LOGINCarlos não nega o que o irmão diz, Matheus estava certo, a beleza de Verônica havia lhe chamado a atenção desde que a viu pela primeira vez.
— Obrigada, vocês são muito gentis — Verônica agradece, vendo Matheus se afastar e Luiz surgir — Bem, eu preciso me juntar as minhas amigas, foi bom te ver aqui — Carlos apenas lhe sorri. — Quem é a bela jovem? — Luiz pergunta quando a vê se afastando. — Uma tentação — Carlos confessa, fazendo o amigo soltar uma gargalhada — Ela mexe comigo, mas além de ser muito jovem é filha de Coutrim. — Pelo jeito você também é uma tentação para ela, olha só como ela te encara — Luiz a observa, junto com Carlos que não conseguia desviar os olhos de Verônica dançando — Ela está dançando para você. — Não duvido — Carlos lhe faz um brinde com a taça no ar, a fazendo sorrir ainda mais para ele. — Vai lá, dança com ela, é isso o que ela quer — Luiz continua o incentivando — Imagina ela dançando daquele jeito, encostada em você. — Se quer saber, o que eu menos quero fazer com ela é dançar — Carlos bebe toda a sua bebida em um único gole, pedindo outra em seguida. — Talvez ela pense da mesma forma — Luiz o provoca, mas Carlos prefere permanecer a olhando, mas Verônica não desgrudava os olhos dele, e não fazia questão de disfarçar que estava o olhando. — Acho melhor eu ir embora, caso contrário eu vou cair na tentação. — Vai mesmo deixá-la para outro, pois, com certeza, sozinha ela não ficará por muito tempo — Luis provoca o amigo que o olha, antes de deixar o copo sobre o balcão e ir até ela. — Acho que não é em uma pista de dança que você me quer com você — Ele lhe segura a mão e Verônica o segue sem nenhuma resistência, era como se ela estivesse esperando por aquela atitude. — Para onde vamos? — Verônica pergunta ao entrarem no carro. — Para um hotel — Carlos sorri malicioso — A não ser que eu tenha entendido errado. Sem ouvir nenhuma negativa, ele a leva em um hotel de luxo onde costumava ir nos últimos meses, sempre com uma mulher diferente. A suíte era a mesma que costumava usar e ao entrar percebe o olhar de admiração de Verônica. Com certeza ela nunca havia entrado em um lugar tão luxuoso como aquele. Ele lhe serve uma bebida e ela apenas experimenta, depois de um brinde. Deixando o copo de lado ela vai até a janela de um dos lugares mais alto da cidade de São Paulo. — É lindo daqui de cima — Ela sorri, ganhando um abraço por trás. — Que bom que gostou — Carlos, afastando os cabelos de seus ombros, beija o seu ombro descoberto. Verônica vestia um vestido tomara que caia, na cor vermelha com algum brilho, propício para uma boate. O vestido era curto e revelava belas pernas, que Carlos acariciava de forma ousada — Mas eu confesso que prefiro continuar olhando para a bela mulher que está bem aqui na minha frente. — Eu nem acredito que estou aqui, em um quarto de hotel com você — Verônica se vira de frente para ele. — Quer desistir? Ainda há tempo, eu não vou forçar nada que não queira — Carlos olha nos olhos de Verônica e nota uma certa hesitação, mas acredita ter sido apenas impressão já que a resposta que ela lhe dá o faz ter certeza do que ela quer. — É exatamente aqui que eu quero estar. Aqui com você — Verônica, mesmo estando de salto alto, se põe na ponta do pés e o beija, o fazendo se curvar para corresponder ao beijo. Logo as suas roupas começam a se espalhar pelo chão e eles fazem isso sem se afastarem, sem se falarem, apenas vivendo aquele momento que talvez fosse o único. — Você é linda... — Me beija, só me beija — Verônica pede, o agarrando pelo pescoço, o trazendo para mais perto, o beijando com uma fúria de alguém que estava com muito tesão. — Calma... — Carlos sussurra entre os beijos — Temos a noite toda. — Você beija muito bem — Verônica sussurra permitindo que Carlos lhe morda o pescoço — Hummm... morde feito um vampiro, lindo e gostoso. — Você não viu nada — Ele a beija, brincando com a língua em sua boca — Nunca transei com alguém tão jovem... qual a sua idade? 19? 20?... — O que importa saber a minha idade, somos adultos e nos desejamos — Essa foi a resposta de Verônica.Encurralada pelo desespero e com o tempo correndo contra si, Verônica viu apenas uma saída, teria que procurar Carlos. Teria que enfrentar o seu ódio, pois ele era sua única esperança. Desesperada, ela segue até a empresa de Carlos e com astúcia consegue chegar até o andar onde estava localizado o seu escritório, precisava reconhecer que agiu feito uma criminosa, se escondendo aqui e ali, mas ela não iria embora sem falar com ele. Ao invadir o escritório de Carlos, Verônica tinha plena consciência de que ele não tinha a menor obrigação de acreditar em suas palavras, muito menos de assumir a criança que carregava no ventre. Ainda assim, era sua única chance de se ver livre do inferno que o pai insistia em colocá-la. O ultimato em sua mente era claro e definitivo: ou ele aceitava aquele fardo, ou ela preferiria abraçar a morte a se submeter ao toque de um desconhecido e ser forçada a carregar a mentira de que o filho era dele. Pensou ser impossível sair daquela sala vitoriosa, p
