Mag-log inPOV de ChaseO quarto tava escuro. Só a luz do celular iluminava meu rosto. A mensagem dela."Boa noite, Chase."Sorri. Um sorriso de verdade."Boa noite, Him.""Promete que a gente se vê amanhã?""Prometo.""Promete que não vai desaparecer?""Prometo.""Então tá. Até amanhã.""Até."Desliguei. Olhei pro teto. Ela era diferente. Não era como as outras. Ela era... real.Mais cedo, fui visitar minha mãe.A casa ficava num bairro afastado. O Alex comprou depois do incêndio. Pra ela ter um lugar.Entrei no quarto. O cheiro de queimado ainda impregnava o ar. Ela tava na cama. O corpo coberto de ataduras. As máquinas ao lado.Os olhos ainda existiam. Mas o rosto era uma massa de cicatrizes."Oi, filho.""Oi, mãe."Sentei ao lado. Peguei a mão dela. Fria."Como você tá?""Dói. Como sempre."Assenti. Sem saber o que dizer."Chase. Você vai sair hoje?""Vou. Num show.""Que bom. Vai se divertir.""Vou."Ela sorriu. Um sorriso fraco."Você merece. Você é jovem. Você tem que viver."Olhei pra el
POV de Him A luz do sol entrou pela janela e me acordou. Eu abri os olhos devagar. O quarto tava silencioso. O cheiro de café subia da cozinha. E alguém batia na porta. "Him. Abre." Lisa. A voz dela tava séria. Mais séria que o normal. Levantei. Abri a porta. Ela tava parada. Os braços cruzados. Os olhos vermelhos. De cansaço. De preocupação. De raiva. "Bom dia pra você também." "Onde você estava?" "Com o Chase." "A noite inteira?" "É." "Fazendo o quê?" "Nada." "Nada." "É. Nada." Ela me olhou. Por um longo tempo. Como se quisesse arrancar a verdade de mim. Mas eu não ia dar. Não ainda. "Você tá diferente." "Tô não." "Tá. Seu cabelo. Sua roupa. Seu sorriso. Você tá... radiante." "São as luzes do show." "Não tem show agora, Him." "Então é o sol." Ela suspirou. Passou a mão no rosto. "Ele te beijou?" "Não." "Ele te tocou?" "Não." "Ele fez alguma coisa?" "Não." "Então o que vocês fizeram a noite inteira?" "A gente conversou." "Conversou." "É. Sobre a vida. So
POV de Lisa A música batia no peito como um segundo coração. As luzes piscavam em vermelho e azul. A multidão gritava, pulava, levantava as mãos. O show dos Winds tava lotado. A Him dançava do meu lado, o cabelo escuro voando, o sorriso enorme. "SEGURA ESSA!" Joguei o copo pra ela. Ela pegou no ar. Ri. Bebeu. "VOCÊ TÁ FELIZ?" "TÔ!" A gente dançou mais. A música mudou. Mais rápida. Mais intensa. A Him levantou as mãos. Eu fiz o mesmo. O Miguel apareceu. O sorriso fácil. "E aí, meninas?" "Miguel!" A Him abraçou ele. Ele olhou pra ela. Aquele olhar. Que ele tentava esconder. "Você tá linda, Him." "Obrigada." "Quer dançar?" "Tô com a Lisa." "Depois?" "Depois a gente vê." Ele assentiu. O sorriso fraco. Tentou falar algo. Desistiu. Como sempre. O Miguel me puxou pra um canto. "Lisa. Eu gosto dela. Muito." "Eu sei." "Eu tentei falar. Mas ela não me vê." "Você precisa ter paciência." "Paciência? Eu tenho há dezessete anos." "Não desiste. Um dia ela chega lá." Ele sorr
POV de GabrielaCinco anos depoisA casa tava cheia. Como sempre. A Bruna tinha trazido bolo de chocolate a receita da mãe dela, que ela guardava a sete chaves. A Chloé tinha trazido vinho e uma caixa de doces que o Michael tinha comprado em Paris. E eu tinha trazido a minha barriga de tanto comer. Mas a conversa tava boa. Daquelas de tarde inteira. Sem pressa. Sem telefone. Só a gente."Vocês viram?" A Chloé disse, o celular na mão. "O Michael ganhou o prêmio de melhor artista do ano. Olha a capa da revista."Ela mostrou a tela. O Michael, de terno, sorrindo, ao lado de uma pintura enorme. Uma mulher. De costas. Olhando o mar. A Mariana. Ele nunca deixou de pintá-la. Nunca."Ele tá famoso." A Bruna riu. "Quem diria. O menino do barraco. Agora expõe em Paris.""Ele sempre teve talento." Falei. "Só precisava de uma chance.""E você deu essa chance." A Chloé me olhou. "Você e o Adrian. Vocês acreditaram nele quando ninguém mais acreditava.""Ele merecia."A Chloé sorriu. Depois olhou pr
POV de GabrielaPresenteO monitor parou.O som ecoou pelo quarto como uma sentença. Aquele apito contínuo, agudo, que corta o ar e congela o tempo. Eu olhei pra tela. A linha reta. O número zero. O coração da minha irmã tinha parado de bater."Não." A palavra saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar. "Não. Não. Não."Eu sacudi o braço dela. Como se pudesse acordá-la. Como se fosse um sonho. Como se ela fosse abrir os olhos e sorrir e dizer que era pegadinha."Mariana! ACORDA! ACORDA, PORRA!"Nada."MARIANA!"Eu gritei. O som rasgou minha garganta. As lágrimas cegaram meus olhos. Eu apertei a mão dela. Fria. Sem vida."NÃO! NÃO FAZ ISSO! NÃO ME DEIXA! VOCÊ PROMETEU! VOCÊ PROMETEU QUE IA FICAR!"A porta abriu. O Mark entrou correndo. Parou. Olhou pra cama. Pros meus olhos. Pro monitor. E ele entendeu."Não." Ele sussurrou. "Não. Não. Não."Ele caiu de joelhos ao lado da cama. Pegou a outra mão dela. Beijou. Chorou."Mariana. Meu amor. Minha vida. Não. Não. Não."Ele levantou. Olh
POV de MarianaTrês anos depoisO quarto do hospital cheirava a flores. O Mark tinha trazido girassóis. A Lisa tinha trazido um desenho. A Him tinha trazido um ursinho de pelúcia. O Julian tinha trazido a mãozinha gordinha para segurar a minha.Três anos. Eu tinha tido três anos. Mais do que os médicos disseram. Menos do que eu queria.O Julian já andava. Já falava. Já chamava a Lisa de "mana" e a Him de "tia". Já chamava o Mark de "papai". Já chamava a Gabriela de "tia Gaby". E já me chamava de "mamãe". A coisa mais linda que eu já ouvi.Três anos.Eu vi ele andar. Vi ele falar. Vi ele crescer. Vi a Lisa entrar no ensino médio. Vi a Him fazer a primeira apresentação de ballet. Vi o Mark terminar o primeiro mural que ele pintou desde que eu adoeci. Vi a Gabriela se tornar diretora da empresa. Vi o Adrian chorar no aniversário de dez anos de casamento.Três anos.Não foram quatro. Mas foram três. E eu aproveitei cada segundo.Mas agora... agora estava acabando.Eu sentia. O corpo fraco







