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02 - PROTOCOLO OBRIGATÓRIO

last update Fecha de publicación: 2026-07-11 12:53:44

((DOMINIC))

Enquanto seguíamos de carro em direção à mansão para o coquetel, que fazia parte do protocolo obrigatório do casamento, eu não conseguia parar de pensar em tudo o que havia acontecido até aquele momento.

Não podia demonstrar o que estava sentindo, muito menos deixar que alguém percebesse que aquele casamento escondia um acordo.

Para todos nós éramos apenas mais um casal apaixonado.

Uma bela mentira.

Valentina devia estar me odiando ainda mais agora.

Ela sempre foi péssima em esconder o que sentia quando o assunto era eu.

Continuava exatamente igual.

Teimosa.

Explosiva.

Orgulhosa.

Mas, por mais que me odiasse, cumpriu cada linha do contrato sem criar um escândalo. Isso eu precisava reconhecer.

Eu não sou o monstro que ela pensa.

Nem o babaca que ela criou na cabeça todos esses anos.

Mas talvez seja melhor que continue acreditando nisso.

Depois da morte da minha mãe, aprendi que algumas verdades têm um preço alto demais.

Desde então, passei anos tentando encontrar respostas que ninguém queria me dar.

Mas essas perguntas mudaram completamente o rumo da minha vida.

Casar com Valentina nunca fez parte dos meus planos daquela forma.

Mas, quando surgiu a oportunidade do contrato, percebi que poderia resolver mais de um problema ao mesmo tempo.

Salvar a empresa dela.

Proteger a minha família.

E ganhar tempo para continuar investigando tudo o que minha mãe descobriu antes de morrer.

Além disso...

Eu precisava manter Valentina por perto.

Muito perto.

Quando chegamos à mansão, os convidados já nos aguardavam.

Era um coquetel pequeno. Apenas nossas famílias, alguns amigos próximos, parceiros comerciais e pessoas que faziam parte do nosso círculo social.

Afinal, o CEO de vinte e oito anos da Corporação Castellani acabara de se casar com a herdeira da VV Group.

Permiti que apenas um veículo de imprensa cobrisse o casamento. A empresa pertencia ao nosso grupo de comunicação, então não haveria manchetes sensacionalistas nem jornalistas inventando histórias.

Eles fizeram algumas fotos, entrevistaram alguns convidados e foram embora.

Exatamente como eu queria.

Durante o coquetel, fizemos o papel esperado.

Conversamos.

Sorrimos.

Posamos para fotos.

Brindamos.

Um casal perfeito aos olhos de qualquer um.

Mas bastava alguém desviar o olhar para o sorriso dela desaparecer.

Em vários momentos a vi perto de Ana, dos amigos e da família.

Ela ria.

Daquele jeito espontâneo que fazia qualquer ambiente parecer mais leve.

Era estranho.

Porque bastava nossos olhares se cruzarem para aquele sorriso morrer.

Ela ainda me olhava como se eu fosse o pior homem do mundo.

Talvez eu realmente tivesse dado motivos para isso.

Ou talvez ela nunca tenha sabido da verdade.

Quando o último convidado foi embora, a mansão voltou ao silêncio de sempre.

Os funcionários recolhiam as mesas, organizavam as flores e levavam as bandejas de volta para a cozinha.

Meu pai e minha madrasta já haviam se recolhido para a ala deles.

Afrouxei a gravata.

Depois tirei o paletó.

Servi um pouco de uísque e caminhei até o bar.

Foi quando a encontrei.

Valentina estava sentada sozinha, girando lentamente a taça entre os dedos.

Nem percebeu minha aproximação.

— Valentina.

Ela levou um susto tão grande que a taça escapou de sua mão e explodiu no chão.

O barulho ecoou pelo salão.

Alguns funcionários olharam imediatamente para nós.

— Foi só uma taça. Voltem ao trabalho. — Minha voz saiu firme.

— Com licença, senhor Dominic. — Levi veio rapidamente para recolher os cacos.

— Pode deixar, Levi. Eu junto minha bagunça. — Valentina deu um passo à frente.

Olhei para ela.

Mesmo depois daquele dia infernal, ainda estava preocupada com o trabalho de um funcionário.

Isso também nunca havia mudado.

