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Quando o avião pousou em Roma, a noite já havia tomado conta da cidade. Olhei pela pequena janela enquanto as luzes da pista riscavam a escuridão. Durante doze horas... Tentei dormir. Tentei ler. Tentei distrair minha mente de tudo. Passei boa parte da viagem olhando para as nuvens, pensando em como uma única decisão era capaz de dividir uma vida inteira em duas partes.Dominic Nunca imaginei que quase sete dias pudessem ser tão longos. A mansão continuava exatamente igual. Os corredores. Os funcionários. As reuniões. O café servido todas as manhãs por Carlos. As ligações intermináveis. As pilhas de contratos. Nada havia mudado. E, ao mesmo tempo... Tudo parecia diferente desde que Valentina embarcara para Roma. Era estranho. Durante semanas eu desejei distância. Depois da descoberta de que éramos irmãos, convenci a mim mesmo de que afastá-la era a única forma de protegê-la. Funcionou. Pelo menos na teoria. Na prática... Cada refeição naquela mesa enorme parecia vazia. Cada vez que passava pela porta do quarto dela, meu olhar procurava, por instinto, qualquer sinal de
Valentina Na quinta-feira, o congresso foi encerrado antes mesmo do horário previsto. Pouco depois do meio-dia, os organizadores agradeceram a presença das empresas participantes, anunciaram os últimos painéis e deram oficialmente por concluído o evento. Os aplausos ecoaram pelo auditório. As pessoas começaram a se despedir. Trocar cartões. Prometer futuras reuniões. Enquanto todos comemoravam os negócios fechados... Eu comemorava outra coisa. Cada minuto que passava me aproximava da vida que eu havia escolhido. Ou da vida que restava para mim. Passei mais de uma hora organizando tudo o que seria enviado para a CV Group. Ana conhecia meu método de trabalho. Mesmo assim, deixei tudo tão detalhado que qualquer diretor conseguiria dar continuidade às negociações sem depender de mim.
Valentina Quando o avião pousou em Roma, a noite já havia tomado conta da cidade. Olhei pela pequena janela enquanto as luzes da pista riscavam a escuridão. Durante doze horas... Tentei dormir. Tentei ler. Tentei distrair minha mente de tudo. Passei boa parte da viagem olhando para as nuvens, pensando em como uma única decisão era capaz de dividir uma vida inteira em duas partes. Antes. E depois. Assim que desembarquei, o ar fresco da primavera italiana tocou meu rosto. Respirei profundamente. Pela primeira vez desde que descobri toda a verdade... Meu peito pareceu um pouco mais leve. Não porque a dor tivesse diminuído. Ela continuava ali. Mas porque, eu estava longe de tudo aquilo que alimentava aquela dor. Longe da mansão.
ValentinaOs dias passaram mais rápido do que eu gostaria.Ou talvez, mais devagar do que eu precisava.Pela primeira vez em muito tempo, minha agenda não estava lotada apenas de reuniões.Entre um compromisso e outro, eu encontrava alguns minutos para resolver detalhes que ninguém imaginava existir.Assinaturas.Transferências.Documentos.Pequenas decisões que, somadas, significavam apenas uma coisa.Eu estava encerrando uma vida inteira.Naquela quarta-feira, terminei a última reunião da manhã pouco antes do meio-dia.Assim que os diretores deixaram a sala, permaneci alguns segundos olhando a cidade através da enorme parede de vidro da CV Group.Bridgstone continuava exatamente igual.O trânsito seguia intenso.As pessoas caminhavam apressadas pelas calçadas.A vida continuava.Era estranho perceber que o mundo não parava quando o nosso desmoronava.Duas batidas suaves interromperam meus pensamentos.— Pode entrar.Ana apareceu segurando um tablet e uma pasta.— Os franceses confir
ValentinaOs dias seguintes passaram depressa.Rápido demais para quem precisava ir embora.Lentos demais para quem carregava um segredo que parecia pesar mais a cada amanhecer.Pela primeira vez desde que assumi a presidência da CV Group, comecei a sair da empresa em horários diferentes.Algumas vezes dizia que tinha reuniões externas.Em outras...Inventava visitas a clientes.Ninguém estranhou.Afinal, parte do meu trabalho sempre acontecera fora da empresa.Nem Ana.Nem Sabrina.Nem Dominic.Sabiam que, na verdade...Eu estava organizando meu desaparecimento.— Doutora Valentina, pode entrar.A porta do escritório foi aberta pelo advogado.O doutor Henrique Ferraz devia ter pouco mais de cinquenta anos.Discreto.Elegante.Daqueles profissionais que aprendem cedo que alguns clientes não querem perguntas.Apenas soluções.Cumprimentou-me cordialmente.— Recebi toda a documentação.Sentei diante dele.A sala era silenciosa.Havia apenas o som baixo do ar-condicionado.Ele abriu uma
ValentinaNa manhã seguinte, eu já estava novamente na CV Group.A rotina não esperava ninguém.Pilhas de contratos aguardavam assinatura.Relatórios financeiros ocupavam metade da minha mesa.Por fora...Minha vida continuava exatamente igual.Por dentro...Eu já não fazia ideia de quem era.Sabrina entrou na sala carregando uma nova pasta.— Estes são os contratos da importação francesa, doutora.— Obrigada, Sabrina.Ela deixou a pasta sobre minha mesa.Antes de sair, hesitou por alguns segundos.— A senhora está melhor?Levantei os olhos.— Melhor?— Depois do último desmaio...Forcei um sorriso discreto.— Estou bem. Foi só uma queda de pressão.Ela pareceu aceitar a resposta.— Qualquer coisa é só chamar.Assim que a porta se fechou, meu celular vibrou sobre a mesa.Sorri automaticamente ao ver o nome na tela.Isabel.Atendi quase no mesmo instante.— Oi, mãe.— Finalmente resolveu atender a própria mãe.Sorri de verdade pela primeira vez naquele dia.— Eu trabalho, sabia?Ela ri







