LOGINCinco anos depois— Papai! Você prometeu que não ia olhar!Kael Draven estava parado diante da porta da biblioteca, com as mãos cobrindo os olhos.— Não estou olhando, princesa.— Está sim! Eu vi seus dedos se mexendo!Ele soltou uma gargalhada.— Então vou fechá-los melhor.Pequenos passos correram pelo corredor.Lyanna Arkan Draven apareceu carregando uma coroa de flores brancas, que havia preparado com a ajuda de Lyris.Os cabelos escuros caíam sobre os ombros, e os olhos azulados brilhavam com a mesma determinação que Kael conhecia tão bem em sua esposa.— Agora pode olhar!Kael afastou as mãos do rosto.A menina colocou a coroa sobre a cabeça e abriu os braços.— Estou bonita?Ele se ajoelhou diante dela.— É a menina mais bonita de todo o Norte.Lyanna sorriu, satisfeita.— Igual à mamãe?Kael beijou sua testa.— Exatamente igual à mamãe.— Então preciso mostrar para ela!Antes que ele pudesse responder, a menina saiu correndo.Kael observou a filha desaparecer pelo corredor e s
A primeira contração veio pouco depois da meia-noite.Elara estava deitada ao lado de Kael quando sentiu uma pressão diferente na parte inferior do ventre.Abriu os olhos e permaneceu imóvel, esperando.Alguns minutos depois, a sensação voltou.Ela se sentou lentamente.— Kael?O marido despertou imediatamente.— O que aconteceu?— Acho que nossa filha está querendo nascer.Ele ficou imóvel por um segundo.Depois se levantou tão depressa que quase derrubou a cadeira.— Agora?Elara não conseguiu conter o riso.— Não, Kael. Na próxima primavera.Ele olhou para ela, assustado.— Elara!— Estou brincando. Mas precisamos chamar a médica.Kael já estava procurando as roupas.— Vou buscá-la.— Meu amor, primeiro vista a camisa.Ele olhou para o próprio peito.Elara começou a rir novamente.Mesmo sentindo outra contração, não conseguiu deixar de achar adorável a expressão desesperada do homem que comandava todo o Norte.A equipe médica chegou pouco depois.A doutora Cecília Arven examinou El
Seis meses haviam se passado desde o casamento de Kael e Elara.A primavera dera lugar aos dias quentes do verão, e a residência Draven estava diferente. Havia brinquedos de madeira sobre uma mesa, pequenas roupas organizadas em gavetas e um berço cuidadosamente preparado junto à janela.Elara estava no sétimo mês de gestação.A barriga arredondada já não permitia esconder a nova vida que crescia dentro dela.Naquela manhã, Kael a encontrou no jardim, sentada sob uma árvore, examinando uma pequena peça de roupa.— Está trabalhando? — perguntou ele.Elara ergueu os olhos.— Estou decidindo se nossa filha precisa de mais mantas.Kael sorriu imediatamente.— Nossa filha.Ela riu.— Você ainda fica emocionado quando digo isso.Ele se ajoelhou diante dela e beijou sua barriga.— Porque ainda não consigo acreditar que teremos uma menina.Elara acariciou seus cabelos.— Uma menina que parece gostar de acordar a mãe durante a madrugada.Como se tivesse compreendido, a bebê se movimentou.Kael
O som de madeira sendo cortada ecoava pela oficina quando Elara encontrou Kael trabalhando no berço.Ele estava concentrado em uma das laterais, entalhando pequenas estrelas ao redor de uma lua crescente.Elara permaneceu alguns segundos à porta.— Você começou antes do café?Kael ergueu os olhos.— Não consegui dormir muito.Ela se aproximou.— Outra noite pensando no bebê?Ele sorriu, mas havia cansaço em sua expressão.— Quero terminar o berço antes de você começar a reclamar que estou demorando.Elara examinou a madeira.— Está ficando lindo.Kael passou os dedos sobre uma pequena imperfeição.— Ainda não está bom.— Kael, é um berço, não uma obra destinada ao salão do Conselho.Ele soltou uma risada discreta.— Quero que seja perfeito.Elara segurou sua mão.— Nosso filho não vai precisar de um berço perfeito.Kael olhou para ela.— Eu sei.Mas Elara percebeu que havia alguma coisa além da preocupação com a madeira.Naquela tarde, Tomás encontrou Kael no antigo escritório de Augu
Elara estava diante do espelho quando Kael entrou no quarto carregando uma bandeja.Havia frutas, torradas, chá e um pequeno vaso de flores brancas.Ela ergueu uma sobrancelha.— Meu marido decidiu me servir café na cama todos os dias?Kael colocou a bandeja sobre a mesa.— Estou considerando essa possibilidade.— Kael, estou grávida, não doente.Ele se aproximou e beijou sua testa.— Eu sei. Mas gosto de cuidar de você.Elara sorriu.— Então comece me acompanhando ao jardim depois do café. Estou com saudade de caminhar entre as flores.— Combinado.Ela segurou sua mão antes que ele se afastasse.— E nada de transformar cada movimento meu em motivo de preocupação.Kael suspirou.— Vou me esforçar.— Muito bem, Supremo.Ele riu e a beijou.Naquela manhã, Aldren e Lyris chegaram à residência.Elara havia pedido que viessem para um almoço em família, sem explicar o motivo.Lyris entrou na sala com um sorriso curioso.— Você voltou da lua de mel e imediatamente nos convidou para uma reuni
Elara acordou com uma sensação estranha no estômago.Permaneceu imóvel por alguns segundos, esperando que o desconforto desaparecesse. Ao seu lado, Kael dormia profundamente, com um braço sobre sua cintura.Ela afastou o braço dele com cuidado e levantou-se.Mal chegou ao banheiro, sentiu uma onda de náusea.Apoiou as mãos na pia e respirou devagar.Quando o mal-estar passou, olhou para o próprio reflexo.Não era a única coisa diferente.Nos últimos dias, sentira mais sono que o habitual, perdera o interesse por alguns alimentos e percebera uma sensibilidade incomum aos cheiros.Havia uma possibilidade que ainda não tivera coragem de considerar seriamente.Elara levou a mão ao ventre.— Será? — murmurou.Kael despertou pouco depois e encontrou a cama vazia.Vestiu uma camisa e saiu à procura da esposa.Ela estava na varanda, observando o mar.— Bom dia, meu amor.Elara virou-se rapidamente.— Bom dia.Ele se aproximou e beijou seu rosto.— Está pálida.— Acho que alguma coisa do janta







