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O Bilionário e a Mulher do Inimigo
O Bilionário e a Mulher do Inimigo
Author: Maná Alves

Capítulo 1

Author: Maná Alves
last update publish date: 2026-08-14 21:00:06

A chuva castigava o telhado do galpão abandonado nos arredores de Milão.

Lá dentro, dezenas de homens armados aguardavam em silêncio. O ar cheirava a pólvora, ferrugem e tensão. Entre as sombras, Robert Moretti observava a entrada do galpão com a frieza de um homem acostumado a vencer guerras.

Naquela noite, ele roubariam uma carga milionária pertencente a Lorenzo Vitale, um dos homens mais poderosos da máfia italiana.

Se o plano desse certo, os Moretti dominariam novas rotas e Lorenzo sofreria a maior humilhação de sua vida.

Ao lado de Robert estava o homem em quem ele mais confiava.

Matteo Contreras.

Seu braço direito.

Seu amigo.

Quase um irmão.

Matteo verificava a arma com tranquilidade.

— Tudo está pronto — disse ele.

Robert limpou o rosto com a arma em punho.

— O motorista é o mesmo?

— Sim.

— Os homens de Vitale?

— Seis. Não mais que isso.

Robert assentiu, mas algo o incomodava.

Um pressentimento.

Uma sensação estranha, pesada.

Seu pai, Enrico Moretti, aproximou-se segurando uma espingarda.

Mesmo aos sessenta anos, Enrico ainda carregava a presença de um Don. isso orgulhava o filho e o fazia pensar que gostaria de chegar à sua idade nessa disposição.

— Você está inquieto — disse o pai.

Robert soltou um breve sorriso.

— Aprendi com você que o homem que ignora os próprios instintos acaba dentro de um caixão.

Enrico bateu em seu ombro.

— Então confie em seus homens.

Robert olhou para Matteo.

Por um instante, uma frase antiga ecoou em sua mente:

Nunca confie completamente em ninguém.

O som de um motor interrompeu seus pensamentos.

O caminhão havia chegado.

Todos assumiram suas posições.

O veículo entrou lentamente no galpão e parou no centro.

Silêncio.

As portas traseiras se abriram.

Homens armados começaram a descer.

Robert franziu a testa.

Não eram os homens esperados.

Seu olhar correu para a cabine.

O motorista também era outro.

O sangue gelou em suas veias.

Lentamente, Robert virou o rosto.

Matteo o observava.

E sorria.

Um sorriso frio.

Um sorriso de traição.

Robert apertou a arma.

— Matteo...

O homem ergueu a pistola.

— Acabou, Robert.

O primeiro tiro ecoou pelo galpão.

A guerra começou.

Disparos explodiram por toda parte. Homens caíram. Gritos preencheram o ar. Madeira foi destruída por balas.

Robert se jogou atrás de caixas e atirou contra os invasores.

Enrico disparava ao seu lado.

— É uma emboscada! — alguém gritou.

Robert procurou Matteo entre a fumaça.

Ele estava no centro do galpão.

Calmo.

Como se tivesse esperado por aquele momento durante anos.

Robert saiu da cobertura, a arma apontada.

— Por quê?

Matteo inclinou a cabeça.

— Porque cansei de viver à sua sombra.

— Eu te dei tudo!

— Não. Você me deu migalhas enquanto se sentava no trono.

Robert sentiu o ódio crescer dentro do peito.

— Então foi você.

Eles discutiriam em meio aos tiros.

— Fui eu quem abriu as portas para Lorenzo Vitale.

O silêncio durou apenas um segundo.

Um segundo suficiente para destruir dez anos de confiança.

Robert olhou para aquele homem e percebeu que nunca o conhecera de verdade.

— Você vendeu sua honra.

Matteo deu um passo à frente.

— Honra não compra poder.

Robert levantou a arma.

— E a traição compra um túmulo.

Os dois atiraram ao mesmo tempo.

Robert sentiu a bala atingir seu abdômen.

A dor o fez cambalear.

Matteo foi atingido de raspão no ombro.

Enrico correu imediatamente para o filho.

— Robert!

O mundo girava.

O sangue escorria por sua camisa.

Enrico o segurou pelos ombros.

— Olhe para mim! Você não vai morrer!

Robert tentou responder.

Então viu Matteo se aproximando.

Arma em punho.

Olhos frios.

Enrico levantou a espingarda.

Foi tarde demais.

O tiro atingiu o peito de Enrico.

Robert arregalou os olhos.

— PAI!

Enrico caiu de joelhos.

Outro disparo.

Mesmo com dor Robert esqueceu por um momento do tiro disparado e tentou se juntar ao seu pai.

O velho Don cambaleou.

Robert tentou alcançá-lo, mas a dor o derrubou.

Enrico caiu no chão.

Robert rastejou até ele.

— Pai... pai, olha para mim.

Enrico respirava com dificuldade.

Sangue escorria pelo canto de sua boca.

Matteo parou diante deles.

Robert ergueu o olhar.

Havia fúria, dor e incredulidade em seus olhos.

— Não faça isso. rugiu entre os dentes, sua arma havia caído ao tiro disparado. mesmo que ele fosse um homem calculista não havia estratégias a fazer naquela hora.

Matteo apontou a arma para Enrico.

— Hoje os Moretti terminam.

Robert apertou o braço do pai.

— Matteo, eu juro... se tocar nele...

Matteo não permitiu que terminasse.

O corpo de Enrico estremeceu.

Robert gritou.

Outro tiro.

Mais um.

O galpão mergulhou no silêncio.

Enrico Moretti ficou imóvel.

Robert o segurou nos braços, sem conseguir acreditar.

O homem que construíra o império Moretti estava morto.

Enrico abriu os olhos pela última vez.

— Nunca... abaixe a cabeça...

E então partiu.

Robert permaneceu imóvel.

A chuva continuava caindo do lado de fora.

O sangue do pai escorria por suas mãos.

Matteo deu as costas e começou a caminhar para a saída. o mais estranho que poderia acontecer era ele não ter terminado o serviço e acabado com o seu ex-amigo. a sensação de impotencia se fez presente em Robert principalmente o fato da maioria dos seus capangas estarem caídos ao chão.

Robert ergueu os olhos.

Havia algo diferente neles agora.

Algo escuro.

Algo perigoso.

Segurando o corpo do pai contra o peito, ele falou em voz baixa:

— Ouça bem, Matteo.

Sua voz tremia de dor.

Mas também de ódio.

— Você tirou meu pai. Você destruiu minha família, me transformou em algo que nem eu conheço.

Robert beijou a testa de Enrico e fechou os olhos do pai.

Quando tornou a abri-los, já não havia tristeza.

Havia guerra.

— Eu vou encontrar você.

A chuva batia no metal do galpão como tambores de funeral.

— E quando esse dia chegar...

Robert apertou o corpo do pai nos braços.

— Você vai implorar pela morte.

E pela primeira vez naquela noite...

Robert Moretti não parecia um homem.

Parecia uma promessa de vingança.

.

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