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Capítulo 6

Author: Maná Alves
last update publish date: 2026-08-29 20:00:54

Valentina foi conduzida por um longo corredor antes de parar diante de uma nova porta.

Um dos homens a abriu.

— Entre.

Ela hesitou por um instante.

Depois entrou.

O quarto era completamente diferente do anterior.

As paredes tinham um tom acinzentado elegante, contrastando com a madeira maciça dos móveis. A cama era grande, acolchoada, coberta por lençóis impecavelmente arrumados. Havia uma poltrona próxima à janela, cortinas pesadas e pequenos detalhes que denunciavam o luxo daquele lugar.

Valentina ficou alguns segundos observando tudo.

Era lindo.

Mas não ficou deslumbrada.

Ela crescera cercada por riqueza. Sabia reconhecer um móvel caro, uma peça artesanal e um tecido de qualidade.

O que realmente chamou sua atenção estava sobre a cama.

Uma camisola de seda cinza.

Valentina aproximou-se.

Passou os dedos delicadamente pelo tecido.

Era macio.

Frio.

Leve.

Ela olhou para a porta fechada.

Não sabia por que haviam deixado aquilo ali.

Mesmo assim, depois de hesitar, pegou a camisola e entrou no banheiro.

Quando voltou, vestindo a seda, parou diante do espelho.

Seus cabelos ainda estavam úmidos.

Ela observou o próprio reflexo.

Por alguns segundos, não reconheceu a mulher diante dela.

Aquela não parecia a mesma Valentina que preparara o jantar naquela tarde.

A mesma que descobrira o marido com outra mulher.

A mesma que fora arrancada de sua própria casa.

Ela tocou o canto ainda dolorido dos lábios.

Robert.

Por que ele a havia sequestrado?

O que exatamente Matteo tinha feito?

E por que aquele homem parecia odiá-la tanto?

Valentina abaixou os olhos.

— Eu não tenho culpa...

Sussurrou para si mesma.

Então percebeu alguma coisa.

Um movimento atrás dela.

Valentina levantou a cabeça.

No reflexo do espelho, viu um vulto desaparecer rapidamente pela porta.

Seu coração disparou.

Ela se virou.

— Quem está aí?

Silêncio.

Valentina caminhou até a porta.

Nada.

O corredor estava vazio.

Ela fechou a porta imediatamente e encostou as costas nela.

Seu peito subia e descia rapidamente.

O que havia acabado de acontecer?

A sensação de estar sendo observada fez sua pele arrepiar.

O sequestro já era assustador.

Mas aquilo...

Aquilo era diferente.

---

— Você enlouqueceu?

Robert ergueu uma sobrancelha.

À sua frente, Luigi Moretti, seu irmão mais novo, caminhava de um lado para o outro.

— Você sequestrou a esposa de Matteo Contreras.

— Eu sei.

— Robert, isso não é uma mulher qualquer.

Robert tomou um gole de uísque.

— Para mim, é exatamente isso.

Luigi soltou uma risada sem humor.

— Não. Não é.

Ele se aproximou.

— Você sabe o que está acontecendo lá fora? Há rumores de que Matteo quer sua cabeça.

Robert apoiou o copo sobre a mesa.

— Que tente.

— Ele vai revidar.

— Eu espero que sim.

Luigi passou a mão pelos cabelos.

— Você matou homens dele. Invadiu a propriedade. Pegou a esposa dele. Acha mesmo que ele vai deixar isso barato?

Robert sorriu de lado.

— Não.

— Então por que fez isso?

Robert ficou em silêncio por alguns segundos.

— Porque ele matou meu pai.

A expressão de Luigi mudou.

Robert continuou:

— Enrico está morto por causa daquele homem.

Sua voz tornou-se mais baixa.

Mais fria.

— Matteo tirou meu pai de mim.

Luigi cruzou os braços.

— E você acredita que sequestrar Valentina vai resolver isso?

Robert soltou uma risada irônica.

— Resolver?

Ele se levantou.

— Não.

Caminhou lentamente até o irmão.

— Vai tornar a vingança justa.

Luigi o encarou.

— Ela pode não ter nada a ver com isso.

Robert endureceu o olhar.

— Ela é uma Contreras.

— Isso não significa que seja culpada.

— Talvez não.

Robert pegou novamente o copo.

— Mas Matteo precisa entender que tudo o que ele ama pode ser arrancado dele.

Luigi ficou em silêncio.

Robert olhou para a janela.

