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Capítulo 04

Author: Bubbles
Ponto de vista da Natasha

Acordei em uma cama de hospital. Riven estava sentado ao meu lado.

— Você acordou. — Ele tocou minha testa. — Tá sentindo alguma dor?

Olhei para ele e simplesmente não consegui entendê-lo.

Não tinha sido ele quem me colocou ali? Como podia estar sentado ao meu lado com aquela expressão preocupada, como se nada daquilo tivesse acontecido?

Olhei para o relógio na parede. Três dias haviam se passado.

Faltava apenas mais um dia. Depois disso, eu iria embora.

Já não fazia sentido tentar entender toda aquela confusão.

Afastei a mão dele e puxei o cobertor para me levantar.

Meus tornozelos estavam acorrentados à estrutura da cama.

Riven se levantou e disse, com a voz fria:

— Eu sabia que você não reconheceria o erro que cometeu. Vai ficar aqui pensando no que fez. Quando estiver pronta para admitir seus erros, mandarei alguém soltá-la.

Eu estava cansada demais para discutir. Apenas me deitei novamente e fechei os olhos.

Ele suspirou.

— Considere isso uma lição. E depois disso... fica longe da Helen. Ela não fez nada de errado. Aconteça o que acontecer, você continua sendo a única mulher que eu amo.

Antes mesmo que terminasse de falar, o Beta entrou correndo no quarto.

— Alfa... Helen perdeu o bebê.

Riven se levantou de um salto.

— Como?

— O médico disse que foi por causa da transfusão. O sangue da Natasha contém um composto que sobrecarregou o organismo da Helen. Foi isso que provocou o aborto.

— Como isso é possível? — A voz de Riven falhou.

Dei uma risada fria e permaneci em silêncio.

Meu sangue curava... mas apenas quando realmente havia algo para curar.

Para alguém que não estivesse envenenado, o sangue do Clã dos Dragões era como uma arma. O corpo de um lobisomem comum não conseguia absorvê-lo, e quem acabava sofrendo o impacto era o feto, em vez da Helen.

Ela fez aquilo consigo mesma.

Forjou o próprio envenenamento, insistiu em receber uma transfusão da qual não precisava... e pagou o preço por isso.

Na verdade, ela deveria agradecer ao filho que carregava. Se o bebê não tivesse absorvido o impacto em seu lugar, quem teria morrido seria ela.

Mas eu já sabia que não adiantava explicar nada disso ao Riven.

Ele jamais acreditaria em mim.

E, quanto menos pessoas soubessem sobre o sangue do Clã dos Dragões, melhor.

Meu silêncio o enfureceu.

Ele arrancou as correntes, me puxou brutalmente da cama e me empurrou para dentro do quarto da Helen.

Os olhos dela estavam vermelhos e inchados de tanto chorar. Ela olhou para Riven como se estivesse completamente destruída.

— Nosso bebê se foi, Riven... nosso bebê...

Ele a puxou para os braços e falou com suavidade:

— Podemos tentar de novo. Não se destrua por causa disso.

Então, ainda abraçando-a, acrescentou:

— Se estiver com raiva da Natasha, descarregue tudo nela. Não guarde isso para você... faz mal.

Foi toda a permissão de que Helen precisava.

Ela pegou tudo o que estava ao alcance das mãos e começou a atirar em mim — um copo, o celular, um cinzeiro.

Eu estava sendo segurada. Não tinha para onde fugir.

Algo atingiu minha testa, e o sangue escorreu pela lateral do meu rosto.

— A culpa é sua! Tudo isso é culpa sua! Por que você fez isso? Meu bebê era inocente!

Riven esperou até que ela descarregasse toda a raiva.

Depois se virou para mim, frio como gelo.

— Você vai ficar ajoelhada aqui esta noite. Quando Helen a perdoar, poderá se levantar.

Ele saiu do quarto, levando o Beta e os guardas consigo.

Ficamos apenas eu e Helen.

Ela me encarou com puro ódio.

— E daí se você matou meu bebê? Eu tenho muitas maneiras de fazer o Riven olhar só para mim.

Um sorriso lento e satisfeito surgiu em seus lábios.

— Dizem que o Alfa da Alcateia Fantasma é completamente louco por você. Pela cena que estou vendo, não parece nem um pouco.

Levantei-me e respondi com a voz calma:

— Eu não matei seu filho. Foi você.

Os olhos de Helen se estreitaram.

— O que isso quer dizer?

Nem me dei ao trabalho de explicar.

Ergui levemente uma das mãos e sussurrei, quase sem voz:

— Durma. Esqueça tudo isso.

Uma luz suave pulsou na palma da minha mão.

Os olhos de Helen perderam o foco, e ela caiu de volta sobre o travesseiro.

Saí do hospital sem fazer o menor barulho.

Voltei para casa.

Continuei arrumando minhas coisas.

Faltava menos de um dia.

Recolhi um por um os retratos espalhados pelo chão e os joguei na lareira, sem hesitar.

Tudo o que havia colocado na mala foi para o lixo.

Apaguei todos os vestígios da minha existência naquele quarto, pouco a pouco, como se eu jamais tivesse vivido ali.

Quando terminei, já era manhã.

O Maybach que Cole havia providenciado me esperava lá embaixo.

Entrei no carro.

E não olhei para trás.

A Alcateia Fantasma ficou para trás.

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