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Capítulo 03

Author: Bubbles
Ponto de Vista de Natasha

Eu não fazia ideia do que ele estava falando.

Antes mesmo que eu pudesse abrir a boca, a mão dele se fechou em volta do meu pescoço.

— Eu realmente achei que você fosse uma boa pessoa, Natasha. Achei que você fosse bondosa. Mas isso? Atacar o filho dela? Não importa o quanto você tenha ciúmes da Helen… aquele bebê nunca fez nada para você.

Ele apertou até que eu não conseguia mais respirar. Então, lentamente, me soltou.

Eu me curvei para frente, tossindo com força, minha voz saindo em frangalhos.

— Eu... eu não... não sei do que você está falando. Eu não envenenei ninguém.

Isso só o deixou ainda mais furioso.

— Então quem envenenou? A Helen acabou de beber um suco que veio de você. Dez minutos depois, ela desmaiou. Ela está na cirurgia neste exato momento. E você tá aqui, fingindo inocência. Eu nunca imaginei que você fosse tão boa em mentir.

Eu ainda segurava a pilha de retratos. Meus olhos ardiam. Havia mil coisas que eu queria dizer, mas nenhuma conseguia sair.

Riven viu as lágrimas se formando, e algo vacilou em sua expressão. Ele sempre teve mais medo de me ver chorar do que de qualquer outra coisa.

Sua voz suavizou um pouco.

— Pare de chorar. Eu não estou dizendo que...

O celular dele o interrompeu.

Era o Beta.

— Alfa. Nós rastreamos a toxina. O principal composto é acônito prateado. É extremamente raro. Todo o estoque da Alcateia Fantasma pertence à Luna.

Ele desligou, agarrou meu pulso e me arrastou com ele.

Arrancou os retratos das minhas mãos e os lançou no ar — todos eles, cada um — as folhas girando por toda parte, meu rosto espalhado pelo chão.

Ele me encarou através daquela tempestade de papel com um desprezo gelado.

— Você é boa em bancar a vítima, Natasha. Quase me enganou. Se alguma coisa acontecer com a Helen ou com aquele bebê, você não vai gostar do que vem depois.

Ele me puxou até o carro sem sequer esperar que eu conseguisse andar. Meus joelhos bateram no chão e rasgaram no asfalto, mas ele não parou.

O carro corria em alta velocidade. A última vez que eu o tinha visto tão desesperado foi quando fiquei gravemente ferida ao tirá-lo da frente de lobos renegados.

Chegamos ao hospital.

Helen estava pálida sobre os lençóis brancos, parecendo frágil.

— Riven, eu estou com medo. Eu não vou morrer, vou? Me desculpa. Eu não consegui proteger o nosso bebê.

— Não culpe a Natasha. Ela só... agiu sem pensar.

Riven segurou a mão dela e a pressionou contra o próprio rosto. Beijou sua testa e então se virou para o médico.

— Como ela está?

O médico soltou um longo suspiro e balançou a cabeça.

— A toxina é derivada do acônito prateado. É extremamente rara. Conseguir um antídoto seria praticamente impossível... a menos que...

— A menos que o quê?

O médico olhou para mim.

— O sangue da Natasha pode neutralizar qualquer veneno. Se fizermos uma transfusão de metade do sangue dela para a Helen, tanto ela quanto o bebê terão uma chance. Caso contrário...

Ele não precisou terminar a frase.

Meus olhos se arregalaram.

Era verdade que os descendentes do Clã dos Dragões possuíam um sangue capaz de curar. Mas nossa existência deveria permanecer em segredo.

Três anos antes, quando Riven foi envenenado, eu havia lhe dado meu sangue para salvá-lo. Apenas aquele médico sabia disso, e eu o fiz prometer que manteria esse segredo.

Ele quebrou essa promessa.

— Por que o sangue dela? — perguntou Riven.

O médico evitou meu olhar.

— O sangue da Natasha possui uma propriedade curativa excepcional, até mesmo entre os lobisomens...

Quando o vi lançar um olhar para Helen, entendi tudo.

Riven voltou-se para mim.

— Dê a eles o antídoto, Natasha. Não me obrigue a tirar o seu sangue à força.

— Não existe antídoto! — respondi, elevando a voz. — Porque eu não envenenei a Helen. Eu não tenho nada para dar a vocês.

Algo mudou em seus olhos. Por um segundo, achei que ele fosse acreditar em mim.

Então Helen soltou um pequeno gemido de dor.

— Riven...

Ele fechou os olhos e fez sua escolha.

— Preparem a transfusão.

Olhei para ele em completo desespero, finalmente compreendendo toda a verdade.

Riven não se importava nem um pouco se eu era ou não a culpada.

Tudo o que importava para ele era o envenenamento de Helen. E meu sangue era a cura dela, mesmo que isso custasse a minha vida.

Eu parei de resistir.

Deixei que enfiassem a agulha em meu braço e retirassem tudo o que precisavam.

Assim como havia acontecido três anos atrás.

Todos aqueles sacrifícios silenciosos agora pareciam facas cravadas em mim. Eu estava entorpecida demais para sentir toda a dor.

Eu apenas ficava cada vez mais fria...

Até que o mundo mergulhou na escuridão.

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