LOGINCapítulo 102: Casa Cheia POV: Luna CarvalhoA luz suave do meio-dia preenchia a varanda do jardim da mansão, trazendo um calor agradável que parecia afastar de vez qualquer vestígio de tensão do passado. Eu estava acomodada na poltrona com Helena Arthuria adormecida no meu colo, o corpinho aquecido por um macacãozinho de tricô que minha mãe tricotara à mão no interior antes de viajar.Dona Rosa apareceu na porta de vidro carregando uma xícara de chá fumegante. Minha mãe vestia seu vestido floral simples, com o cabelo preso num coque prático e um sorriso que acalmava a alma. A presença dela na mansão trouxera uma simplicidade acolhedora que quebrava toda a austeridade daquele lugar.— Tome um pouquinho de chá, minha filha. Você precisa se alimentar bem para essa menina continuar mamando forte — ela disse, colocando a xícara na mesa de apoio ao lado e ajeitando a coberta sobre os pés da neta. — Eu passei no quarto do seu sogro agora há pouco... Seu Arthur é um homem de ouro, sabia?
Capítulo 101: O Encontro na MansãoPOV: Luna CarvalhoA alta hospitalar veio três dias após a cirurgia. O cirurgião acompanhara a evolução do meu quadro e a adaptação da nossa filha com extremo rigor, liberando-nos apenas quando teve a certeza absoluta de que a hemorragia fora totalmente contida e que o ganho de peso da bebê estava estável.O trajeto do hospital até a mansão foi feito sob um silêncio acolhedor e seguro. Gabriel dirigiu o SUV com uma cautela quase exagerada, desviando de cada imperfeição do asfalto, enquanto eu viajava no banco traseiro ao lado da bebê, acomodada no bebê-conforto ao meu lado.Quando os portões de ferro se abriram e o carro estacionou diante da fachada principal da casa, o peso de tudo o que vivemos naquelas últimas semanas pareceu finalmente se dissipar. Não havia mais viaturas, peritos ou sombras nos cantos do jardim. A mansão Montenegro respirava uma paz que há muito tempo não conhecia.Gabriel desligou o motor, desceu e abriu a porta traseira
Capítulo 100: A Última ContaPOV: Gabriel MontenegroAvancei pelo corredor do térreo com os passos firmes e controlados, empunhando a arma com as duas mãos. As luzes de emergência do teto emitiam um brilho branco e frio, projetando nossa passagem sobre o piso de mármore. Marcos vinha logo atrás, cobrindo a minha retaguarda com a fisionomia rígida.Ao nos aproximarmos da porta da suíte do meu pai, o cheiro forte e acre de álcool combustível inundou as minhas narinas. O som do enfermeiro desacordado no chão do corredor — com uma contusão sangrenta na têmpora — confirmou o desespero de quem não tinha mais nada a perder.Chutei a porta de madeira nobre com violência. Ela se abriu com um estrondo seco, chocando-se contra a parede.O cenário no interior do quarto fez o meu sangue ferver.Meu pai estava imóvel na poltrona do canto, o rosto pálido e frágil, respirando com dificuldade através da cânula de oxigênio. Em pé, a um passo dele, Valentina segurava um galão plástico de combustív
Capítulo 99: O Fantasma da ImpunidadePOV: Gabriel MontenegroA informação dita por Marcos no batente da porta ecoou pelo quarto com a violência de um estalo. Senti cada músculo do meu corpo travar em um instante. A paz frágil que havíamos acabado de conquistar desmoronou em poeira antes mesmo de podermos respirar.Devagar, desviei meus olhos de Marcos para encarar Luna. Ela ainda segurava a nossa filha contra o peito, mas a cor recém-recuperada do seu rosto esvaiu-se novamente. O choque nos olhos dela era cru, aterrorizado. A mão trêmula de Luna subiu de forma instintiva para cobrir a cabeça do bebê, como se tentasse construir um escudo físico com a própria pele.— Gabriel... — o sussurro dela veio sufocado, rasgando a minha garganta por dentro.— Fique aqui — ordenei com a voz baixa, em um tom gélido e irrevogável. Apoiei a mão no ombro dela por um segundo antes de me levantar da borda da cama. — Ninguém vai chegar perto de vocês. Ninguém.Caminhei a passos largos em direção a
Capítulo 98: A Luz no Fim da TempestadePOV: Gabriel MontenegroO bipe constante dos monitores e o som mecânico dos equipamentos do centro cirúrgico preenchiam o ambiente com uma urgência sufocante. Parado ao lado da cabeceira da mesa de operação, vestindo o avental cirúrgico e a máscara, eu segurava a mão fria de Luna com uma firmeza desesperada. Ela permanecia semiconsciente sob o efeito dos anestésicos e da sedação leve, a respiração fraca e os lábios pálidos, mas os olhos dela buscavam os meus a cada fração de segundo.— Estou aqui, Carvalho... — murmurei contra o ouvido dela, a voz grave embargada por uma emoção que eu não conseguia conter. — Estou aqui com você. Fique firme.— A... bebê, Gabriel... — ela balbuciou num fio de voz quase inaudível, os dedos fracos tentando apertar a minha mão.— Ela vai ficar bem. Vocês duas vão ficar bem — afirmei com a força de um juramento, selando um beijo demorado na testa dela, onde o pequeno curativo cobria a escoriação do impacto.A e
Capítulo 97: A Teia ReveladaPOV: Gabriel MontenegroA reunião na sede da holding se estendia além do previsto, mas a minha atenção teimava em vacilar. Sentado à cabeceira da mesa do conselho, observava os relatórios contratuais enquanto uma inquietação fria e inexplicável se instalava no fundo do meu peito. A imagem de Luna em nosso quarto, sorrindo entre as roupinhas da nossa filha, era o único pensamento que me mantinha ancorado.Quando o último diretor encerrou sua exposição, meu telefone corporativo vibrou sobre a mesa. O nome de Marcos piscou na tela, acompanhado por um alerta vermelho da equipe de inteligência. Pedindo licença aos executivos, caminhei a passos rápidos em direção ao meu escritório privativo, atendendo na primeira chamada.— Fale, Marcos.— Sr. Gabriel, os peritos da segurança cibernética acabaram de cruzar os dados dos servidores mascarados — a voz de Marcos veio firme, carregada de uma gravidade solene. — Pegamos o rastro definitivo da conta que financiou