A noite para Verônica foi perfeita, as poucas horas que dormiu foi pensando que gostaria que fosse Carlos a ganhá-la em uma mesa de jogo, já que não seria nada ruim tê-lo como marido, mas a sua realidade era outra e só lhe restava guardar aquela noite na memória. Se Verônica pensava que ser entregue a um desconhecido para pagar as dívidas de jogo do próprio pai era o seu pior pesadelo, é porque ela ainda não conhecia a total ausência de escrúpulos do homem que a gerou. Ela não queria muito, queria apenas ser dona de si mesma por uma única noite. Mas ele demonstrou querer que ela se arrependesse de sua coragem de desafiá-lo. Entregar a sua virgindade a Carlos foi seu único ato de rebeldia, em uma tentativa desesperada de guardar uma lembrança boa antes de ser jogada nos braços de um estranho qualquer, que a tomaria por mulher sem nenhum remorso. Verônica aquela noite dormiu como nunca antes em sua vida, nua, nos braços de um homem que ela praticamente não conhecia. Acordada, ten
Verônica respirou fundo, engolindo o medo e com uma coragem que pensou não ter, ela caminhou até o bar. Posicionando-se ao lado de Carlos, pede uma bebida. — Olá! — Ela precisava puxar assunto e foi exatamente isso que ela fez — Não imaginei te encontrar aqui — disse com a voz baixa, mas firme o suficiente para cortar o ruído da música. — Por que não? — A pergunta a deixa sem resposta por alguns instantes, já que ela tinha certeza de que ele estaria presente por ser o irmão dele o dono da boate. — Você é muito sério — Verônica respondeu aquilo que lhe veio a cabeça. A resposta foi curta e ela torceu para que ele dissesse algo. — Ponha tudo o que ela consumir na minha conta — Verônica o olha, mas nada diz, apenas lhe sorri sabendo que estava se saindo bem em sua performance de uma jovem com mais idade.— Não vai me apresentar a sua amiga? Ao ser apresentada a Matheus, Verônica percebe uma personalidade diferente, Matheus a devorou com os olhos a fazendo se sentir nua na fre
Aquele parecia ser o seu pior pesadelo. Verônica pensa em uma história parecida que aconteceu no passado e sente vontade de gritar, dizendo que com ela seria diferente, pois não iria ser levada por um velho viciado em jogo. Quando o pai sai do quarto, ela permite que as lágrimas molhem o seu rosto. Conhecia o pai que tinha. Sabia que tudo aquilo era na verdade o pagamento de uma dívida de jogo que ele jamais conseguiria quitar. O desespero subiu por sua garganta, sufocando como se fosse matá-la. Ela se olha no espelho, o reflexo devolvia a imagem de uma menina jovem demais para o peso do mundo, mas com os olhos cheios de uma determinação dolorosa. Se iam roubar o seu futuro, ela mesma escolheria o que fazer com o seu presente. Determinada a não entregar o que tinha de mais valioso para uma pessoa qualquer, Verônica se deita com uma única certeza, de escolher ela mesma a quem se entregar. Com as mãos trêmulas, ela liga para a única pessoa que dizia ser sua amiga, uma das copeiras
Verônica torcia para que o pai estivesse tão ocupado, ao ponto dele não poder cumprir o que havia dito. Preferia a fúria da água fria na pele, o açoite do vento e os sapatos ensopados a ter que participar de qualquer plano obscuro de Coutrin, mesmo que ainda não soubesse o tamanho daquela sujeira. Para o seu azar Coutrin já a esperava com o sedã importado do patrão. Verônica já havia recebido Carona do pai, mas aquela era a primeira vez que sentia o peso no ar, era físico, era preocupante, ela sentia-se, não como uma filha recebendo um favor, mas como uma peça de xadrez sendo movida à força em um tabuleiro de interesses sórdidos. Quando Verônica abriu a porta do passageiro, sentando-se no banco da frente e o seu olhar cruzou, pelo retrovisor, com um par de olhos verdes, atentos no banco de trás. Eram olhos afiados, que pareciam ler sua alma. O impacto daquela intensidade a fez desviar o rosto imediatamente, baixando a cabeça, murmurando um boa noite inaudível. O cheiro de carr
Quando morava com o pai, Verônica vivia em estado de alerta, e mesmo quando estava dormindo acordava com o barulho da porta se abrindo. Se o estalo seco da fechadura fosse o único barulho, significava que o pai tinha obtido sucesso na mesa de jogo. Nesses dias, havia comida farta, promessas vazias e um alívio que durava pouco tempo. Quando a porta batia com força, fazendo as janelas da sala tremerem, o estômago de Verônica se contraía instantaneamente. Aquele estrondo era o eco de mais uma mesa de pôquer perdida, de mais um cavalo que cruzara a linha de chegada atrás dos outros, de mais uma parte do salário que evaporava antes mesmo de pagar as despesas da casa. Viver com Coutrin era caminhar em um campo minado. A mesa da cozinha, que deveria ser um lugar de afeto, transformava-se frequentemente no cenário de ameaças de um futuro no mínimo monstruoso. Verônica decorou a fisionomia de cada cobrador que batia à porta e aprendeu a mentir com uma frieza que a assustava, dizendo que







