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Capítulo 3 — O Primeiro Erro

Autor: Annie_mds
last update Fecha de publicación: 2026-05-29 11:12:09

Às dez e vinte da manhã, Maya já havia aprendido três coisas sobre trabalhar para Alexander Vance.

A primeira: ele não repetia ordens.

A segunda: não gostava de esperar.

A terceira: aparentemente, considerava cinco minutos de atraso uma espécie de crime corporativo.

Maya descobrira isso quando retornou da sala do financeiro com o relatório que ele havia solicitado.

Colocou os documentos sobre a mesa.

— Aqui está.

Alexander ergueu os olhos do computador.

— Eu pedi às dez e quinze.

Maya olhou para o relógio.

10h20.

— O departamento financeiro demorou para liberar.

— E você esperou?

— Não. Eu cobrei três vezes.

Alexander fechou o notebook lentamente.

— Então por que demorou?

Maya respirou fundo.

— Porque eu não posso arrancar documentos das mãos de outras pessoas.

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

— Poderia ter me informado.

— O senhor estava em reunião.

— E?

Maya piscou.

— E eu não quis interromper.

Alexander apoiou os antebraços sobre a mesa.

— Se alguma coisa atrasa meu trabalho, você me informa. Não importa se estou em reunião.

— Entendido.

— Ótimo.

Maya virou-se para sair.

— E, Maya?

Ela parou.

— Sim?

— Não peça desculpas por coisas que não foram culpa sua.

Ela o encarou por um instante.

— Certo.

Saiu da sala.

No corredor, soltou um suspiro.

Esse homem é impossível.

Mas havia algo estranho.

Alexander era rude.

Frio.

Exigente.

Ainda assim, não era injusto.

Ele havia reconhecido que o atraso não tinha sido culpa dela.

Maya voltou à sua mesa.

Pouco depois, o telefone interno tocou.

— Secretaria do senhor Vance.

— Maya? É Helena.

— Sim?

— Preciso que leve esses contratos para ele.

— Agora?

— Agora.

Maya pegou a pasta.

Quando entrou na sala de Alexander, encontrou-o em uma videoconferência.

Ele ergueu os olhos e fez um gesto para que ela deixasse os documentos sobre a mesa.

Maya assentiu.

Deu dois passos.

Então percebeu que uma das páginas estava fora de ordem.

Parou.

Olhou novamente.

Havia alguma coisa errada.

Voltou algumas páginas.

Leu o documento.

Seu coração acelerou.

— Senhor Vance...

Alexander levantou um dedo, indicando que aguardasse.

Maya permaneceu em silêncio.

A reunião terminou alguns minutos depois.

Alexander fechou o computador.

— O que foi?

Ela colocou o contrato diante dele.

— Acho que há um erro aqui.

Ele olhou para o documento.

— Onde?

Maya apontou para uma cláusula.

— A porcentagem de participação está diferente da versão anterior.

Alexander pegou o contrato.

Leu.

Sua expressão mudou.

Muito pouco.

Mas mudou.

— Quem preparou isso?

— O jurídico.

Ele pegou o telefone.

— Chame o diretor jurídico.

Maya ficou ao lado da mesa.

Poucos minutos depois, um homem entrou.

— Senhor Vance?

Alexander levantou o contrato.

— Explique.

O homem examinou o documento.

Seu rosto perdeu a cor.

— Eu... acredito que tenha sido um erro de revisão.

Alexander levantou-se.

— Um erro?

— Sim.

— Um erro que poderia custar milhões à empresa.

O homem engoliu em seco.

— Vou corrigir imediatamente.

— Vai.

Ele apontou para a porta.

— E descubra como isso passou por três revisões.

O homem saiu.

Maya permaneceu imóvel.

Alexander olhou para ela.

— Como percebeu?

— Li.

— Apenas isso?

— O senhor me pediu para conferir os documentos.

— A maioria das pessoas confere o nome e a assinatura.

Maya deu de ombros.

— Eu prefiro ler.

Alexander a observou por alguns segundos.

— Continue fazendo isso.

Ela sorriu discretamente.

— Isso foi um elogio?

