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Capítulo 7

Autor: Maná Alves
last update Fecha de publicación: 2026-08-30 20:00:40

Robert permaneceu parado no centro da sala por alguns segundos, observando os homens espalhados pelo ambiente.

A expressão em seu rosto era séria.

Não havia espaço para questionamentos.

— A partir de hoje, a segurança desta casa muda.

Os homens imediatamente voltaram a atenção para ele.

— Quero homens aqui vinte e quatro horas por dia. Quero troca de turno sem deixar nenhum intervalo. Ninguém entra sem que eu saiba. Ninguém sai sem que eu autorize.

Um dos seguranças assentiu.

— Sim, senhor.

Robert caminhou lentamente pela sala.

— A partir do momento em que Valentina está aqui, esta casa se tornou um alvo. Matteo vai querer encontrá-la. E, se ele não puder chegar até ela diretamente, vai tentar descobrir onde ela está.

Ele parou diante de uma das janelas.

— Quero vigilância em todas as entradas. Portões, garagem, fundos, corredores laterais. Quero homens observando a rua durante o dia e durante a noite.

— E quanto a ela? — perguntou outro segurança.

Robert virou o rosto.

— Principalmente ela.

O homem assentiu.

— Não deixem Valentina sair da propriedade.

Robert fez uma pausa.

— E não quero que ninguém toque nela.

Os seguranças se entreolharam discretamente.

— Ela é minha responsabilidade — continuou ele. — Se alguém tentar entrar, vocês impedem. Se ela tentar sair, vocês impedem. Mas ninguém encosta nela.

— Entendido.

Robert respirou fundo.

Então olhou para um dos homens.

— Chame Valentina.

— Agora?

Robert lançou-lhe um olhar frio.

— Agora.

Poucos minutos depois, passos delicados foram ouvidos no corredor.

Valentina apareceu.

Ela parou assim que percebeu a quantidade de homens na sala.

Seu olhar percorreu o ambiente até encontrar Robert.

Ele estava de pé, imóvel, esperando por ela.

— Venha.

Valentina hesitou.

Então caminhou até ele.

Robert observou cada movimento.

Ela parecia menor diante de todos aqueles homens.

Mais vulnerável do que ele havia percebido.

Quando chegou perto, parou a alguns passos de distância.

— Você queria falar comigo?

— Quero que entenda algumas coisas.

Valentina permaneceu em silêncio.

Robert apontou para os seguranças.

— A partir de hoje, esta casa estará protegida vinte e quatro horas por dia.

Ela olhou para os homens.

— Por minha causa?

— Por causa do que você representa.

Valentina baixou os olhos.

Robert continuou:

— Você é a esposa de Matteo. Isso significa que, enquanto estiver aqui, outras pessoas vão tentar chegar até você.

— E eu não posso ir embora?

— Não.

A resposta foi imediata.

Valentina engoliu em seco.

Robert percebeu.

— Você não vai sair desta casa sem a minha autorização.

Ela apertou os dedos uns contra os outros.

— E se eu quiser?

Robert deu um passo em sua direção.

Valentina recuou instintivamente.

Foi apenas um movimento pequeno.

Mas Robert percebeu.

Ela estava com medo.

Por algum motivo, aquilo o incomodou.

Ainda assim, manteve a expressão impassível.

— Não vai querer.

Valentina ergueu os olhos.

— Você não pode decidir o que eu quero.

Robert ficou em silêncio por alguns segundos.

— Enquanto estiver aqui, eu decido.

A voz dele saiu baixa, firme.

— Nesta casa, as minhas regras serão respeitadas. Você não vai tentar fugir. Não vai procurar uma maneira de entrar em contato com Matteo. Não vai tentar enganar os meus homens. E não vai colocar ninguém em risco.

Valentina respirou fundo.

— E se eu não obedecer?

Robert sustentou seu olhar.

— Então vai descobrir por que todos aqui obedecem quando eu dou uma ordem.

O silêncio tomou conta da sala.

Valentina abaixou a cabeça.

— Entendi.

Aquela resposta deveria ter lhe causado satisfação.

Mas não causou.

Robert esperava resistência.

Esperava ódio.

Esperava que ela gritasse, que o enfrentasse, que tentasse demonstrar alguma força.

Mas Valentina simplesmente ficou ali.

Intimidada.

Como um animal acuado diante do dono.

E aquilo atingiu Robert de uma maneira inesperada.

Ele percebeu a ingenuidade dela.

Ela não estava fingindo.

Não estava tentando manipulá-lo.

Estava realmente assustada.

Por um breve instante, algo apertou seu peito.

Robert balançou a cabeça, como se pudesse afastar aquele pensamento.

