Compartir

O Bilionário Que Quebrou o Contrato
O Bilionário Que Quebrou o Contrato
Autor: Aurora Grace

01 - UM CASAMENTO SEM AMOR

last update Fecha de publicación: 2026-07-11 12:41:57

((VALENTINA))

Muitas mulheres sonham com esse dia. Eu também sonhava com o dia em que me casaria com o amor da minha vida, em que viveria uma grande paixão, um amor verdadeiro.

Sonhava em casar, entrar na igreja de véu e grinalda, olhar para meu futuro marido com lágrimas nos olhos, emocionada, com o coração disparado e sentindo as famosas borboletas no estômago, construir uma família, ter filhos correndo pelo quintal, finais de semana com a família reunida. Mas isso não está naquele maldito contrato, e muito menos o amor. Nele só existem palavras, assinaturas e o peso que elas carregam.

Se alguém tivesse me dito, anos atrás, que eu pisaria em um altar usando o sobrenome Castellani, eu teria rido da cara dessa pessoa.

Casar justamente com Dominic?

Nem no meu pior pesadelo.

Ele foi o único homem capaz de transformar admiração em raiva. O único que eu prometi nunca perdoar.

Mas aqui estou, prestes a entrar naquela igreja e me casar com um homem que não amo. E que também não me ama. As circunstâncias me trouxeram até aqui. Mesmo conhecendo esse troglodita há tantos anos, eu nunca imaginei subir ao altar com ele.

Se ao menos minha mãe estivesse aqui comigo, talvez esse peso não estivesse me esmagando por dentro. Talvez eu não estivesse olhando esse dia lindo e, ao mesmo tempo, tão triste e vazio por essa janela. Mas ela não está.

Saí daqueles pensamentos quando ouvi batidas na porta, como se alguém soubesse que eu precisava de algum carinho. Minha querida madrasta surgiu. Foi ela quem me criou como filha desde pequena e sabia exatamente quando eu precisava de um abraço. Mesmo não sendo minha mãe, era a referência que eu tinha.

— Querida, como você está linda. — Isabel sorriu ao me ver parada em frente à janela, observando o jardim da igreja.

— Como é bom ver você, Bel. — Suspirei enquanto ela se aproximava de mim.

Isabel segurou minhas mãos frias e olhou nos meus olhos como se enxergasse o fundo da minha alma. Ela não fazia ideia do motivo daquele casamento. Não sabia por que eu estava me casando com alguém que nunca havia sequer namorado.

— Tina, por que está se casando se vejo nos seus olhos que não ama esse rapaz? E sei que você não está grávida... ou está? — perguntou daquele jeito doce que sempre teve comigo.

Suspirei pesado antes de responder.

— Porque é preciso, Bel. Eu amo você e meu pai. A vida adulta exige sacrifícios que não estão em nenhum roteiro.

Antes que ela pudesse perguntar mais alguma coisa, a porta tornou a bater.

— Senhorita Valença, está na hora. — disse a moça que havia me acompanhado até ali, firme, seca, sem rodeios.

— Tudo bem. Já estou indo.

A porta permaneceu aberta. A garota ficou parada do lado de fora, usando um terninho preto impecável, os cabelos presos em um coque tão perfeito que parecia ter sido desenhado. Parecia um cão de guarda esperando a ordem para agir.

Isabel acariciou meu rosto.

— Você pode não ter nascido do meu ventre, mas é a filha que sempre vou amar. Quando quiser conversar, estarei esperando.

Ela beijou minha testa.

— Obrigada, Bel. Você sempre será minha mãe de coração. Eu sei que sempre poderei confiar em você.

Retribuí seu carinho e ela saiu.

O corredor de pedra daquela igreja parecia não ter fim.

Quando finalmente cheguei à porta principal, meu pai já me esperava. Assim que segurou minha mão, seus olhos ficaram marejados.

— Filha, me perdo...

Interrompi antes que terminasse.

— Não, pai. A decisão foi minha. Cabeça erguida.

Encaixei meu braço no dele e fiz um sinal para que abrissem a enorme porta de madeira que separava minha liberdade daquele contrato.

As portas se abriram.

A música começou.

Todos se levantaram.

E então eu o vi.

Dominic permanecia imóvel diante do altar.

Nem um sorriso.

Nem um olhar.

Nem um sinal de nervosismo.

Olhava para frente como se estivesse esperando o fim de uma reunião de negócios. De vez em quando consultava o relógio discretamente.