— De forma alguma, senhora Valentina. É meu trabalho.

— Levi. Deixe-nos a sós.

Ele apenas assentiu e saiu.

Valentina passou a mão pelos cabelos, retirando a presilha. Os fios caíram sobre os ombros.

Droga.

Ela fazia aquilo sem perceber o efeito que causava.

Respirei fundo.

Não era hora para esse tipo de pensamento.

— O que deseja, senhor Dominic? Ou prefere que eu te chame de marido? — perguntou com ironia. O champagne já começava a fazer efeito.

— Não queria te assustar. Só acho melhor que, na frente dos outros, você me chame pelo nome. Formalidade demais levanta suspeitas.

Ela soltou uma risada sem humor.

— Passei o dia inteiro fingindo. Agora eu só queria dormir e acordar no dia do nosso divórcio. Pena que ainda tenho uma empresa falida para levantar e uma dívida gigantesca para pagar.

Ela desceu do banco e passou por mim.

Segurei seu braço por impulso.

Os funcionários continuavam trabalhando, mas era evidente que alguns prestavam atenção.

Aproximei minha boca de seu ouvido.

— Você vai ter tempo para pagar sua dívida. Mas, até lá, seja discreta. Não precisamos chamar mais atenção do que o necessário.

Ela puxou o braço imediatamente.

Seus olhos quase soltavam faíscas.

— Fica tranquilo. Sou mulher de palavra, não de escândalos... querido marido.

Sorri de canto.

Ela continuava brigando até quando tentava parecer educada.

— Então mantenha essa postura diante dos empregados.

Ela cruzou os braços.

— Você adora mandar nas pessoas, não é?

— Alguém precisa.

— Troglodita.

Quase ri.

Quase.

Mas me controlei.

Olhei rapidamente ao redor.

Os empregados ainda nos observavam de longe.

Não havia escolha.

— Você não me deixa alternativa, Valentina.

Ela franziu a testa.

— O que...

Nem terminou a frase.

Passei um braço por sua cintura, a ergui do chão e a coloquei sobre meu ombro.

— Dominic! Seu idiota! Me coloca no chão!

Eu apenas ri e continuei.

— O troglodita apareceu. Sorria esposa.

Ela parou de reclamar por um segundo.

Percebeu exatamente o motivo daquilo.

Os funcionários voltaram a sorrir entre si.

Agora, aos olhos deles, éramos apenas um casal brincando depois da festa de casamento.

Valentina abriu um sorriso falso.

Sem mover os lábios, sussurrou:

— Eu te odeio.

Continuei caminhando.

— Eu sei.

Subimos as escadas.

Passamos pelo corredor principal até a ala reservada para nós.

Uma das funcionárias sorriu ao nos ver.

— O quarto de núpcias está pronto, senhor.

Assenti.

Assim que ela desapareceu pelo corredor, coloquei Valentina no chão.

Ela ajeitou o vestido imediatamente.

— Relações não fazem parte do contrato, Dominic.

— Nem estavam nos meus planos Valentina.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Esse quarto existe apenas para manter as aparências. Os funcionários sabem que temos quartos separados. Este será apenas o ambiente compartilhado.

Apontei para as duas portas.

— A da esquerda é sua.

— E a da direita?

— Minha.

Ela caminhou lentamente pelo cômodo.

— Humm... entendi.

— Amanhã conversamos. Depois que tirar o vestido, deixe tudo aqui.

Ela apenas assentiu.

Cada um entrou em seu quarto.

Depois do banho, voltei ao ambiente compartilhado para deixar minhas roupas.

Sorri de canto.

O vestido estava jogado sobre uma poltrona.

Os sapatos perto da cama.

A lingerie caída no chão.

A cama completamente bagunçada.

Valentina havia entendido perfeitamente.

Quando a camareira entrasse ali na manhã seguinte, encontraria exatamente o que esperava encontrar.

Uma noite de núpcias.

Não um contrato.

Quando me virei para sair, ouvi um choro abafado atravessar a parede.

O som vinha do banheiro dela.

Fiquei parado por alguns segundos.

Baixei a cabeça.

No fim das contas...

Naquele momento eu percebi que aquele contrato não prendia apenas Valentina. Ele também tinha me colocado dentro de uma história que eu talvez nunca conseguisse controlar.

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