LOGIN— Finalmente minha filha voltou para terminar o que eu comecei.A voz ecoou pelas profundezas.Elara ficou imóvel.A inscrição diante dela continuava brilhando.“Eu, Aurora, aceitei o primeiro pacto.”“E eu fui a responsável por escondê-lo de todos.”As palavras pareciam ter sido gravadas dentro de sua própria memória.Kael segurou a mão dela.— Elara, olhe para mim.Ela obedeceu.— Você está aqui.— Eu sei.— E aquilo é uma memória. Não é uma ordem.Elara respirou fundo.A voz de Aurora ainda ecoava em sua cabeça.“Terminar o que comecei.”Ela apertou os dedos de Kael.— Minha mãe escondeu alguma coisa.Darian desceu os primeiros degraus.— Sim.— Mas isso não significa que ela tenha criado o pacto.— Não.A resposta veio firme.Elara olhou para ele.— Então precisamos descobrir o que aquela frase significa.Darian assentiu.— E precisamos fazer isso antes que a memória se feche.Aldren olhou para a escadaria.— Ela está se fechando.As paredes começaram a se mover.Pedras antigas de
A escuridão caiu sobre a Sexta Torre.Não foi uma simples ausência de luz.Foi como se a própria memória de Arkan tivesse prendido a respiração.Elara sentiu Kael apertar sua mão.Do outro lado da porta fechada, passos se aproximavam.Lentos.Precisos.Sem pressa.Quem quer que estivesse chegando sabia que eles não tinham para onde fugir.Lyra permaneceu diante da porta.Não demonstrava medo.Ao contrário.Havia uma tranquilidade estranha em seu rosto.Como alguém que esperou anos por aquele momento.Kael finalmente conseguiu falar.— Lyra.Ela olhou para ele.— Você realmente não se lembra de mim.Kael franziu a testa.— Eu era criança.— Você tinha quatro anos.Elara olhou para os dois.— Então você o conheceu.— Conheci.Lyra aproximou-se.Kael permaneceu imóvel.— Você costumava me chamar de Lya.Ele respirou fundo.Uma imagem atravessou sua mente.Uma menina mais velha correndo por um jardim.Ele era pequeno e tentava acompanhá-la.Ela se virou, estendeu a mão e gritou:— Vamos,
— A mulher que vocês chamam de rainha do Norte.As palavras de Darian permaneceram suspensas no ar.Elara encarou Kael.Ele não parecia apenas surpreso.Parecia atingido por uma verdade que não conseguia aceitar.— Minha mãe? — perguntou ele, por fim.Darian não respondeu imediatamente.Kael apertou a mandíbula.— Você está falando da minha mãe?— Não.A resposta veio baixa.— Então quem?Darian olhou para Elara.— A rainha do Norte não é sua mãe.Kael franziu a testa.— Então quem é?A Sexta Torre tremeu novamente.Uma rachadura atravessou uma das colunas.Elara segurou o braço de Kael.— Precisamos sair daqui.— Ainda não.Darian apontou para o centro da sala.— Se sairmos antes de terminar a memória, o Conselho poderá apagar o restante.Kael olhou para ele.— E se ficarmos, essa torre pode desabar sobre nós.— Então teremos pouco tempo.Elara respirou fundo.— Mostre.Darian a encarou.— Tem certeza?— Não.Ela olhou para Kael.— Mas já aprendi que fugir das respostas não faz elas
Elara não conseguiu se mover.Caedran estava diante dela.Ou, pelo menos, aquilo tinha a aparência dele.Os mesmos olhos cinzentos.O mesmo rosto que aparecera nas memórias de Aurora.O mesmo anel de prata escura.Mas havia algo errado.Darian tinha acabado de dizer que Caedran havia morrido.Valerian também acreditava que ele estava morto.Então por que aquele homem estava ali?Kael percebeu a tensão no corpo de Elara e imediatamente se colocou ao lado dela.— Não chegue perto.A figura sorriu.— Ainda protegendo-a, Draven?Kael ergueu a espada.— Quem é você?— Você já sabe.— Não.Kael manteve a lâmina apontada.— Sei quem você parece ser.A figura inclinou a cabeça.— Inteligente.Elara observava atentamente.Não havia energia vital naquela presença.Não havia cheiro.Não havia calor.Era uma imagem.Mas não uma simples memória.Ela conseguia sentir a consciência daquela figura.— Você não é Caedran.O sorriso desapareceu.— Por que diz isso?— Porque Darian disse que você morreu.
A última corrente de luz se partiu.O som atravessou a câmara como um trovão.Darian ergueu-se lentamente.Durante séculos, seu corpo permanecera preso ao círculo do primeiro pacto. A luz que o envolvia se desfazia em pequenos fragmentos, revelando um homem muito mais velho do que qualquer memória poderia representar.Mas seus olhos estavam vivos.Lúcidos.E quando encarou Elara, havia reconhecimento.— Você se parece com ela.Elara sentiu o coração apertar.— Com Aurora?Darian assentiu.— Principalmente quando tenta esconder que está com medo.Ela quase sorriu.— Eu não estou com medo.— Está.Kael se aproximou.— Ela não está sozinha.Darian voltou o olhar para ele.Por alguns segundos, observou Kael em silêncio.Então sorriu.— Um Draven.Kael ficou sério.— Kael Draven.— Eu sei.— Como?— O sangue reconhece o sangue.Kael não gostou da resposta.— Você conhece minha linhagem.— Conheço a origem dela.Elara interveio:— Você disse que sabe quem colocou a marca da Lua Negra em Ery
A voz de Althaea desapareceu.Mas ninguém se moveu.Elara continuava olhando para a passagem aberta sob a Árvore da Origem.“E NÃO CONFIE EM QUEM DIZ QUE DAR VÁRIOS SACRIFÍCIOS É A ÚNICA FORMA DE SALVAR O MUNDO.”A frase parecia simples.Mas escondia algo muito maior.Durante séculos, todos haviam acreditado que o primeiro pacto exigia sacrifícios.Os Guardiões haviam sido escolhidos.As linhagens haviam aceitado suas funções.Eryon havia separado parte da própria essência para criar Kaelus.Darian havia permanecido preso à Porta Primordial.E os descendentes dos antigos Guardiões haviam continuado carregando marcas, obrigações e medos que sequer compreendiam.Mas e se tudo tivesse começado com uma mentira?Kael foi o primeiro a quebrar o silêncio.— Precisamos entrar.Aldren olhou para ele.— Você ouviu o que Althaea disse.— Ouvi.— Ela não disse que seria seguro.— Nunca esperei que fosse.Elara se aproximou da passagem.— Ela também disse que Aldren é o único que pode decidir se o







