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O Amor Que Ele Me Deu Durava Só Meia Hora
O Amor Que Ele Me Deu Durava Só Meia Hora
Author: Nuvemzinha

Capítulo 1

Author: Nuvemzinha
Às 19h03, Rafael abriu a porta do escritório e olhou para mim.

— Hoje não vai me dizer nada?

Eu estava sentada à mesa. Hoje era nosso terceiro aniversário de casamento.

Eu tinha reservado uma mesa em um restaurante com um mês de antecedência, mas ele cancelou tudo nesta tarde porque uma reunião se estendeu.

Então pensei que ficar em casa também seria bom. Ele não gostava de perder tempo no trânsito.

Então fiz uma sopa, cozinhei ovos no vapor e ainda comprei um bolinho.

Ele olhou para o celular. Eram 19h03.

Em seguida, ele me avisou:

— Restam 27 minutos.

Olhei para ele e, de repente, não soube por onde começar.

Deveria contar que, na noite anterior, bati à porta dele com dor no estômago e ouvi que meu tempo tinha acabado?

Ou dizer que acordei de madrugada e o vi revisando a proposta de Camila com toda a delicadeza?

Fiquei calada por tanto tempo que Rafael franziu a testa.

Rafael sempre odiou perder o controle.

Para ele, projetos, reuniões e até o casamento deviam caber em horários fixos.

— Marina, não use o silêncio para conseguir mais tempo.

Pousei os talheres.

— E se eu nunca mais ocupar seu tempo?

Só então ele ergueu os olhos para mim.

Seu olhar era indiferente, como se estivesse diante de um lembrete com defeito.

— Isso quer dizer que finalmente amadureceu.

Encostei o dedo na borda quente da tigela e estremeci de dor.

Rafael percebeu.

Ele puxou um guardanapo e o estendeu para mim.

— Lave com água. Não molhe a mesa.

Não peguei.

Nesse instante, o celular dele tocou.

Era uma videochamada de Camila.

Rafael atendeu depressa.

Na tela, ela estava com os olhos vermelhos e vários documentos espalhados sobre a mesa.

— Sr. Rafael, desculpe. Entendi errado o pedido do cliente outra vez. Sou muito burra, né?

A frieza no rosto de Rafael desapareceu naquele instante.

— Mande o endereço. Estou indo.

Falei baixinho: — Minha meia hora ainda não acabou.

Ele interrompeu por um instante o movimento de pegar o casaco.

— O caso da Camila é trabalho.

Olhei para o casaco nas mãos dele, com a garganta apertada.

— E eu?

Ele se virou. Seu tom chegava a ser gentil.

— Você é minha esposa.

— Uma esposa não deve disputar meu tempo com o trabalho.

Sorri de leve.

Então ser esposa não significava ter prioridade.

Significava ter que ser a mais compreensiva.

Quando chegou à entrada, Rafael voltou de repente e pegou o bolo sobre a mesa.

Por reflexo, segurei a caixa.

— Esse bolo é nosso.

Ele baixou os olhos para a minha mão. Falou com suavidade, mas num tom que não aceitava recusa:

— Ela trabalhou até agora sem comer e está com hipoglicemia. Marina, pode comprar outro bolo. O projeto não pode esperar.

Quando ele chegou à porta, não consegui me conter.

— Rafael, hoje é nosso aniversário de casamento.

Com a mão na maçaneta, ele olhou para mim.

— Por isso perguntei por você às sete.

Fiquei sem reação.

Ele parecia não ver nenhum problema naquilo.

— Marina, eu não esqueci. Eu já te dei tempo.

Quando a porta se fechou, comecei a rir.

Para ele, nosso aniversário não era uma data para passar comigo.

Servia apenas para provar que ele não me tratava mal.

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