— Ele quer minha cabeça. Deu de ombros. — Então vou devolver a dela em uma bandeja.

Luigi ergueu os olhos lentamente.

— A cabeça de Valentina?

Robert não hesitou.

— A cabeça dela. Vou entregar para Matteo de bandeja.

O silêncio que se seguiu pareceu pesar sobre os dois.

Luigi apertou os punhos. A raiva que carregava no peito não era menor que a de Robert. Talvez fosse até mais antiga. Ele também havia perdido o pai. Também havia sentido o vazio deixado por aquela morte, a revolta, a impotência e a necessidade quase insuportável de encontrar alguém para culpar.

Mas havia uma diferença.

Luigi ainda conseguia enxergar além da própria dor.

— Você está deixando a raiva pensar por você.

Robert lançou-lhe um olhar duro.

— Não me diga o que estou sentindo.

— Eu sei exatamente o que você está sentindo porque estou sentindo a mesma coisa! — Luigi rebateu, a voz finalmente se elevando. — Eu também perdi meu pai, Robert! Eu também queria arrancar a cabeça de quem fez isso! Você acha que eu não acordo todos os dias pensando nisso? Que eu não tenho vontade de fazer Matteo pagar pelo que aconteceu?

Robert permaneceu calado.

— Eu sofro com isso todos os dias — Luigi continuou. — Mas isso não significa que eu vou jogar fora tudo o que nosso pai construiu por causa de uma vingança.

— Você fala como se fosse fácil simplesmente esquecer.

— Eu não estou dizendo para esquecer!

Luigi deu um passo à frente.

— Estou dizendo para pensar. Para ser frio. Calculista. Foi isso que nosso pai nos ensinou.

Robert desviou o olhar.

— Nosso pai está morto.

— Justamente por isso! — Luigi respondeu. — Porque ele está morto, alguém precisa terminar o que ele começou.

As palavras atingiram Robert com força.

— A missão era maior do que nós dois. Maior do que a nossa dor. Ele deixou uma rota, deixou planos, deixou objetivos. E agora você quer abandonar tudo para sequestrar a mulher do seu inimigo?

— Valentina é a única coisa que pode fazer Matteo sentir o que nós sentimos.

— Não. — Luigi balançou a cabeça. — Valentina é uma distração.

Robert cerrou o maxilar.

— Cuidado.

— Não vou ter cuidado quando você está prestes a colocar todos nós em risco.

Luigi respirou fundo, tentando controlar a própria emoção.

— Você quer vingança? Então faça do jeito certo. Não seja impulsivo. Não dê a Matteo uma razão para antecipar nossos movimentos. Não mude a rota. Não abandone as missões. Se realmente quer destruir Matteo, faça exatamente o que nosso pai nos ensinou: pense dez passos à frente dele.

Robert ficou em silêncio.

Por alguns segundos, apenas os dois se encararam.

Então Robert respondeu, com a voz baixa e fria:

— Talvez você esteja esquecendo que Matteo tirou nosso pai de nós.

— Eu não esqueci! — Luigi gritou. — Eu sinto falta dele tanto quanto você!

Sua voz falhou por um instante.

— Mas eu não vou deixar que a morte dele faça com que eu perca você também.

Robert desviou o rosto.

Luigi respirou fundo.

— Se nosso pai estivesse aqui, ele não mandaria você sequestrar Valentina. Mandaria você continuar.

Robert finalmente voltou os olhos para ele.

— Então vou continuar.

Luigi franziu a testa.

— Vai?

Robert caminhou até a porta.

— Vou terminar a missão.

Fez uma pausa.

— Mas primeiro, Matteo vai receber a mensagem.

Luigi o observou em silêncio.

— E Valentina?

Robert virou-se lentamente.

— Ela fica aqui até Matteo entender exatamente com quem está mexendo.

Luigi fechou os olhos por um instante.

— Robert...

— Eu disse que vou terminar a missão.

Então, do corredor, ouviu-se um ruído.

Uma porta bateu.

Os dois ficaram imóveis.

Luigi olhou para Robert.

— Foi ela?

Robert não respondeu.

Caminhou até a porta e a abriu.

O corredor estava vazio.

Mas ele sabia.

Valentina havia escutado.

Sua respiração ficou pesada. Ele sabia que não seria nada fácil lidar com a mulher do seu inimigo e conviver com ela. Mas uma escolha deveria ser feita e ele estava inclinado a devolver na mesma moeda a dor que estava sentindo.

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