LOGINPor alguns segundos, simplesmente fiquei encarando aqueles homens.Meu cérebro parecia incapaz de processar o que estava acontecendo.O desconhecido não estava falando com um animal. O modo como olhava para Grey, a forma como pronunciou aquele nome... tudo indicava que estava se dirigindo a alguém escondido atrás daquele lobo.Grey respondeu com um rosnado tão grave que senti a vibração atravessar o chão da sala.O homem apenas riu.— Brincando de animal de estimação? Que decadência para um Alfa.Meu olhar saltou para Grey.Depois para o invasor.Depois voltou para Grey.— Quem são vocês? Do que estão falando? — exigi.O homem sequer se dignou a olhar para mim.— Calada, Ômega. A brincadeira acabou. Nenhum dos dois vai sair vivo daqui.Meu estômago afundou.Antes que eu pudesse responder, algo impossível aconteceu.As unhas dele cresceram diante dos meus olhos, transformando-se em garras afiadas. Seus caninos também pareciam longos demais para serem humanos.Por um instante, fiquei co
Meu coração quase saiu pela boca.Por um instante, imaginei todos os cenários possíveis. Ataques, gritos, ambulâncias, processos judiciais... Eu já estava me condenando por ter sido a pessoa mais irresponsável do planeta.Então voltei à realidade.O lobo não estava atacando a Sra. Woods.Ele estava pedindo carinho.Fiquei parada, piscando, enquanto aquele gigante esfregava a cabeça na mão da senhorinha e recebia afagos como um cachorro carente.— Ora, se eu soubesse que era essa gracinha, teria tirado a focinheira desde o começo! — ela disse, rindo.Observei a cena sem acreditar. Com a língua para fora e os olhos semicerrados de satisfação, ele parecia tudo, menos um lobo selvagem.— Você tem certeza de que é um lobo? — murmurei.— E como se chama esse bebezão? — perguntou a Sra. Woods.Travei.Eu não tinha pensado nisso.— Ah... o nome dele é... — tentei me apegar à característica mais básica. — Grey!Assim que falei, as orelhas do lobo se ergueram. Ele virou a cabeça na minha direçã
Estou cercada.Vários lobos claramente hostis me rodeiam como se eu fosse o prato principal. Mas, um deles, maior que todos os outros, se sobressai. Enquanto os outros lobos mostravam suas presas e rosnavam, este não demonstrava nenhuma raiva. Era enorme, de pelagem cinzenta como cinzas sobre a neve, e tinha olhos azul-acinzentados que brilhavam como prata. Seu olhar carregava algo muito pior do que apenas hostilidade primitiva: um desdém frio que congela os meus ossos.A sensação era tão terrível que boa parte de mim considerava melhor ser destroçada viva por todos aqueles lobos raivosos do que encarar aqueles olhos cinzentos.Ele se aproxima, os outros nem ousam respirar errado. Era nítido quem mandava ali. E então ele rosna baixo, como se quisesse que apenas eu notasse.“Eu rejeito você.”. A voz ressoa na minha mente, como uma maldição. Uma voz tão familiar e desconhecida ao mesmo tempo.Ele avança sobre mim e… Eu acordo. O coração a mil.Um pesadelo. Apenas isso.Raios de sol já
[8 anos depois - Cidade]Meu plantão acabou.Bato meu ponto e organizo rapidamente minhas coisas, ansiando sair o mais rápido possível. Me despeço às pressas do pessoal da clínica e corro até a parada de ônibus, mesmo que meu corpo inteiro pareça pesar uma tonelada de cansaço.Consigo ouvir o motor do ônibus chegando a alguns quarteirões. Não chegarei a tempo.Paro de correr, aceitando minha derrota.— Droga! Esse era o último! — esbravejo, ofegante. Enquanto sigo para casa andando, minha mente começa a processar pensamentos negativos, os quais espanto para longe. Eu não tenho o direito de me estressar por ter perdido um ônibus, devo ser grata por ter chegado até aqui. Grata por ter para onde voltar. Eu não era ninguém há oito anos atrás. Apenas uma garota que perdeu as memórias após sofrer um atropelamento. Tudo que me restou foi o nome: Roselyn. Apenas isso, não consigo sequer lembrar o sobrenome, nem sei se havia um. Ninguém me procurou após isso, minha família me abandonou, e,
Um suspiro escapou dos meus lábios, chamando a atenção de Kalevi. Até então, o Alfa sequer havia notado a minha presença ali. Mas quando seus olhos cinzentos finalmente pousam em mim, algo o atravessa também, o mesmo impacto que senti. Ele, porém, disfarça com maestria. Fico confusa e tento compreender: como a Deusa da Lua poderia unir uma ômega sem lobo a um Alfa tão poderoso? Seria eu digna? Ainda assim, estar tão próxima dele me provoca uma alegria tão intensa que quase dói. Sem perceber, abri um sorriso e murmurei:— Você também está sentindo?O antigo Alfa Tiberius observa, com uma expressão severa. Claire me lança um olhar de puro desdém, e murmúrios começam a se espalhar pela plateia. Kalevi não sorri. Seu cenho se fecha e sua voz fria corta o ar: — Quem é você? A qual família Beta pertence? Estremeço, tentando não gaguejar.— Eu… meu nome é Roselyn, senhor. Não sou Beta… sou Ômega, da família Silver. Claire se adianta, indignada.— O que está acontecendo aqui, Kal?Quase n
Os membros da matilha correm de um lado para o outro enquanto fazem os preparativos da grande festa. Apesar da ocasião de festividade, o clima entre os Ômegas é de agitação e preocupação para que tudo fique devidamente no lugar, ninguém quer lidar com as penalidades do Alfa Tiberius caso alguma coisa dê errado na coroação do seu filho herdeiro. Porém, mesmo com a tensão, todos estão animados, não é todo dia que acontecem grandes festas onde a população Ômega possa participar, não apenas como mão de obra, mas como convidados, a aposentadoria do Alfa Tiberius promete uma comemoração grandiosa, e a ascensão do Alfa Kalevi, o seu primogênito, como novo líder da matilha Lua Nascente, deixa todos esperançosos com uma nova gestão. — Roselyn! Pode levar essas toalhas de mesa para o salão? — a voz da minha mãe soa apressada e mal consigo vê-la antes dela me entregar as toalhas e correr de volta entre a multidão.No caminho para o salão principal, vejo uma senhora carregando alguns arranjos de







