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Capitulo 8

Author: Maná Alves
last update publish date: 2026-08-31 21:50:29

A chuva batia contra as janelas altas do escritório de Robert Moretti.

Do vigésimo andar, a cidade parecia pequena.

As luzes dos prédios formavam uma imensa constelação abaixo deles, enquanto carros atravessavam as avenidas como pequenas linhas luminosas. Robert permanecia diante da janela, com uma das mãos no bolso da calça e a outra segurando um copo de uísque.

Atrás dele, Luigi estava sentado em uma das poltronas de couro.

Sobre a mesa havia relatórios, contratos, gráficos e números.

Muitos números.

Robert finalmente se virou.

— Os cassinos estão mudando.

Luigi ergueu os olhos dos documentos.

— Eu sei.

— Não. — Robert caminhou até a mesa. — Estão mudando rápido demais.

Ele pegou uma pasta e abriu.

— Há cinco anos, bastava ter uma casa luxuosa, algumas mesas, bebidas caras e pessoas dispostas a perder dinheiro durante a madrugada.

Luigi sorriu.

— Ainda funciona.

— Funciona. Mas não é suficiente.

Robert colocou algumas folhas sobre a mesa.

— Veja isso.

Luigi analisou os documentos.

— Cassinos on-line.

— Exatamente.

Robert se sentou.

— As pessoas não precisam mais sair de casa. Não precisam dirigir até um cassino. Não precisam sequer colocar um terno para perder uma fortuna.

Luigi soltou uma risada curta.

— A tecnologia facilitou o trabalho.

— E tornou a concorrência maior.

Robert apontou para um dos gráficos.

— As organizações que entenderam isso primeiro estão crescendo. Algumas estão ganhando mais dinheiro no ambiente digital do que em seus próprios estabelecimentos.

Luigi cruzou as pernas.

— Então precisamos entrar nesse mercado.

— Precisamos.

Robert recostou-se na cadeira.

— Mas não quero simplesmente copiar o que os outros estão fazendo.

— Então o que você pretende?

Robert ficou alguns segundos em silêncio.

— Transformar o cassino em uma experiência.

Luigi inclinou a cabeça.

— Explique.

— A pessoa não pode sentir que está entrando apenas para jogar. Ela precisa sentir que está entrando em um lugar onde tudo acontece.

Ele apontou para os documentos.

— Música. Eventos. Restaurantes. Bebidas. Pessoas bonitas. Jogos. Luxo. Uma experiência completa.

Luigi assentiu lentamente.

— Aderência.

Robert olhou para ele.

— Exatamente.

— Quanto mais tempo as pessoas permanecerem, maior o faturamento.

— E quanto mais pessoas entrarem, maior ainda.

Os dois se encararam.

Havia uma ambição quase infantil naquele brilho nos olhos de ambos.

Não porque fossem jovens.

Mas porque dinheiro nunca parecia ser suficiente.

Para homens como eles, ganhar não significava apenas possuir.

Significava dominar.

— A questão — Luigi continuou — é aumentar a viabilidade do empreendimento. Fazer com que as pessoas voltem.

Robert sorriu.

— É isso.

— Não importa se elas entram uma vez ou dez vezes. O importante é criar um fluxo constante.

Robert girou lentamente o copo entre os dedos.

— O dinheiro precisa circular.

Luigi sorriu.

— E parar nas nossas mãos.

Robert soltou uma risada baixa.

— Agora você está entendendo.

Os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos.

Então Luigi fechou a pasta.

— As outras famílias vão tentar fazer o mesmo.

— Eu sei.

— Então precisamos chegar antes.

Robert levantou-se.

— Não.

Luigi franziu a testa.

— Não?

— Precisamos chegar melhores.

A expressão de Luigi mudou.

Ele conhecia aquele olhar.

Era o olhar de Robert quando uma ideia começava a tomar forma.

— Vamos transformar esse cassino em uma referência — disse Robert. — Quero que alguém pense em luxo, dinheiro e poder e pense no nosso nome.

Luigi levantou-se.

— Moretti.

Robert sorriu.

— Moretti.

---

Mais tarde naquela noite, Robert chegou ao cassino.

O prédio se erguia no centro da cidade como uma declaração de poder.

Do lado de fora, carros luxuosos paravam diante da entrada. Homens de terno e mulheres vestidas para impressionar atravessavam as portas.

Lá dentro, música alta, luzes e conversas se misturavam.

Era uma noite de festa.

Robert entrou sem pressa.

Os funcionários imediatamente perceberam sua presença.

Alguns apenas abaixaram discretamente a cabeça.

Outros abriram caminho.

Robert não precisava anunciar quem era.

Todos sabiam.

Um dos gerentes veio ao seu encontro.

— Senhor Moretti.

— Como estão as coisas?

— Muito bem.

Robert continuou caminhando.

— Muito bem?

— Sim.

— Quanto faturamos esta semana?

O homem respondeu imediatamente.

— Acima da previsão.

Robert assentiu.

— E o movimento?

— Excelente.

Eles atravessaram o salão.

Robert observava tudo.

As mesas estavam ocupadas.

As máquinas brilhavam.

Garçons circulavam entre os convidados.

Na pista, pessoas dançavam enquanto a música preenchia o ambiente.

Tudo parecia funcionar perfeitamente.

Perfeitamente demais.

Robert parou.

— Onde estão os relatórios?

O gerente hesitou.

Foi apenas um segundo.