— Não se acostume.

Maya quase riu.

---

No final da tarde, a chuva havia engrossado.

Maya estava terminando algumas tarefas quando seu celular vibrou.

Ela olhou para a tela.

O nome fez seu estômago se contrair.

Lucas.

Seu ex-noivo.

Ela ficou olhando para a mensagem durante alguns segundos.

Precisamos conversar. É importante.

Maya apagou a tela.

Não responderia.

O telefone vibrou novamente.

Maya, por favor.

Ela apertou os lábios.

Por que ele não conseguia simplesmente aceitar?

Depois de tudo o que havia acontecido, ainda queria conversar.

Ela guardou o celular na bolsa.

— Algum problema?

Maya levantou a cabeça.

Alexander estava parado diante da porta.

— Não.

Ele olhou para ela.

— Tem certeza?

— Tenho.

Alexander pareceu perceber a mentira, mas não insistiu.

— Pode ir para casa.

Maya pegou a bolsa.

— Obrigada.

Passou por ele.

— Maya.

Ela parou.

— Sim?

— Amanhã quero você comigo na reunião das nove.

Ela assentiu.

— Estarei aqui.

— Não se atrase.

Ela revirou os olhos discretamente.

— Não vou.

Alexander percebeu.

— Algum problema?

Maya o encarou.

— Nenhum.

— Então por que revirou os olhos?

Ela congelou.

— Eu não revirei.

— Revirei os olhos por você?

Maya segurou a vontade de rir.

— Talvez o senhor esteja cansado.

Alexander estreitou os olhos.

— Boa noite, Maya.

— Boa noite, senhor Vance.

Ela saiu.

No elevador, finalmente permitiu-se sorrir.

Talvez aquele trabalho não fosse tão ruim.

---

Do lado de fora do prédio, Maya abriu o guarda-chuva.

Não percebeu o carro preto estacionado do outro lado da rua.

Dentro dele, Lucas observava.

Ele havia esperado quase uma hora.

Quando viu Maya sair, abriu a porta.

— Maya!

Ela parou.

Seu sorriso desapareceu.

Lucas atravessou a rua.

— Precisamos conversar.

— Não.

Ela tentou continuar andando.

Ele segurou o próprio impulso de segui-la.

— Eu sei que você está com raiva.

Maya virou-se.

— Raiva?

A chuva batia contra o guarda-chuva.

— Você me traiu.

Lucas abaixou a cabeça.

— Eu errei.

— Não foi um erro.

A voz dela tremeu, mas não recuou.

— Foi uma escolha.

Lucas deu um passo à frente.

— Eu ainda amo você.

Maya sentiu o peito apertar.

Por um instante, lembrou-se de todas as promessas.

Depois lembrou-se da outra mulher.

— Eu não amo mais você.

Lucas ficou imóvel.

Ela virou-se e foi embora.

Alexander continuou diante da janela, observando o homem que discutia com Maya sob a chuva.

O rosto lhe era familiar.

Alexander estreitou os olhos.

Lucas Almeida.

Claro.

Ele já havia visto aquele homem em reuniões do setor imobiliário e em alguns eventos empresariais. A família Almeida possuía participação em um grupo de investimentos que, inclusive, já havia tentado negociar com a Vance Holdings.

Mas havia uma coisa que Alexander ainda não sabia.

Por que Lucas Almeida estava atrás de Maya?

E, principalmente, por que Maya parecia tão afetada pela presença dele?

Alexander pegou o telefone.

— Daniel.

— Sim?

— Quero o histórico completo de Lucas Almeida.

Daniel fez uma pausa.

— Almeida... da Almeida Capital?

— Exatamente.

Alexander voltou os olhos para a rua.

— E descubra qual é a relação dele com Maya Rodrigues.

Dessa vez, o silêncio de Daniel durou um pouco mais.

— Entendido.

Alexander desligou.

Só então percebeu que estava apertando o telefone com força demais.

Não gostou da sensação.

Muito menos do interesse que começava a sentir por uma mulher que, oficialmente, era apenas sua funcionária.

E ele não gostava de perder o controle.

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