LOGINTudo começou com uma simples atração. Sendo Verônica a filha do seu motorista, não demorou para Carlos a conhecer depois que Coutrim ficou viúvo. Coutrim passou a pedir autorização para buscar ou levar a filha no trabalho, como isso nunca atrapalhou o seu bom serviço, Carlos nunca o impediu de usar o carro para atender a filha.
Na época ela parecia ser tímida, sempre fugindo do seu olhar, mas ele pensou ser por ele ser o patrão do seu pai. Acreditava ser um desconforto pela posição social talvez, até mesmo porque ele sempre a via com roupas simples, mas estava sempre maquiada e com os cabelo bem penteados. Desde que a conheceu a achou bonita, mas optou por manter distância, não queria problemas com empregados e por mais que Coutrim fosse para ele diferente dos outros funcionários que tinha, ainda assim era o seu empregado e jamais permitiria que ele brincasse de contos de fadas com a sua filha. Na época, Carlos havia sido abandonado por Letícia, que tinha como namorada desde a época da faculdade. Para o fim do namoro, Letícia alegou ser por não querer mais esperar pela decisão dele em se casar com ela, já que ele nunca mencionava a palavra noivado e muito menos casamento. Letícia não estava errada em pensar que ele não quisesse se casar, mas Carlos não achou que a desculpa fosse um motivo justo para o fim do namoro, afinal de contas, eles eram mais casados que muitos casais que conheciam, moravam praticamente juntos, mas para ela um sobrenome valia mais que tudo, ele pensou ao vê-la terminar o namoro em lágrimas que não o comoveu, apenas o irritou, por acreditar que ela não o amasse, só queria o prestígio de ser a esposa de Carlos Martins, o empresário mais prestigiado da época. Quando eles se formaram na faculdade resolveram montar a própria empresa de acessoria empresarial, como Carlos tinha boas condições financeira, já que os pais sempre foram ricos, não encontrou dificuldades, já para Letícia, que sempre demonstrou ter mais do que tinha na verdade, não seria fácil, mesmo assim, por serem namorados, Carlos a aceitou como sócia, ficando ela com um pequeno percentual do negócio, mas esse percentual a ajudou a chegar onde estava, dando a ela uma vida financeira que sempre quis ter. Mesmo trabalhando juntos Letícia nunca falou em reatarem, por isso Carlos acreditou ser melhor se manter distante e quando ela disse que precisava se afastar da empresa por um tempo, Carlos achou boa a ideia de se distanciarem, por isso, não a impediu de ficar meses afastada de suas obrigações no trabalho. Foi nessa época que ele se envolveu com Verônica, isso é, se ele podia chamar de envolvimento o que aconteceu entre eles. Tudo aconteceu quando ele aceitou ir na inauguração da boate de seu irmão mais novo, Matheus. Lá ele se encontrou com Luiz e descobriu que Coutrim foi contratado para ser o chefe de segurança da boate, Carlos só não sabia como ele iria conseguir conciliar os dois empregos, mas isso já não era problema seu, ele pensa, desde que Coutrim continuasse fazendo bem o seu trabalho. Naquela noite ele se deparou com uma Verônica diferente. Ela usava os cabelos ruivos soltos, caindo em cascatas pelas costas, seus olhos, que antes pensou serem castanhos estavam em um tom de mel evidente, talvez por sua maquiagem carregada , que os destacava. Sua boca estava convidativa, com um batom vinho, que realçava o seu sorriso de dentes perfeitos. Ele estava no bar, na companhia de Matheus quando ela se aproxima e, pela primeira, vez lhe sorri. — Olá! — Ela o cumprimenta se debruçando no balcão o olhando sorrindo, recebendo dele um aceno de cabeça — Não imaginei te encontrar aqui. — Por que não? — Carlos na época pergunta sem entender. — Você é muito sério — Ela responde, pegando a sua bebida. — Ponha tudo o que ela consumir na minha conta — Carlos fala para o barmam que já o conhecia. — Não vai me apresentar a sua amiga? — Mateus sorri para Verônica que retribui o sorriso, mas sem se demorar, já que a atenção dela aquela noite parecia estar totalmente direcionada a Carlos. — Ela é a filha de Coutrim, o seu chefe de segurança — Carlos a apresenta — Verônica, não é esse o seu nome? — Não pensei que se lembrasse, nos vimos tão poucas vezes e praticamente não nos falávamos. — Seu pai fala muito bem de você, talvez por isso eu tenha gravado o seu nome. — Com essa beleza, não foi por Coutrim viver a elogiando que guardou o nome dela — Matheus implica com o irmão — Fique a vontade, se o meu irmão já não tivesse se oferecido para pagar o seu consumo eu me ofereceria.Depois de trocar de roupa, vestindo um dos vestidos que havia deixado para trás quando foi embora, cuidar de Charlotte, dando-lhe um banho e a vestindo feito uma boneca de vitrine, Verônica desce as escadas novamente, carregando a filha no colo e, no peito, a prece silenciosa para que os próximos passos não colidissem com nenhuma nova tempestade antes mesmo de alcançar o desjejum. Charlotte, alheia às tensões da casa, já balbuciava reclamações infantis, cobrando a primeira refeição do dia. O desejo de Verônica ruiu no último degrau, ao se deparar com Letícia, que ostentava um sorriso vitorioso e uma postura arrogante, como se a esperasse para afrontá-la novamente. A vontade que rugiu em seu peito foi a de mandá-la para o inferno, mas a dignidade exigiu o silêncio e Verônica optou por ignorá-la friamente. Ao passar pela sala de jantar, os olhos de Verônica captaram o detalhe cruel na mesa posta, apenas dois lugares estavam arrumados. O recado implícito era claro. A noite anterior, s
