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Capítulo 3: Entre dois Alfas

Author: Vivian
last update publish date: 2026-08-31 14:05:48

VALERIE

Ignorei todas as ameaças e advertências que Alfa Ronald me fazia enquanto seguia o estranho até a pista de dança.

— Quem é você? — perguntei no momento em que ele envolveu minha cintura com os braços e me puxou para perto. Eu já conseguia sentir as faíscas do vínculo de companheiros destinados no instante em que o toquei, mas agora parecia que eu ia explodir por causa delas.

— Meu nome é Niklaus Blackthorn, CEO da Blackthorn Automobiles e Alfa dos Lobos Crescentes.

Alfa? Meu coração bateu com força. Por que eu era companheira destinada de dois Alfas?

— Eu sou uma Ômega. — Eu sabia que ele já perceberia isso pelo meu cheiro, mas queria dizer com minhas próprias palavras. A maioria dos Alphas não queria ter nada a ver com Ômegas, e alguns até se sentiam insultados por serem destinados a uma delas, assim como Alfa Ronald.

Pelo canto dos olhos, notei que quase todos estavam nos observando. Eu sabia que era principalmente por causa de Alfa Niklaus e de sua presença imponente.

— E o que uma Ômega está fazendo aqui? — Ele me girou, e acabei com as costas encostadas em seu peito, sua mão ainda em volta da minha cintura enquanto balançávamos ao ritmo da música. Deusa! O cheiro dele era inebriante, e eu começava a me sentir tonta.

— Eu senti o seu cheiro. — Girei novamente até ficar de frente para ele. Eu o encarava, esperando que reconhecesse o fato de sermos companheiros destinados, enquanto meu coração batia descompassado diante do medo de sua rejeição.

Giramos mais uma vez, mas, em vez de terminar novamente em seus braços, outra pessoa me puxou, e de repente eu estava dançando com Alpha Ronald.

'Você me desobedeceu.'

'Ele me chamou para dançar com ele.'

Ele franziu a testa.

'E eu ordenei que você não fosse. Olhe como as mãos dele estavam em cima de você. Daqui a pouco ele vai estar transando com você.'

Fiz o possível para esconder meu nojo. Eu sempre soube que ele era doente da cabeça.

Ele me girou, suas mãos apertando minha cintura com tanta força que quase deixavam hematomas. Sobressaltei-me quando senti sua ereção pressionando minhas nádegas.

'Vou lhe dar uma lição.'

Mais um giro, e me vi novamente nos braços de Alfa Niklaus.

— Você não parece bem. Há algum problema?

— Tire-me daqui, por favor. — implorei, agora com as mãos em volta do pescoço dele, agarrando-me a ele desesperadamente.

— Ele está machucando você? — perguntou em um sussurro.

Ninguém jamais havia me perguntado isso antes, e eu nunca tinha ousado dizer em voz alta. Eu sabia que ninguém me salvaria. O Alpha era o homem mais poderoso desta alcateia, e ninguém iria desafiá-lo. Mas aquele homem... percebi que até mesmo Alfa Ronald parecia respeitá-lo. Ele podia me salvar. Então assenti.

— Assim que eu voltar para aquele quarto, vou ser trancada de novo.

A música terminou naquele instante e, como os outros homens, Alfa Niklaus fez uma reverência para mim, fazendo meu rosto corar.

Ele pegou minha mão e começou a me conduzir para fora do salão, quando Alfa Ronald bloqueou nosso caminho.

Ele sorriu para Alfa Niklaus, mas era óbvio que aquele sorriso era forçado.

— Parece que você se afeiçoou à Ômega.

— Ela é bastante interessante, se quer saber. É realmente encantadora.

— Acredito que sim. Mas quero um momento com ela. Agora.

Alfa Niklaus sorriu.

— Ah, mas eu ainda estou tendo o meu momento com ela.

— Apenas um momento. — pediu, mas eu sabia que ele estava fervendo de raiva por dentro.

Alfa Niklaus voltou-se para mim.

— Depende dela. Você quer ir com ele, querida?

'É melhor trazer essa bunda para cá e parar de brincar com ele antes que ele coma você.' Alfa Ronald gritou na minha mente, e estremeci com a intensidade de sua voz.

— Alfa... — chamei, com a voz trêmula. — Eu quero ir com Alfa Niklaus.

— VOCÊ NÃO TEM PORRA NENHUMA DE DIREITO... — começou a gritar em sua fúria, mas, quando percebeu que estava chamando atenção, se controlou. — Você não tem porra nenhuma de direito de decidir qualquer coisa ou ir a lugar nenhum quando eu digo o contrário. Agora solte a mão dele e vá para o seu quarto.

Por causa do medo ao qual eu já estava acostumada, soltei a mão de Alfa Niklaus e me preparei para sair, mas ele segurou minha mão novamente e me puxou para perto de si.

— Você gosta desta Ômega, Alfa? — perguntou Alfa Niklaus.

— Claro que não! Ela é apenas uma Ômega.

— Então por que está sendo tão insistente?

Alfa Ronald cerrou a mandíbula.

— Ela tem trabalho a fazer.

— Então por que ela tem um quarto na casa da alcateia? Você acabou de mandar que ela fosse para o quarto dela.

— Você está minando minha autoridade na minha própria alcateia, Alfa Niklaus. Está indo contra o protocolo que nos une a todos. — disse Alfa Ronald em voz alta o suficiente para que todos ouvissem.

Os outros Alfas, Lunas, Betas e todos os presentes voltaram sua atenção para nós, e Alfa Niklaus não teve escolha a não ser me soltar. Senti imediatamente o frio de sua ausência.

Alfa Ronald segurou minha mão e me arrastou para fora do salão. Pensei que ele mandaria os guardas me escoltar e me trancar, mas, em vez disso, ele mesmo me arrastou até o seu quarto.

Meu coração estava pesado, apertado pela dor. Era uma oportunidade que eu não tinha tido em três anos, e ela simplesmente escapou por entre meus dedos. Assim, daquele jeito.

Agora estávamos sozinhos no quarto, com a porta trancada e sem nenhum lugar para onde eu pudesse fugir. Meu outro companheiro destinado nem sequer estava me procurando. Eu era uma Ômega; por que ele se importaria?

Alfa Ronald caminhou até mim, diminuindo a distância entre nós. Segurou a parte de trás da minha cabeça com força e esmagou seus lábios contra os meus. Ele me beijava de forma tão bruta, tão violenta, que eu não conseguia respirar, mas ele não parava.

Comecei a bater nele.

— Por favor, Alfa... por favor.

— Parece que você se esqueceu de quem é o seu dono.

Solucei, tentando me livrar de seu aperto, mas ele era forte demais para mim.

— Eu não consigo respirar. Por favor, Alfa. — As lágrimas já escorriam pelo meu rosto. Eu me sentia tão impotente.

Por que me foi dado um companheiro destinado assim? Companheiros destinados deveriam amar e proteger um ao outro, mas os meus continuavam despedaçando a minha alma.

Ele segurou um dos meus seios, apertando-o com brutalidade.

— Pare, por favor. — chorei fracamente, sem forças para continuar lutando contra ele.

De repente, ele parou e se afastou, e imaginei que tivesse recebido um mindlink.

— Eu volto para terminar com você.

Então ele me arrastou até o banheiro, empurrou-me para dentro e trancou a porta.

Eu estava sozinha de novo, sem esperança e sem ninguém para me ajudar. Apoiei as costas na porta antes de escorregar lentamente até o chão e esconder o rosto entre as mãos.

Então chorei.

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