Mas Robert percebeu.

— No seu escritório — respondeu o homem.

— Quero vê-los.

— Claro.

Robert virou-se.

— Agora.

O sorriso do funcionário desapareceu.

— Sim, senhor.

Alguns minutos depois, Robert estava em uma sala reservada.

Sobre a mesa havia documentos financeiros.

Extratos.

Relatórios.

Registros internos.

Robert analisou os números em silêncio.

Uma página.

Depois outra.

Seu olhar ficou mais frio.

— Quem preparou isso?

— Eu, senhor.

Robert levantou os olhos.

— Tem certeza?

— Tenho.

Robert voltou a olhar para o papel.

— Então você é péssimo com números.

O homem engoliu em seco.

— Senhor?

Robert empurrou um documento pela mesa.

— Aqui.

O homem olhou.

— O valor registrado não corresponde ao valor recebido.

Silêncio.

Robert apontou para outro.

— Aqui também.

Depois outro.

— E aqui.

O funcionário começou a suar.

— Deve haver algum erro de contabilidade.

Robert ficou olhando para ele.

— Um erro?

— Sim.

— Em três meses consecutivos?

— Eu...

— Em quatro setores diferentes?

O homem perdeu a voz.

Robert se levantou.

Do outro lado da mesa estava um homem baixo, careca, com uma barriga que quase desaparecia sob o terno caro. Até poucos minutos antes, ele parecia seguro de si.

Agora tremia.

— Olhe para mim — ordenou Robert.

O homem obedeceu.

— Onde está o dinheiro?

— Eu não sei.

Robert ficou imóvel.

— Pense novamente.

— Senhor Moretti, eu juro...

— Não jure.

A voz de Robert permaneceu baixa.

— Responda.

— Eu não roubei nada.

Robert caminhou ao redor da mesa.

— Então alguém está roubando.

— Sim.

— E você não percebeu?

— Eu...

— Ou percebeu?

O homem começou a gaguejar.

— Eu... eu posso explicar.

Robert parou diante dele.

— Finalmente.

— Foi uma confusão.

— Que confusão?

— Eu só...

— Você está me fazendo perder a paciência.

O funcionário respirava rapidamente.

— Eu posso devolver.

Robert estreitou os olhos.

— Quanto?

O homem ficou em silêncio.

Aquilo foi suficiente.

Robert entendeu.

Não era um erro.

Era roubo.

— Você roubou de mim.

— Eu estava desesperado.

— Todos estão desesperados quando são pegos.

O homem levantou as mãos.

— Por favor.

Robert não demonstrou emoção.

Sacou a arma.

O estampido foi seco.

O homem caiu.

A sala mergulhou em silêncio.

Robert guardou a arma.

Do lado de fora, a música continuava.

Ninguém entrou correndo.

Ninguém gritou.

No cassino, aquele tipo de coisa fazia parte do mundo que Robert havia construído.

As pessoas continuaram jogando.

Continuaram bebendo.

Continuaram dançando.

Robert saiu da sala.

Seu rosto não demonstrava absolutamente nada.

Um dos seguranças olhou para ele.

Robert apenas disse:

— Resolva.

— Sim, senhor.

Ele voltou ao salão principal.

A música estava ainda mais alta.

Luzes coloridas percorriam a pista.

Robert pegou um copo de bebida com um dos garçons.

Então parou.

Seus olhos encontraram uma mulher.

Loira.

Ela estava no meio da pista, dançando com algumas amigas.

Vestia um vestido preto simples, um tanto vulgar.

Não parecia preocupada com nada.

Mas sabia quem Robert era.

Ela olhou para ele.

Por alguns segundos, nenhum dos dois desviou o olhar.

Robert tomou um gole.

A mulher sorriu.

Foi suficiente.

Ele caminhou até ela.

— Você está me olhando há algum tempo — disse ela.

Robert ergueu uma sobrancelha.

— Talvez você esteja olhando para mim há mais tempo.

Ela riu.

— Convencido.

— Realista.

Ela continuou sorrindo.

A música mudou.

Robert estendeu a mão.

— Dance comigo.

Ela olhou para a mão dele.

Depois para seus olhos.

— Você sempre consegue o que quer?

Robert sorriu de lado.

— Quase sempre.

Ela aceitou.

A noite continuou.

Por algumas horas, Robert esqueceu os relatórios.

Esqueceu o homem morto.

Esqueceu Matteo.

Esqueceu Valentina.

Ou, pelo menos, tentou.

A mulher era obediente.

Não fazia perguntas demais.

Não queria saber sobre seus negócios.

Não queria saber por que todos o tratavam com tanto respeito.

Ela apenas estava ali.

E Robert gostava disso.

Quando a música ficou mais lenta, ela se aproximou.

Robert segurou sua cintura.

Ela levantou o rosto.

Os dois ficaram alguns segundos em silêncio.

Então ele a beijou.

Por aquela noite, não havia guerra.

Não havia traição.

Não havia ameaças.

Não havia uma esposa sequestrada escondida em uma casa cercada por homens armados.

Havia apenas música, bebida e uma mulher em seus braços.

E Robert permitiu-se aproveitar.

Enquanto isso, muito longe dali, uma mulher que ele havia jurado manter sob controle provavelmente ainda estava acordada.

Mas naquela noite, Robert preferiu não pensar nisso.

Naquela noite, ele queria apenas esquecer.

E, por algumas horas, conseguiu.

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