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Capítulo 4: Resgate

Author: Vivian
last update publish date: 2026-08-31 14:16:29

NIKLAUS

Desde o momento em que entrei na casa da alcateia, eu não era mais o mesmo. Eu estava sentindo um cheiro, e sabia exatamente o que era. O cheiro de uma companheira destinada. Era algo que eu não esperava e pelo qual nem sequer ansiava. Eu era um Alfa muito ocupado e acreditava que uma companheira destinada seria apenas uma distração para minha vida meticulosamente planejada. Tentei ignorar aquele cheiro, mesmo que ele estivesse me deixando louco. A atração do vínculo de companheiros destinados era mais forte para os Alfas.

Mas então o cheiro começou a se aproximar, até que eu a vi. Não era muito alta, tinha a pele escura e cabelos cacheados e volumosos, um retrato de beleza e elegância, mas estava tomada pelo nervosismo, parecendo completamente insegura ao entrar. Eu não podia mais ignorá-la e não tive outra escolha senão convidá-la para dançar.

Agora, vendo a forma como Alfa Ronald a tratava, meu sangue fervia. Eu não sabia qual era a relação entre eles, mas pretendia descobrir.

Alfa Ronald a tinha levado embora há alguns instantes, mas eu ainda conseguia sentir o cheiro dela.

Decidi enviar um mindlink para Mario, um dos guerreiros que vieram comigo.

'Encontre Alfa Ronald e me informe cada movimento dele.'

'Sim, Alfa.' A resposta veio imediatamente. Mario era excelente em espionar as pessoas sem ser percebido, e era exatamente por isso que eu gostava de levá-lo para qualquer lugar.

Não demorou muito para que ele me enviasse uma resposta.

'O Alfa está descendo a grande escadaria da casa da alcateia. Ele parece furioso.'

'Ele está sozinho?'

'Sim.'

Perguntei-me se aquele era o momento certo para ir procurar minha companheira destinada. Ainda era de dia, e tudo estava movimentado. A casa da alcateia fervilhava de ômegas trabalhando, tanto dentro quanto do lado de fora.

Mas, se eu esperasse até a noite, talvez não tivesse outra chance de salvá-la.

'Continue seguindo o Alpha e me avise quando ele entrar em algum cômodo.'

'Sim, Alfa.'

Peguei uma taça de vinho de um garçom e a esvaziei de um só gole antes de devolvê-la.

Então deixei o salão de baile.

Seguindo o cheiro, entrei no edifício principal da casa da alcateia. Como eu havia recebido um quarto ali, consegui entrar sem despertar suspeitas.

Subi as escadas, passando pelo andar onde ficava o quarto que me haviam designado. Isso poderia levantar algumas perguntas, mas, naquele momento, eu não me importava.

Quando cheguei ao último andar, o cheiro dela estava muito forte. Eu conseguia identificar exatamente em qual quarto ela estava e fui direto até lá. Felizmente, o andar estava quase vazio, pois todos estavam ocupados com o baile.

O único problema que eu tinha naquele momento era o guarda parado diante do quarto onde ela estava. Eu poderia derrotá-lo facilmente, mas isso chamaria atenção. Sem outra alternativa, simplesmente caminhei até ele. Era o mesmo idiota que eu tinha visto arrastando minha companheira destinada para fora do salão.

Ele ficou surpreso ao me ver ali e parecia não saber como agir.

— Afaste-se, e não teremos problemas. — falei calmamente, percebendo como ele olhava ao redor de forma nervosa.

— Mas o meu Alfa...

— Não está aqui agora. — interrompi.

Percebi que seu olhar perdeu o foco, e soube que ele estava prestes a enviar um mindlink. Naquele instante, agarrei seu pescoço e o derrubei com um golpe certeiro. Ele desabou inconsciente no chão.

Tentei abrir a porta, mas estava trancada. Revirei o corpo dele à procura de uma chave, mas não encontrei nada. A chave provavelmente estava com Alfa Ronald.

— Merda!

Encostei o ouvido na porta, tentando ouvir algum som. Era fácil perceber que o quarto era à prova de som, mas, com minha audição de Alpha, consegui escutar alguma coisa.

Gemidos baixos, choros abafados. Eu conseguia sentir o cheiro dela intensamente, e ela precisava de ajuda. A única opção era arrombar aquela porta. Eu não tinha certeza de que teria tempo para procurar alguma ferramenta, então recorri ao meu próprio corpo.

'Mario, encontre uma maneira de distrair todos para fora da casa da alcateia.'

'Sim, Alfa.'