Bossal.

Continua exatamente igual.

Frio.

Controlador.

Como na faculdade.

Meu pai caminhava ao meu lado em silêncio.

Quando chegamos perto do altar, ele beijou minha têmpora e sussurrou:

— Obrigado.

Assenti sem conseguir responder.

Dominic estendeu a mão para mim.

Foi o único toque que tivemos desde o aperto de mãos quando assinamos aquele maldito contrato.

Durante a cerimônia, percebi algumas pessoas cochichando. Outras apenas observavam em silêncio. No altar estavam apenas nossos pais, nossas madrastas, um casal de amigos meus e um casal de amigos dele como padrinhos.

Eu tremia por dentro enquanto o padre iniciava os votos.

Mesmo assim...

Eu sabia por que estava ali.

E faria tudo de novo, se fosse preciso.

— Dominic Alessandro Castellani, aceita Valentina Valença como sua legítima esposa? — perguntou o padre.

— Sim.

A resposta saiu firme.

Sem emoção.

Sem hesitação.

Sem absolutamente nada.

Quando chegou minha vez, o silêncio dentro da igreja ficou pesado.

Demorei alguns segundos para responder.

Foi quando ouvi Dominic pigarrear discretamente ao meu lado.

Revirei os olhos por dentro.

Até nisso ele conseguia ser irritante.

— Aceito.

— Eu os declaro marido e mulher. Troquem as alianças e pode beijar a noiva.

Ficamos frente a frente.

Trocamos as alianças.

Eu não esperava nenhum gesto de carinho. Na verdade, esperava apenas um aperto de mão protocolar.

Mas, para manter as aparências diante dos convidados, Dominic segurou minha mão por alguns segundos a mais do que precisava.

Seus dedos estavam quentes.

Aquilo me irritou.

Ele se aproximou devagar.

Por um instante pensei que realmente me beijaria.

Em vez disso, encostou os lábios no topo da minha testa.

Meu corpo congelou.

Raiva.

Era só raiva.

Precisava ser.

— Haja com naturalidade, Valentina... ou quer que alguém descubra nosso acordo? — sussurrou perto do meu ouvido.

Era exatamente isso que eu odiava nele. Dominic nunca perdia o controle. Nem quando estava destruindo alguém

Logo depois abriu um sorriso falso para as fotos, como se fosse o homem mais apaixonado do mundo.

Canalha.

Sorri também.

Não porque queria.

Mas porque aquele teatro ainda estava só começando.

Seguimos para o coquetel que seria realizado na mansão Castellani.

A partir daquele momento, aquela casa deixaria de ser apenas um lugar cheio de lembranças.

Seria minha nova prisão pelos próximos dois anos.

Mas eu ainda não sabia que aquele maldito contrato não destruiria apenas a minha liberdade. Ele revelaria verdades que nenhum de nós estava preparado para enfrentar

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   122 - A MENTIRA QUE NOS SEPAROU

    DominicNinguém respondeu.Por alguns segundos, tive a sensação de que até o ar havia desaparecido daquela sala.Isabel me encarava sem entender.Bia alternava o olhar entre mim e os outros.Regina permanecia ao lado de Augusto, segurando o próprio braço como se já soubesse que aquela conversa não terminaria bem.Valentino...Valentino não tirava os olhos de mim.E foi justamente isso que me fez ter certeza.Ele sabia.Talvez não soubesse exatamente o que eu havia descoberto.Mas sabia que alguma coisa estava prestes a ser revelada.Caminhei até a mesa de centro.Peguei o envelope que havia levado comigo.Coloquei-o sobre a madeira.O som foi pequeno.Mas pareceu alto demais naquele silêncio.— Antes de qualquer coisa, quero que todos entendam uma coisa.Olhei para Isabel.— Valentina não foi embora porque quis abandonar vocês.Os olhos dela imediatamente se encheram de lágrimas.— Como assim embora, porque ela iria?Não respondi imediatamente.Meu olhar passou por Augusto.Depois por

