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Capítulo 5: Lobos crescentes

Author: Vivian
last update publish date: 2026-08-31 14:22:19

VALERIE

Fiquei completamente sem palavras quando ouvi Alfa Niklaus admitir diante dos outros Alfas que eu era sua companheira destinada. Achei que ele sentiria vergonha de ter uma Ômega como companheira. Alfa Ronald tinha vergonha, e nunca contou isso a ninguém. Ele até me advertiu para jamais mencionar isso a qualquer pessoa.

— Você está mentindo, porra! — Alfa Ronald gritou, um rosnado ecoando de seu peito.

Eu sabia que ele não acreditaria em Alfa Niklaus, porque não imaginava que eu pudesse ter dois companheiros destinados. Não era algo inédito, mas era extremamente raro.

— Você pode perguntar a ela. — Alfa Niklaus declarou, fazendo todos os olhares se voltarem para mim com curiosidade. — O que eu quero saber é por que minha companheira estava trancada, não apenas no seu quarto, mas no banheiro? Você estava machucando ela, não estava?

Um murmúrio de espanto percorreu as pessoas ao nosso redor, e a maioria parecia confusa com toda aquela situação.

— Em primeiro lugar, ela não é a porra da sua companheira...

Alfa Ronald ainda não tinha terminado de falar quando eu o interrompi.

— Ele é meu companheiro destinado.

Olhei em seus olhos e vi o choque e a raiva neles. Choque porque eu havia falado diante de tantos Alfas. Normalmente eu nunca faria isso, mas, de alguma forma, eu me sentia segura.

— Você está mentindo, Valerie.

— Se ambos afirmam que são companheiros destinados, então eles são companheiros destinados. — declarou Alfa Dawson, parecendo um pouco confuso com a discussão, e um pequeno sorriso surgiu em meus lábios. Agora o tínhamos contra a parede, a menos que ele estivesse disposto a contar a todos que eu era sua companheira destinada. Eu acreditava que ele não faria isso.

— Valerie... — Alfa Ronald chamou, com uma voz muito suave, uma voz que ele não usava comigo desde os primeiros dias em que descobri que era meu companheiro destinado.

Um carro entrou naquele momento, e Alfa Niklaus não esperou que ele dissesse o que pretendia. Ele me tirou do chão e começou a caminhar em direção ao carro.

— Alfa Niklaus, espere! — Ronald chamou atrás de nós, e Alfa Niklaus parou de andar. — Prove para nós que ela é sua companheira destinada.

— Vocês não vão aceitar nossa palavra?

— Não.

Meu novo companheiro soltou uma risada.

— Como costumam provar um vínculo de companheiros destinados? Um beijo serve?

Imaginei que ele estivesse apenas provocando Ronald, mas meu coração disparou.

Achei que tudo terminaria naquela pergunta, mas ele de repente me colocou no chão, segurou delicadamente meu queixo e seus olhos encontraram os meus. Pela maneira como me olhava, eu sabia que estava pedindo minha permissão.

E eu assenti.

Niklaus diminuiu a distância entre nós e tomou meus lábios em um beijo, e senti minhas pernas enfraquecerem instantaneamente, enquanto o vínculo entre nós intensificava o que deveria ser apenas um beijo simples.

Pelo canto dos olhos, vi Alfa Ronald levar a mão ao peito, e as marcas de infidelidade começaram a surgir em seus pulsos. Eu sabia o quanto aquelas marcas podiam doer. Eu as carregava o tempo todo. Na verdade, esse era o motivo de eu ter concordado em deixar Alfa Niklaus me beijar. Eu queria que ele também sentisse aquela dor.

Na tentativa de esconder as marcas e o sofrimento, Alfa Ronald pediu licença e voltou às pressas para a casa da alcateia, mas antes me lançou um olhar que dizia claramente: isso ainda não acabou.

Foi então que vi alguém pela visão periférica. Tania, minha irmã. Seu rosto estava vermelho de raiva enquanto me encarava, mas ela precisava se conter. Imaginei que odiasse ver que eu finalmente estava livre e, além disso, com outro Alfa. Um Alpha mais rico e mais bonito; alguém que ela provavelmente desejaria para si.

Meu novo companheiro, completamente alheio à situação, conduziu-me até o carro. Abriu a porta traseira para mim e esperou que eu entrasse antes de entrar logo em seguida.

— Tudo certo, Alfa? — perguntou o motorista.

— Sim. Pode seguir.

Permaneci em silêncio durante quase toda a viagem, minha mente revivendo tudo o que havia acontecido naquele dia. Eu finalmente tinha saído. Eu finalmente estava livre. Tania era a única família que eu tinha, mas a Deusa sabia que eu não sentiria falta dela nem um pouco.

