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O Insistente

last update publish date: 2026-09-12 15:26:52

POV de Chloé

A festa tava no auge. A Bruna e o Lee dançavam no centro do salão, os convidados batiam palmas, as meninas corriam pelo jardim com as saias rodando. Eu tava sentada numa mesa perto da pista, um copo de champanhe na mão, observando tudo com um sorriso bobo.

Era estranho estar ali. No meio de tanta felicidade. Todo mundo parecia ter encontrado o seu lugar. A Bruna tinha o Lee. A Gabriela tinha o Adrian. A Mariana tinha as meninas. A Beckett tinha o delegado. Até a Lisa Morgan, na pri
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    POV de HimA música pulsava tão forte que eu sentia o chão vibrar. As luzes piscavam em vermelho e azul, cortando a escuridão como relâmpagos. A multidão pulava, gritava, levantava as mãos. Era tudo o que eu sempre sonhei. Liberdade. Juventude. Vida.A Lisa dançava do meu lado. O cabelo ruivo voando, o sorriso enorme, os olhos verdes brilhando. A gente era inseparável desde que nasceu. As duas filhas do mesmo pai. As duas irmãs de corações diferentes. A Lisa, filha da Mariana. Eu, filha da Gabriela. Mas irmãs de alma. E nada, nunca, ia mudar isso."SEGURA ESSA, HIM!" A Lisa gritou, me jogando o copo.Eu peguei no ar. Ri. Bebi. A bebida doce desceu pela garganta."VOCÊ TÁ FELIZ?" Ela perguntou."TÔ!""EU TAMBÉM!"A gente dançou mais. A música mudou. Mais lenta. Mais sensual. Os garotos tentando chegar perto. A gente ignorando. Como sempre.O Miguel apareceu. O cabelo castanho. O sorriso fácil. O filho do Lee e da Bruna. O menino que cresceu com a gente. O irmão que a gente nunca teve.

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    POV de Anny RosePresenteO teto branco do quarto era a primeira coisa que eu via todas as manhãs. E a última coisa que eu via todas as noites. Branco. Frio. Imóvel. Como a minha vida.Os aparelhos ao lado da cama piavam. O som ritmado do monitor cardíaco. O sussurro do soro entrando na veia. O silêncio dos dias que não acabavam nunca.Eu sentia dor. Sempre. A dor das queimaduras que nunca sararam. A dor dos nervos queimados que nunca pararam de gritar. A dor dos órgãos que funcionavam pela metade. A dor de estar viva.Dezessete anos.Dezessete anos naquela cama. Naquela clínica. Naquele quarto. Com os mesmos aparelhos. Com a mesma dor. Com o mesmo homem.A porta abriu. Ele entrou. O menino. O meu filho. Dezessete anos. O cabelo castanho. Os olhos escuros. A cara do pai. Mas o coração... o coração era meu."Oi, mãe.""Oi, Chase."Ele não sorriu. Ele nunca sorria. Não desde os doze anos. Quando o Alex contou tudo. Quando mostrou as fotos. Quando disse quem era a mãe dele. O que ela tin

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    POV de GabrielaCinco anos depoisA casa tava cheia. Como sempre. A Bruna tinha trazido bolo de chocolate a receita da mãe dela, que ela guardava a sete chaves. A Chloé tinha trazido vinho e uma caixa de doces que o Michael tinha comprado em Paris. E eu tinha trazido a minha barriga de tanto comer. Mas a conversa tava boa. Daquelas de tarde inteira. Sem pressa. Sem telefone. Só a gente."Vocês viram?" A Chloé disse, o celular na mão. "O Michael ganhou o prêmio de melhor artista do ano. Olha a capa da revista."Ela mostrou a tela. O Michael, de terno, sorrindo, ao lado de uma pintura enorme. Uma mulher. De costas. Olhando o mar. A Mariana. Ele nunca deixou de pintá-la. Nunca."Ele tá famoso." A Bruna riu. "Quem diria. O menino do barraco. Agora expõe em Paris.""Ele sempre teve talento." Falei. "Só precisava de uma chance.""E você deu essa chance." A Chloé me olhou. "Você e o Adrian. Vocês acreditaram nele quando ninguém mais acreditava.""Ele merecia."A Chloé sorriu. Depois olhou pr

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    POV de GabrielaPresenteO monitor parou.O som ecoou pelo quarto como uma sentença. Aquele apito contínuo, agudo, que corta o ar e congela o tempo. Eu olhei pra tela. A linha reta. O número zero. O coração da minha irmã tinha parado de bater."Não." A palavra saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar. "Não. Não. Não."Eu sacudi o braço dela. Como se pudesse acordá-la. Como se fosse um sonho. Como se ela fosse abrir os olhos e sorrir e dizer que era pegadinha."Mariana! ACORDA! ACORDA, PORRA!"Nada."MARIANA!"Eu gritei. O som rasgou minha garganta. As lágrimas cegaram meus olhos. Eu apertei a mão dela. Fria. Sem vida."NÃO! NÃO FAZ ISSO! NÃO ME DEIXA! VOCÊ PROMETEU! VOCÊ PROMETEU QUE IA FICAR!"A porta abriu. O Mark entrou correndo. Parou. Olhou pra cama. Pros meus olhos. Pro monitor. E ele entendeu."Não." Ele sussurrou. "Não. Não. Não."Ele caiu de joelhos ao lado da cama. Pegou a outra mão dela. Beijou. Chorou."Mariana. Meu amor. Minha vida. Não. Não. Não."Ele levantou. Olh

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    POV de MarianaTrês anos depoisO quarto do hospital cheirava a flores. O Mark tinha trazido girassóis. A Lisa tinha trazido um desenho. A Him tinha trazido um ursinho de pelúcia. O Julian tinha trazido a mãozinha gordinha para segurar a minha.Três anos. Eu tinha tido três anos. Mais do que os médicos disseram. Menos do que eu queria.O Julian já andava. Já falava. Já chamava a Lisa de "mana" e a Him de "tia". Já chamava o Mark de "papai". Já chamava a Gabriela de "tia Gaby". E já me chamava de "mamãe". A coisa mais linda que eu já ouvi.Três anos.Eu vi ele andar. Vi ele falar. Vi ele crescer. Vi a Lisa entrar no ensino médio. Vi a Him fazer a primeira apresentação de ballet. Vi o Mark terminar o primeiro mural que ele pintou desde que eu adoeci. Vi a Gabriela se tornar diretora da empresa. Vi o Adrian chorar no aniversário de dez anos de casamento.Três anos.Não foram quatro. Mas foram três. E eu aproveitei cada segundo.Mas agora... agora estava acabando.Eu sentia. O corpo fraco

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