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Segredos de Irmãs

last update publish date: 2026-07-04 15:22:26

POV de Gabriela

A mansão dos Antunes estava silenciosa naquela tarde. As cortinas de veludo estavam fechadas, os lustres apagados, e o único som era o dos meus passos no chão de mármore. A Mariana tinha me convidado para almoçar. "Só nós duas", disse ela ao telefone. "Preciso falar com você." A voz dela estava estranha. Mais suave. Mais... humana. Não era a voz da chefe do cartel. Não era a voz da víbora. Era a voz de uma mulher que estava carregando um peso grande demais sozinha.

O segurança n
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    POV de HimA música pulsava tão forte que eu sentia o chão vibrar. As luzes piscavam em vermelho e azul, cortando a escuridão como relâmpagos. A multidão pulava, gritava, levantava as mãos. Era tudo o que eu sempre sonhei. Liberdade. Juventude. Vida.A Lisa dançava do meu lado. O cabelo ruivo voando, o sorriso enorme, os olhos verdes brilhando. A gente era inseparável desde que nasceu. As duas filhas do mesmo pai. As duas irmãs de corações diferentes. A Lisa, filha da Mariana. Eu, filha da Gabriela. Mas irmãs de alma. E nada, nunca, ia mudar isso."SEGURA ESSA, HIM!" A Lisa gritou, me jogando o copo.Eu peguei no ar. Ri. Bebi. A bebida doce desceu pela garganta."VOCÊ TÁ FELIZ?" Ela perguntou."TÔ!""EU TAMBÉM!"A gente dançou mais. A música mudou. Mais lenta. Mais sensual. Os garotos tentando chegar perto. A gente ignorando. Como sempre.O Miguel apareceu. O cabelo castanho. O sorriso fácil. O filho do Lee e da Bruna. O menino que cresceu com a gente. O irmão que a gente nunca teve.

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    POV de Anny RosePresenteO teto branco do quarto era a primeira coisa que eu via todas as manhãs. E a última coisa que eu via todas as noites. Branco. Frio. Imóvel. Como a minha vida.Os aparelhos ao lado da cama piavam. O som ritmado do monitor cardíaco. O sussurro do soro entrando na veia. O silêncio dos dias que não acabavam nunca.Eu sentia dor. Sempre. A dor das queimaduras que nunca sararam. A dor dos nervos queimados que nunca pararam de gritar. A dor dos órgãos que funcionavam pela metade. A dor de estar viva.Dezessete anos.Dezessete anos naquela cama. Naquela clínica. Naquele quarto. Com os mesmos aparelhos. Com a mesma dor. Com o mesmo homem.A porta abriu. Ele entrou. O menino. O meu filho. Dezessete anos. O cabelo castanho. Os olhos escuros. A cara do pai. Mas o coração... o coração era meu."Oi, mãe.""Oi, Chase."Ele não sorriu. Ele nunca sorria. Não desde os doze anos. Quando o Alex contou tudo. Quando mostrou as fotos. Quando disse quem era a mãe dele. O que ela tin

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    POV de GabrielaPresenteO monitor parou.O som ecoou pelo quarto como uma sentença. Aquele apito contínuo, agudo, que corta o ar e congela o tempo. Eu olhei pra tela. A linha reta. O número zero. O coração da minha irmã tinha parado de bater."Não." A palavra saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar. "Não. Não. Não."Eu sacudi o braço dela. Como se pudesse acordá-la. Como se fosse um sonho. Como se ela fosse abrir os olhos e sorrir e dizer que era pegadinha."Mariana! ACORDA! ACORDA, PORRA!"Nada."MARIANA!"Eu gritei. O som rasgou minha garganta. As lágrimas cegaram meus olhos. Eu apertei a mão dela. Fria. Sem vida."NÃO! NÃO FAZ ISSO! NÃO ME DEIXA! VOCÊ PROMETEU! VOCÊ PROMETEU QUE IA FICAR!"A porta abriu. O Mark entrou correndo. Parou. Olhou pra cama. Pros meus olhos. Pro monitor. E ele entendeu."Não." Ele sussurrou. "Não. Não. Não."Ele caiu de joelhos ao lado da cama. Pegou a outra mão dela. Beijou. Chorou."Mariana. Meu amor. Minha vida. Não. Não. Não."Ele levantou. Olh

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    POV de MarianaTrês anos depoisO quarto do hospital cheirava a flores. O Mark tinha trazido girassóis. A Lisa tinha trazido um desenho. A Him tinha trazido um ursinho de pelúcia. O Julian tinha trazido a mãozinha gordinha para segurar a minha.Três anos. Eu tinha tido três anos. Mais do que os médicos disseram. Menos do que eu queria.O Julian já andava. Já falava. Já chamava a Lisa de "mana" e a Him de "tia". Já chamava o Mark de "papai". Já chamava a Gabriela de "tia Gaby". E já me chamava de "mamãe". A coisa mais linda que eu já ouvi.Três anos.Eu vi ele andar. Vi ele falar. Vi ele crescer. Vi a Lisa entrar no ensino médio. Vi a Him fazer a primeira apresentação de ballet. Vi o Mark terminar o primeiro mural que ele pintou desde que eu adoeci. Vi a Gabriela se tornar diretora da empresa. Vi o Adrian chorar no aniversário de dez anos de casamento.Três anos.Não foram quatro. Mas foram três. E eu aproveitei cada segundo.Mas agora... agora estava acabando.Eu sentia. O corpo fraco

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    POV de GabrielaDois meses depoisO tempo passou rápido. Rápido demais.A Mariana voltou pra casa uma semana depois do parto. O Mark largou o trabalho. A Lisa e a Him ajudavam com o Julian. E eu ia todos os dias. Todas as tardes. Todas as noites, quando conseguia.No começo, ela ainda conseguia andar. Conseguia brincar com as crianças no jardim. Conseguia cozinhar — porque ela sempre cozinhava, dizia que era a única coisa que sabia fazer direito. A gente ria. A gente dançava na sala. A gente fingia que nada estava errado."Tô bem, mana." Ela dizia, sempre. Quando eu perguntava. Quando o Mark perguntava. Quando a Lisa olhava pra ela com aqueles olhos preocupados. "Tô bem."Mas não estava.Eu via. Via as olheiras que aumentavam. Via o peso que ela perdia. Via as mãos que tremiam quando segurava o Julian. Via o jeito que ela respirava fundo antes de se levantar da cadeira."Você tá mentindo." Eu disse, um dia."Tô não.""Mariana.""Gabriela.""Você tá pálida.""É o sol. Tô branca de nasc

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