LOGINCapítulo 100: A Última ContaPOV: Gabriel MontenegroAvancei pelo corredor do térreo com os passos firmes e controlados, empunhando a arma com as duas mãos. As luzes de emergência do teto emitiam um brilho branco e frio, projetando nossa passagem sobre o piso de mármore. Marcos vinha logo atrás, cobrindo a minha retaguarda com a fisionomia rígida.Ao nos aproximarmos da porta da suíte do meu pai, o cheiro forte e acre de álcool combustível inundou as minhas narinas. O som do enfermeiro desacordado no chão do corredor — com uma contusão sangrenta na têmpora — confirmou o desespero de quem não tinha mais nada a perder.Chutei a porta de madeira nobre com violência. Ela se abriu com um estrondo seco, chocando-se contra a parede.O cenário no interior do quarto fez o meu sangue ferver.Meu pai estava imóvel na poltrona do canto, o rosto pálido e frágil, respirando com dificuldade através da cânula de oxigênio. Em pé, a um passo dele, Valentina segurava um galão plástico de combustív
Capítulo 99: O Fantasma da ImpunidadePOV: Gabriel MontenegroA informação dita por Marcos no batente da porta ecoou pelo quarto com a violência de um estalo. Senti cada músculo do meu corpo travar em um instante. A paz frágil que havíamos acabado de conquistar desmoronou em poeira antes mesmo de podermos respirar.Devagar, desviei meus olhos de Marcos para encarar Luna. Ela ainda segurava a nossa filha contra o peito, mas a cor recém-recuperada do seu rosto esvaiu-se novamente. O choque nos olhos dela era cru, aterrorizado. A mão trêmula de Luna subiu de forma instintiva para cobrir a cabeça do bebê, como se tentasse construir um escudo físico com a própria pele.— Gabriel... — o sussurro dela veio sufocado, rasgando a minha garganta por dentro.— Fique aqui — ordenei com a voz baixa, em um tom gélido e irrevogável. Apoiei a mão no ombro dela por um segundo antes de me levantar da borda da cama. — Ninguém vai chegar perto de vocês. Ninguém.Caminhei a passos largos em direção a
Capítulo 98: A Luz no Fim da TempestadePOV: Gabriel MontenegroO bipe constante dos monitores e o som mecânico dos equipamentos do centro cirúrgico preenchiam o ambiente com uma urgência sufocante. Parado ao lado da cabeceira da mesa de operação, vestindo o avental cirúrgico e a máscara, eu segurava a mão fria de Luna com uma firmeza desesperada. Ela permanecia semiconsciente sob o efeito dos anestésicos e da sedação leve, a respiração fraca e os lábios pálidos, mas os olhos dela buscavam os meus a cada fração de segundo.— Estou aqui, Carvalho... — murmurei contra o ouvido dela, a voz grave embargada por uma emoção que eu não conseguia conter. — Estou aqui com você. Fique firme.— A... bebê, Gabriel... — ela balbuciou num fio de voz quase inaudível, os dedos fracos tentando apertar a minha mão.— Ela vai ficar bem. Vocês duas vão ficar bem — afirmei com a força de um juramento, selando um beijo demorado na testa dela, onde o pequeno curativo cobria a escoriação do impacto.A e
Capítulo 97: A Teia ReveladaPOV: Gabriel MontenegroA reunião na sede da holding se estendia além do previsto, mas a minha atenção teimava em vacilar. Sentado à cabeceira da mesa do conselho, observava os relatórios contratuais enquanto uma inquietação fria e inexplicável se instalava no fundo do meu peito. A imagem de Luna em nosso quarto, sorrindo entre as roupinhas da nossa filha, era o único pensamento que me mantinha ancorado.Quando o último diretor encerrou sua exposição, meu telefone corporativo vibrou sobre a mesa. O nome de Marcos piscou na tela, acompanhado por um alerta vermelho da equipe de inteligência. Pedindo licença aos executivos, caminhei a passos rápidos em direção ao meu escritório privativo, atendendo na primeira chamada.— Fale, Marcos.— Sr. Gabriel, os peritos da segurança cibernética acabaram de cruzar os dados dos servidores mascarados — a voz de Marcos veio firme, carregada de uma gravidade solene. — Pegamos o rastro definitivo da conta que financiou
Capítulo 96: A Máscara que CaiuPOV: Helena MontenegroEu segurava a caneta com as mãos trêmulas enquanto tentava focar a visão nas linhas miúdas daquele documento da fundação. O silêncio do térreo da mansão me parecia pesado demais, denso demais. Eu me convencia de que estava fazendo o certo: manter Valentina por perto era a minha forma de preservar a elegância, de não me render àquela garota que Gabriel trouxera para dentro da nossa vida.Mas a verdade é que um aperto incômodo no peito vinha me atormentando há dias.Ajustei os óculos sobre o nariz e assinei o último campo marcado. Ao fechar a pasta de couro sobre a mesa de jantar, estranhei a demora. Valentina dissera que iria até a cozinha buscar um copo de água, mas nenhum barulho de passos viria do corredor dos fundos. Lindalva também não havia passado pelo hall.— Valentina? — chamei em tom baixo, levantando-me da cadeira de mogno e dando dois passos em direção ao corredor.Nenhum retorno. Um calafrio estranho, quase insti
Capítulo 95: A Sombra da ObsessãoPOV: ValentinaEstacionei o conversível no acostamento da rua lateral, a duas quadras do portão principal da mansão Montenegro. Desliguei o motor e encarei a fachada da propriedade pelo espelho retrovisor. As minhas mãos seguravam o volante de couro com tanta força que os nós dos meus dedos estavam brancos.Eu passei meses assistindo a tudo o que era meu por direito ser roubado por aquela garota de classe baixa. Eu era a mulher moldada para ser a esposa de Gabriel Montenegro, a dona daquela holding, a presença aristocrática ao lado dele nos eventos da alta sociedade. Em vez disso, fui empurrada para fora, humilhada e ameaçada por seguranças.Mas a queda do Maurício e o cerco que Gabriel tentava fechar ao meu redor não me parariam. Pelo contrário: só alimentavam um rancor cego que queimava no meu peito a cada segundo.Aguardei o momento exato. Observei pelo binóculo de bolso o SUV preto de Gabriel cruzar os portões principais e dobrar na avenida e







