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Capítulo 5

Autor: Maná Alves
last update Fecha de publicación: 2026-08-14 22:17:54

A água gelada atingiu seu rosto sem aviso.

Valentina despertou assustada, puxando o ar com força.

— Acorde.

Ela piscou várias vezes.

A cabeça doía. O corpo inteiro parecia pesado. Suas mãos continuavam amarradas atrás das costas, e o rosto ainda carregava a marca do tapa que recebera horas antes.

O canto de sua boca estava levemente inchado.

Ela tentou se afastar, mas o homem diante dela segurou seu braço.

— Levante.

Valentina o encarou, assustada.

— Onde estou?

— Isso não importa.

O homem puxou a corda que prendia suas mãos e a arrebentou de uma vez.

Valentina massageou os pulsos doloridos.

— Vá tomar banho.

Ela permaneceu imóvel.

— Eu disse para tomar banho e se vestir.

— Por quê?

Ele soltou uma risada.

— Porque você não pode ficar assim.

Valentina recuou.

Havia alguma coisa naquele olhar que a fez sentir medo novamente.

Ela entrou no pequeno banheiro.

Fechou a porta.

Por alguns minutos, ficou apenas sob a água quente, tentando respirar.

Tentando entender como sua vida havia chegado àquele ponto.

Seu marido a traíra.

Sua casa havia sido invadida.

Ela havia sido sequestrada.

E agora estava na propriedade de um homem que a odiava por algo que ela sequer havia feito.

Quando saiu do banho, seus cabelos negros estavam completamente molhados, caindo sobre os ombros.

Ela se enrolou na toalha que encontrara sobre uma cadeira.

Ainda tremia.

Quando abriu a porta, o homem estava esperando.

Valentina deu um passo para trás.

— Eu preciso voltar para o quarto.

Ele bloqueou sua passagem.

— Não tão rápido.

— Saia da frente.

O homem segurou seu braço.

Valentina tentou se soltar.

— Me solte!

— Pare de resistir.

O medo tomou conta dela.

Ela empurrou o homem com toda a força.

— NÃO!

Ele a segurou novamente.

Valentina gritou.

E então...

O corpo do homem caiu no chão.

Valentina ficou paralisada.

Robert estava parado na porta.

A arma ainda estava em sua mão.

Seus olhos verdes estavam frios.

Mortais.

Por alguns segundos, ninguém disse nada.

Valentina olhou para o corpo no chão.

Depois para Robert. ele estava com a camiseta entre aberta, cabelos bagunçados, despojado como se não houvesse dormido a noite

O sangue começou a se espalhar pelo piso.

Ela levou a mão à boca.

— Nossa...

Robert abaixou a arma.

Então olhou para ela.

E, pela primeira vez, viu Valentina sem a venda, sem o medo escondido pela escuridão.

Os cabelos negros estavam molhados e grudavam delicadamente em seu rosto.

A pele morena contrastava com os olhos acinzentados.

Havia uma beleza rara nela.

Uma beleza que não parecia pertencer àquele lugar.

Latina.

Intensa.

Natural.

Robert ficou alguns segundos em silêncio.

Seus olhos percorreram rapidamente a mulher diante dele, mas ele desviou o olhar quase imediatamente.

Aquilo não deveria importar.

Ela era uma prisioneira.

A esposa de seu inimigo.

Mesmo assim, alguma coisa dentro dele se deslocou.

— Você está ferida?

Valentina balançou a cabeça.

— Não.

Robert olhou novamente para o homem morto.

Depois para ela.

— Ele tocou em você?

Valentina hesitou.

— Tentou.

A mandíbula de Robert endureceu.

Ele não disse nada. ela se assustou quando mais uma vez disparos foram contra ao corpo do homem caído.

Entao ele saiu.

Valentina permaneceu imóvel.

O coração ainda batia violentamente.

Ela não sabia o que pensar.

O homem que havia sequestrado sua vida acabara de salvá-la.

---

Alguns minutos depois, Robert voltou.

Trazia roupas limpas nos braços.

Colocou-as sobre uma cadeira.

— Vista isso.

Valentina olhou para as roupas.

Depois para ele.

— Obrigada.

Robert ficou em silêncio.

Ela esperou alguma resposta.

Não veio.

Ele apontou para a porta.

— Vá para o quarto ao lado.

Valentina olhou para o corpo no chão.

— E ele?

— Eu cuido disso.

— Você vai...

Ela não conseguiu terminar.

Robert percebeu o medo em seu rosto.

— Vá.

Valentina segurou as roupas contra o peito. ninguém nunca a tinha defendido como Robert fez. Por ser esposa de um macio mafioso, também não haviaa outro homem que fosse tocar encostar ou falar palavras pretensiosas para a mulher.

Mas muitas vezes Matteo que a respeitava até mesmo quando levava mulheres para sua casa. Aquela sensação de alguém e lhe protegendo, era um mínimo que ela esperava de um homem.

Inclinou a cabeça e engoliu a seco. agora podia enxergar pela luz do dia o rosto do inimigo do seu marido. seu maxilar quadrado envolvia o pequenos pelos desenhados ao seu rosto. seus cabelos negros recém cortados, sobrancelhas não tão feitas e olhos mais verdes que o lago, a fizeram enxergar o belíssimo homem que estava à sua frente.

Balançou a cabeça ela não podia agir como Matteo e ficar admirando homens que não fossem o seu marido. Além do mais ela estava sendo sequestrada e isso fazia o estômago se revirar principalmente o fato de não saber o que seria da sua vida dali em diante. o que uma mafioso faria com ela e a sua família?

O tapa que havia sofrido ainda estava pinicando em seu rosto, ela levou a mão à face e abaixou a cabeça.

Caminhou até a porta.

Antes de sair, parou.

Olhou para Robert.

Por alguns segundos, os dois permaneceram em silêncio.

Ela queria agradecer.

Não sabia por quê.

Talvez porque, apesar de tudo, ele havia impedido que algo pior acontecesse.

Seus lábios se abriram.

— Robert...

Ele ergueu os olhos.

Valentina hesitou.

— Obrigada.

Foi quase um sussurro.

Robert não respondeu.

Apenas sustentou o olhar dela.

Valentina então saiu.

Ele não entendia por que havia ajudado aquela mulher. talvez fosse porque ele não gostaria de que mais ninguém machucasse ela a não ser ele. lembrou da noite anterior e do tapa que diferiu sobre seu rosto.

Ela deveria ser apenas uma peça.

A esposa de Matteo Contreras.

A mulher que ele havia sequestrado para se vingar.

Nada além disso.

Robert respirou fundo.

Pegou o corpo pelo braço. Aquele desgraçado deveriam sofrer muito mais do que apenas uma morte rápida.

Mas, enquanto o arrastava para fora, uma certeza incômoda permanecia em sua mente:

Valentina Contreras estava presente em sua mente, e isso não podia acontecer.

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