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   121 - O FIM DAS MENTIRAS

    DominicExistem dores que fazem a gente gritar.Outras simplesmente tiram a vontade de falar.Desde sexta-feira, eu pertencia à segunda categoria.Não voltei para a mansão naquela noite.Não conseguiria.Aquela sexta-feira deveria ter sido diferente.Era o dia em que completaríamos um ano de casamento.Eu deveria estar pensando em como passaríamos aquele final de semana longe das câmeras, em algum hotel discreto, sem precisar representar diante de ninguém aquilo que já não podíamos mais ser.Em vez disso, passei a noite sozinho em um quarto de hotel, com uma carta de Valentina sobre a mesa e a certeza de que ela havia partido sem intenção de voltar.O mais cruel era que eu entendia o motivo.Pelo menos parte dele.Éramos irmãos.E agora eu sabia que ela estava grávida.Grávida de uma criança que, na cabeça dela, era fruto de algo que jamais poderia existir.Não havia espaço para romantizar aquilo.Não havia futuro que ela pudesse enxergar.Ela não tinha ido embora porque deixara de se

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   120 - O SILÊNCIO DEPOIS DA PARTIDA

    DominicEla foi embora.As palavras ainda ecoavam na sala quando um silêncio pesado caiu sobre nós.Ninguém dizia absolutamente nada.Ana permanecia imóvel diante da minha mesa.Levi continuava parado ao lado da porta.E eu...Eu simplesmente me recusava a acreditar.Não.Valentina não faria isso.Ela podia estar magoada.Podia estar sofrendo.Podia até decidir terminar nosso casamento.Mas desaparecer?Sem uma conversa?Sem uma despedida?Sem me olhar uma última vez?Balancei a cabeça.Não.Alguma coisa estava errada.Muito errada.Peguei o telefone sobre a mesa quase por impulso.Procurei o nome dela.Valentina ❤️Meu dedo hesitou por um segundo.Depois pressionei o botão de chamada.Levi e Ana me observavam em silêncio.O telefone chamou apenas uma vez.Logo depois, uma gravação automática substituiu o toque."O número chamado não está disponível ou não existe. Verifique e tente novamente."Afastei lentamente o aparelho do ouvido.Olhei para a tela.Respirei fundo.Liguei outra vez

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   119 - ULTIMA CARTA DE VALENTINA

    Dominic Nunca imaginei que quase sete dias pudessem ser tão longos. A mansão continuava exatamente igual. Os corredores. Os funcionários. As reuniões. O café servido todas as manhãs por Carlos. As ligações intermináveis. As pilhas de contratos. Nada havia mudado. E, ao mesmo tempo... Tudo parecia diferente desde que Valentina embarcara para Roma. Era estranho. Durante semanas eu desejei distância. Depois da descoberta de que éramos irmãos, convenci a mim mesmo de que afastá-la era a única forma de protegê-la. Funcionou. Pelo menos na teoria. Na prática... Cada refeição naquela mesa enorme parecia vazia. Cada vez que passava pela porta do quarto dela, meu olhar procurava, por instinto, qualquer sinal de

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   118 - A MULHER QUE PRECISAVA DESAPARECER

    Valentina Na quinta-feira, o congresso foi encerrado antes mesmo do horário previsto. Pouco depois do meio-dia, os organizadores agradeceram a presença das empresas participantes, anunciaram os últimos painéis e deram oficialmente por concluído o evento. Os aplausos ecoaram pelo auditório. As pessoas começaram a se despedir. Trocar cartões. Prometer futuras reuniões. Enquanto todos comemoravam os negócios fechados... Eu comemorava outra coisa. Cada minuto que passava me aproximava da vida que eu havia escolhido. Ou da vida que restava para mim. Passei mais de uma hora organizando tudo o que seria enviado para a CV Group. Ana conhecia meu método de trabalho. Mesmo assim, deixei tudo tão detalhado que qualquer diretor conseguiria dar continuidade às negociações sem depender de mim.

  • O Bilionário Que Quebrou o Contrato   117 - ENTRE DUAS VIDAS

    Valentina Quando o avião pousou em Roma, a noite já havia tomado conta da cidade. Olhei pela pequena janela enquanto as luzes da pista riscavam a escuridão. Durante doze horas... Tentei dormir. Tentei ler. Tentei distrair minha mente de tudo. Passei boa parte da viagem olhando para as nuvens, pensando em como uma única decisão era capaz de dividir uma vida inteira em duas partes. Antes. E depois. Assim que desembarquei, o ar fresco da primavera italiana tocou meu rosto. Respirei profundamente. Pela primeira vez desde que descobri toda a verdade... Meu peito pareceu um pouco mais leve. Não porque a dor tivesse diminuído. Ela continuava ali. Mas porque, eu estava longe de tudo aquilo que alimentava aquela dor. Longe da mansão.

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status