Aquela noite, Verônica deitou-se com o ouvido atento aos sussurros da casa, nutrindo a secreta e dolorosa esperança de que a maçaneta girasse e Carlos cruzasse o porta. Carlos, por sua vez, travava uma batalha contra os próprios impulsos, pela vontade insana de romper o espaço entre eles. Apenas uma porta de madeira o separava da mulher que dominava seus pensamentos, e a tentação de abrir aquela porta, e tomá-la nos braços quase o venceu. Foi uma madrugada de tortura mútua, ambos se revirando na cama entre os lençóis, desejando o encontro com o outro para acalmar o desejo avassalador que lhes queimava a pele. Mostra da paixão que os dominava, mas que o orgulho não os deixava confessar, os fazendo passar a noite quase toda em claro. Letícia, que havia ido embora na noite anterior com o ódio escondido atrás de sorrisos de compreensão, também não teve uma noite das melhores, com a mente fervilhando em ciúmes, por imaginar Carlos e Verônica dormindo juntos, afinal, ela acreditava que
Carlos para por um instante, a silhueta imponente recortada contra a luz fraca da sala de jantar., ele observa a reação de Verônica a cada proibição, chegou a pensar que ela não questionária, mas pela primeira vez ele a viu o desafiando com os olhos. — Está me dizendo que eu virei sua prisioneira?— Verônica pergunta imaginando não ser capaz de cumprir a risca tudo o que ele enumerou — Por um acaso cometi algum crime para que eu não possa ir nem mesmo na esquina? — Estou lhe dizendo que você esgotou minha cota de confiança — Carlos respondeu, limpando os cantos da boca com o guardanapo de linho. — A partir de hoje, você só cruza aqueles portões se for ao meu lado, ou com minha permissão. — Isso é um absurdo! — Verônica responde chocada com as exigências do marido, ela não se importava de fazer as refeições na cozinha, não se importava de não poder transitar pela casa, mas romper os portões daquela mansão de gelo a fazia se sentir livre, a fazia manter os pés no chão, a fazia ter es
Veronica o serve nervosa, se servindo em seguida. Carlos cortava a carne com uma precisão cirúrgica, o tilintar do talher contra a porcelana sendo o único som a preencher o vazio entre os dois. Verônica mantinha os olhos fixos no próprio prato, sentindo o peso do olhar dele sobre ela. Carlos é objetivo, por acreditar que a obediência incluía tudo relacionado ao que ela podia ou não fazer.. — Eu disse para você não manter contato com o verme do seu pai— A voz de Carlos soa mansa, desprovida de qualquer exaltação, o que a tornava ainda mais aterrorizante. Ele pousa o garfo com elegância, antesdecontinuar — Mas você não apenas manteve contato com ele, como também repassou para ele todo o dinheiro que te dei como pagamento por cuidar de Charlotte, mesmo ela sendo também sua filha — Carlos fala visivelmente irritado, mas sem alterar o tom da voz — Você realmente me julga tão idiota a ponto de patrocinar os vícios daquele homem a quem chama de pai? Verônica engole em seco, o peito aperta
Letícia ao ouvir as palavras de Carlos estancou. A taça de vinho tremeu levemente em suas mãos, fazendo com que ela quase deixasse cair uma gota do precioso vinho que ela desgustava. Uma onda de fúria e humilhação subiu por seu pescoço, mas os anos de convivência com Carlos a haviam ensinado a ler os limites dele. Ela sabia que bater de frente com o empresário naquele momento significaria o seu descarte definitivo de sua vida social. Engolindo o próprio orgulho, Letícia disfarçou o seu ódio com a decisão dele, forçando os músculos da face a relaxarem em um sorriso plástico e ensaiado. — Claro, querido. Você tem toda a razão me desculpe por ter me precipitado — Letícia disse, a voz suave, embora os olhos queimassem de rancor ao fixarem-se em Verônica. — Afinal, Charlotte precisa ficar perto do pai, e a mãe deve estar acessível também. Vou eu mesma verificar a arrumação do quarto. Com licença. Ela deu as costas com elegância, caminhando a passos firmes em direção às escadas, cont
A postura de Letícia faz Verônica imaginar que teria que suportar a presença dela na casa como a mulher de Carlos e não mais como uma visita que ia e vinha quando bem quisessem. Vestida em um vestido de seda de tom neutro que parecia moldado ao seu corpo, Letícia exalava uma sofisticação gélida e minuciosamente calculada. A precisão com que os seus dedos longos sustentavam a haste da taça de cristal deixava claro que ela tinha plena consciência do próprio poder; sua aura de elegância simplesmente asfixiava o ambiente. Verônica por sua vez, sentia o peso da própria humilhação, se sentindo envergonhada por estar vestida com uma calça jeans desbotada pelo tempo e uma camisa qualquer, vestida às pressas no puro reflexo de quem quer apenas esconder os vestígios da farinha de trigo que a rotina lhe impusera. Letícia a olha com desprezo e a passos lentos e cadenciados, ela começa a se aproximar como uma serpente que calcula o momento certo para dar o bote. — Ora, vejam só quem o Ca