Não podia se permitir sentir pena.

Não agora.

— Você pode voltar para o quarto.

Valentina se virou.

Antes de sair, porém, olhou para trás.

Robert ainda estava parado no mesmo lugar.

Os olhos dos dois se encontraram.

Então ela desapareceu pelo corredor.

Robert ficou observando o vazio por alguns segundos.

— Continuem a vigilância — ordenou.

— Sim, senhor.

Ele pegou o paletó.

Precisava trabalhar.

Precisava manter a cabeça ocupada.

Precisava lembrar por que havia feito aquilo.

Robert saiu da casa sem olhar para trás.

//

Enquanto isso... Mansão Contreras.

O copo explodiu contra a parede.

Os homens na sala permaneceram imóveis.

Matteo respirava pesadamente.

— Ele levou minha esposa.

Ninguém respondeu.

— Robert entrou na minha casa, tomou aquilo que é meu e acha que eu vou simplesmente aceitar?

Ricardo, seu conselheiro, permaneceu sentado próximo à mesa.

Ele conhecia aquele olhar.

Conhecia aquela fúria.

E sabia que, quando Matteo chegava naquele estado, qualquer palavra errada poderia transformar uma decisão ruim em uma catástrofe.

— Quero todos os homens disponíveis — ordenou Matteo.

Um dos homens imediatamente se aproximou.

— Quantos?

— Todos.

Ele caminhou até a janela.

— Quero a casa de Robert vigiada.

Ricardo levantou os olhos.

— Vigiada?

— Dia e noite.

Fechou os punhos.

— Quero saber quem entra. Quem sai. Quantos homens estão lá. Quero saber quando os turnos mudam. Quero saber cada movimento daquela casa.

— E quanto a invadir? — perguntou um dos homens.

Matteo virou-se.

Seus olhos estavam tomados pela raiva.

— Ninguém vai invadir.

Ricardo o observou atentamente.

— Por enquanto.

Respirou fundo.

— Robert quer que eu vá até lá desesperado. Quer que eu aja sem pensar. Quer que eu cometa um erro.

Ele caminhou até a mesa.

— Não vou dar isso a ele.

Ricardo assentiu.

— Essa é a decisão mais sensata.

Matteo lançou-lhe um olhar.

— Não confunda sensatez com perdão, Ricardo.

— Eu não faria isso.

Matheu olhou para os homens.

— Minha esposa está naquela casa.

A frase saiu mais baixa.

Mais pesada.

— E aquele homem acredita que pode simplesmente tomar uma coisa que pertence a mim.

Ricardo cruzou as mãos sobre a mesa.

— Matteo, eu sei que isso é pessoal. Mas justamente por isso precisamos pensar antes de agir.

— Eu estou pensando.

— Está furioso.

— Tenho motivos.

Ricardo não contestou.

— Tem. Mas hoje à noite temos outra prioridade.

Ficou em silêncio.

— A carga — continuou Ricardo. — É uma das maiores que teremos nas próximas semanas. Se desviarmos homens demais para uma ação contra Robert, podemos comprometer toda a operação.

Matteo fechou os olhos por alguns segundos.

A raiva ainda estava ali.

Viva.

Pulsando.

Ele queria agir.

Queria recuperar Valentina.

Queria fazer Robert pagar imediatamente.

Mas sabia que Ricardo tinha razão.

— Tudo bem.

Ricardo respirou discretamente aliviado.

— Hoje à noite, nada acontecerá.

Ele pegou outro copo e o colocou sobre a mesa.

— A carga será desviada como planejado.

— Sim.

Matteo caminhou novamente até a janela.

Lá fora, a cidade seguia seu ritmo.

Pessoas andando.

Carros passando.

Como se nada tivesse acontecido.

Como se sua esposa não estivesse nas mãos de seu maior inimigo.

— Mas isso não vai ficar assim.

Ricardo permaneceu calado.

O mafioso observou a escuridão tomando conta da cidade.

— Vigie a casa dele.

Sua voz tornou-se fria.

— Quero saber tudo.

Fez uma pausa.

— Porque quando eu for buscar Valentina...

Seus olhos endureceram.

— Robert vai entender exatamente o preço de ter tocado na minha família.

Ricardo não respondeu.

Apenas assentiu.

Naquela noite, a guerra continuaria silenciosa.

Mas nenhum dos dois homens pretendia esquecer.

E, enquanto a carga seguia para seu destino, duas casas permaneciam sob vigilância.

Uma guardava uma mulher sequestrada.

A outra aguardava o momento certo para recuperá-la.

O confronto ainda não havia começado.

Mas a contagem regressiva já estava em andamento.

.

.

.

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