Pouco tempo depois, um incêndio começou em um dos cômodos do andar de baixo, seguido pelo estridente alarme de incêndio. As ômegas e os anciãos que ainda estavam na casa começaram a correr para fora.

Era a minha chance.

Reunindo toda a minha força, arremessei meu corpo contra a porta.

A porta era de altíssima qualidade, grossa e resistente, então não seria fácil. Repeti o movimento várias vezes, ignorando a dor que aquilo me causava. Rachaduras começaram a surgir na madeira, dando-me ainda mais motivação.

Finalmente, consegui derrubá-la.

Não perdi um segundo e entrei no quarto.

— Valerie! — gritei, e ouvi um barulho apressado vindo da porta que dava para outro cômodo. Devia ser o banheiro.

— Alfa Niklaus?

Droga! Ela estava trancada lá dentro. A raiva ferveu dentro de mim. Foi um enorme esforço não sair imediatamente para encontrar Alfa Ronald e fazê-lo se arrepender de tratá-la daquela forma.

— Aguente firme.

Olhei ao redor do quarto e peguei uma cadeira de madeira usada para leitura antes de voltar para a porta do banheiro.

— Afaste-se da porta, Valerie.

Só quando ouvi seus passos se afastando comecei a golpear a porta. Não demorou muito para que ela cedesse, quebrando também a cadeira no processo.

Entrei rapidamente no banheiro.

Nem esperei que ela dissesse qualquer coisa. Apenas a peguei nos braços, e ela imediatamente envolveu meu pescoço com os braços, segurando-se firmemente em mim.

— Alfa Ronald... Ele pode me ver. — disse Valerie, com a voz trêmula de medo.

— Que veja. — respondi entre os dentes.

E, exatamente como ela temia, encontramos Alfa Ronald no meio da escadaria. Mesmo assim, não a coloquei no chão.

— Coloque-a no chão. Ela é uma Ômega desta alcateia. — exigiu Alfa Ronald, o rosto transbordando de raiva.

— Ela era.

— Eu ainda consigo sentir o vínculo da alcateia com ela. Coloque-a no chão.

Então coloquei Valerie no chão à minha frente, mas mantive minhas mãos em volta de sua cintura.

— Renuncie à alcateia dele, querida.

— Nem pense em fazer essa merda! — ele a ameaçou, e, pela forma como ela estremeceu de repente, imaginei que tivesse dito mais alguma coisa através do mindlink.

— Renuncie a ele. — incentivei, acariciando suas costas para lhe dar coragem.

— Eu, Valerie Ava Montrell...

— Não ouse, Ômega! Você vai se arrepender. — Ronald rosnou.

— ...rejeito você, Alfa Ronald Ewan...

— Valerie, não! — Ele parecia desesperado, e me perguntei por que insistia tanto em mantê-la. Ele mesmo havia dito que ela era apenas uma Ômega, então por que estava tão determinado a não deixá-la ir?

— ...como meu Alfa e rejeito a alcateia Blood Moon como minha alcateia!

Alfa Ronald levou uma das mãos ao peito e gemeu de dor. Ele quase caiu de joelhos, mas conseguiu se apoiar no corrimão da escada. Aquilo parecia dramático demais para ser apenas a ruptura de um vínculo com a alcateia.

Peguei Valerie novamente nos braços e a levei para fora.

Mas, no instante em que saímos, fomos cercados pelo Beta e pelo Gamma daquela alcateia, juntamente com os Alfas, Betas e anciãos das outras alcateias.

Todos olhavam para mim. Alguns demonstravam surpresa, outros raiva, enquanto alguns pareciam estar ali apenas pelo espetáculo.

— Você acabou de quebrar um dos protocolos das alcateias, Alfa Niklaus. — disse Alfa Dawson, um dos Alfas mais velhos.

— Ele invadiu meu quarto e está tentando fugir com um membro da minha alcateia. — falou Alfa Ronald atrás de mim. Virei-me para olhá-lo. Ele ainda segurava o peito e tinha dificuldade para falar.

— Coloque a garota no chão, Alfa Niklaus. — ordenou Alpha Dawson.

Apertei Valerie ainda mais contra mim enquanto deixava meu olhar percorrer todos eles.

— Não.

— Você não desafia um Alfa dentro da própria alcateia dele.

Observei cada um deles novamente, percebendo que estavam determinados a impedir que eu saísse dali com ela.

Então coloquei Valerie no chão. Ela se virou para mim, e um lampejo de mágoa passou por seus olhos.

— Valerie não é mais membro desta alcateia... — declarei, antes de segurar delicadamente seu rosto entre as mãos. — E eu não vou sair daqui sem ela, porque ela é minha companheira destinada.

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