Quando cruzamos a fronteira da nossa alcateia, virei-me para ele.

— Obrigada.

Ele olhou para mim como se quisesse dizer alguma coisa, mas acabou se contendo.

— Pode abrir as janelas, por favor? Estou com calor.

Eu estava mentindo. O carro não estava quente; na verdade, o ar-condicionado funcionava perfeitamente. Mas eu queria sentir outro cheiro além do dele. Ele tinha um cheiro tão bom que estava confundindo meus sentidos.

Mesmo assim, ele não reclamou. Apenas pediu ao motorista que baixasse os vidros, e ele obedeceu. Será que ele também estava tentando evitar o meu cheiro?

O restante da viagem foi silencioso e um pouco constrangedor para mim. Ainda assim, era muito melhor do que estar trancada no banheiro de Alfa Ronald esperando que ele voltasse para me punir. Eu observava a paisagem pela janela e nem percebi quando adormeci.

Quando abri os olhos novamente, o carro já havia parado. Virei-me para o Alfa e o encontrei olhando para mim. Meu coração vacilou, dividido entre expectativa e apreensão. Eu tinha escapado de um demônio, mas não sabia se o homem ao meu lado era um anjo ou um demônio ainda mais cruel. Minha vida estava nas mãos dele naquele momento.

— Chegamos. — disse ele.

Assenti.

Ele saiu do carro primeiro, contornou o veículo e veio abrir a porta para mim. Desci, e ele estendeu a mão. Eu a segurei, minhas mãos tremendo levemente. Era muito bom tocá-lo, mas eu sabia que aquilo acontecia apenas por causa do vínculo de companheiros destinados. Houve uma época em que até Alfa Ronald fazia meu coração disparar.

— Vamos entrar.

Engoli em seco, apreensiva com a ideia de conhecer novas pessoas. Será que eles já sabiam que eu era a companheira destinada dele? Será que me odiariam por eu ser uma Ômega?

Alfa Niklaus e eu mal entramos no saguão quando dois homens bloquearam nosso caminho. Ambos eram altos e musculosos e, pela aura que emanavam, percebi que eram lobos de alta patente. Seriam irmãos dele?

Eles fizeram uma reverência ao Alfa, e então o homem de cabelos cacheados mais longos, presos atrás da cabeça, começou a falar.

— Ouvimos dizer que nosso Alfa passou por tanto trabalho para resgatar uma garota que ele afirma ser sua companheira destinada, então viemos conhecer a famosa moça.

— Vocês não têm nada melhor para fazer? — perguntou Alpha Niklaus, e fiquei surpresa ao notar o tom divertido em sua voz.

— Temos, mas achamos que conhecer esta dama é mais importante neste momento. — disse o outro homem antes de se voltar para mim. Ele sorriu. — Oi.

Um leve rubor tomou conta do meu rosto.

— Oi.

O homem de cabelos presos então segurou minha mão delicadamente, fazendo-me sorrir. Ele estava prestes a levá-la aos lábios para beijá-la quando Alfa Niklaus deu um tapa em sua mão. Em seguida, passou um braço pelos meus ombros e me afastou dele.

— Este é Jamie, meu Beta. — apresentou o Alpha.

O Beta fez uma leve reverência para mim, fazendo meu rosto esquentar ainda mais.

— E este é Damien, meu Gamma.

Assim como o Beta, Damien também abaixou a cabeça em sinal de respeito.

Eu estava diante de um Alfa, um Beta e um Gamma e, de alguma forma, me sentia à vontade. Até mesmo os guerreiros de alta patente da minha antiga alcateia conseguiam me intimidar.

— Onde está Carrie? — perguntou Alfa Niklaus, e isso pareceu despertar o interesse do Beta.

— O que a minha companheira tem a ver com tudo isso? — perguntou o Beta, fazendo o Gamma revirar os olhos.

— Diga a ela para preparar o quarto de hóspedes da minha suíte.

— Você pode pedir a qualquer Ômega para fazer isso.

O Gamma Jamie deu uma risada.

— Ele estava justamente indo encontrar a companheira dele para um momento bem... animado. Você acabou de estragar os planos dele.

Sorri com aquilo, achando a situação engraçada.

— Tudo bem. Vou precisar dela mais tarde.

— Maaais tarde.

O Alfa apenas balançou a cabeça antes de segurar minha mão novamente. Achei que subiríamos pela escada, mas descobri que havia um elevador. Em poucos instantes, chegamos ao andar dele.

— Você está bem? — perguntou.

Assenti.

Então ele me conduziu até a suíte na ala oeste do andar. Abriu a porta usando um código, e eu soltei um suspiro diante do luxo que se revelou à minha frente.

— Bem-vinda à alcateia dos Lobos Crescentes, Valerie... e bem-vinda à minha casa.

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