco, e ele também se sentou.

Carol pegou o cardápio e o empurrou na minha direção.

— Você deveria experimentar o latte de baunilha torrada, Tessa. É novidade. Joe e eu provamos mais cedo e é muito gostoso.

Então ela se virou para Joe e deu um puxão brincalhão em seu braço.

— Esquece o Americano e pede o combo de duas bebidas comigo, está bem? Ele vem com chaveiros de ursinho combinando, e eu quero esses chaveiros há séculos.

Os olhos de Joe se desviaram para mim.

Nós havíamos brigado sobre Carol mais vezes do que eu conseguia contar. Ninguém sabia melhor do que ele o quanto eu odiava a ideia de ele ter qualquer coisa combinando com outra mulher.

Ele sabia exatamente como eu me sentia e, mesmo assim, continuava trazendo Carol para perto.

Joe examinou meu rosto, tentando descobrir qual seria a minha reação.

Pisquei e, por um instante, minha mente ficou em branco.

No passado, algo assim teria iniciado uma enorme briga entre nós. Agora, eu simplesmente não me importava.

— Claro. São bonitinhos — respondi calmamente.

Joe pareceu pego de surpresa, e seu cenho se franziu ainda mais.

Ele hesitou por alguns segundos antes de dizer a Carol que eles não pediriam mais o combo.

Continuou olhando para mim, esperando alguma reação.

Para sua decepção, não recebeu nenhuma.

Eu estava cansada de ter a mesma discussão sobre Carol.

Virei-me para a janela e fiquei em silêncio.

Joe tentou conversar comigo várias vezes, mas tudo o que recebeu foram alguns distraídos:

— Hum-hum.

— Uhum.

Enquanto isso, Carol continuou mantendo a conversa, passando da exposição de arte para shows, designers e colecionadores.

Ela e Joe conversavam animadamente como se a tensão entre nós nem sequer existisse.

Eu permanecia sentada ao lado deles em silêncio, sentindo-me uma completa intrusa.

Mais três cafés foram servidos e consumidos e, todas as vezes que tentei ir embora, Carol me impediu.

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