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Após onze anos nos Estados Unidos, Henry Salvattore estava de volta à Itália para assumir os negócios da família. Seu avô, Lorenzo Salvattore, enfrentava problemas de saúde e já não podia liderar a presidência da empresa. Para retornar, Henry impusera apenas uma condição: total discrição. Não queria a imprensa à sua porta, tampouco especulações de tabloides e revistas sobre sua vida pessoal ou a transição na companhia.
O RETORNO Ao desembarcar no aeroporto de Milão, Matteo, o motorista particular do avô, já o aguardava. — Boa noite, Senhor Salvattore. Fez uma boa viagem? Perguntou o motorista, solícito. — Sim, Matteo. Apenas um pouco cansado pela jornada. Vamos, estou ansioso para rever meu avô. Henry respondeu, deixando transparecer o cansaço no olhar. — Claro, senhor. Seu Lorenzo está bastante ansioso por sua chegada. Acomodaram-se no carro e deixaram o aeroporto rumo ao nobre bairro de Porta Romana, famoso por suas avenidas arborizadas e imponentes mansões. Ao chegar, Henry foi calorosamente recepcionado por Ludovica, a governanta, uma senhora alta e magra que servia à família há anos. — Seja bem-vindo, Sr. Henry! Seu avô o aguarda na sala de estar. Henry agradeceu com um aceno e caminhou até o cômodo. Ao ver Lorenzo sentado em uma cadeira de rodas, seu coração apertou. Não imaginava que o estado de saúde do avô estivesse tão debilitado. Esforçou-se para engolir a tristeza, ajustou a postura e anunciou suavemente: — Boa noite, vovô. Estou de volta. O idoso girou a cadeira de rodas imediatamente. Um sorriso radiante iluminou seu rosto cansado enquanto exclamava: — Mio nipote, mio figlio è tornato, che gioia! Henry não conteve as lágrimas. Curvou-se e envolveu o avô em um abraço demorado. Lorenzo transbordava orgulho ao reencontrar o neto. Após o jantar, o idoso recolheu-se cedo para descansar, conforme as recomendações médicas. Henry fez o mesmo, vencido pelo jet lag. No dia seguinte, seu compromisso prioritário seria assumir a liderança da empresa, cujas obrigações presidenciais vinham sendo negligenciadas devido à ausência de Lorenzo. Na manhã seguinte, Henry acordou disposto. Ainda era cedo, mas fazia questão de tomar o café da manhã com o avô antes de partir. Lorenzo já estava à mesa, degustando uma xícara de chá, quando o neto se aproximou. — Bom dia, Henry! Pensei que dormiria até mais tarde. Já que está de pé, junte-se a mim. — Bom dia, vovô! Sorriu Henry. — Quero ir logo cedo à empresa. Lorenzo expressou surpresa e satisfação ao perceber a proatividade do jovem executivo. — Fico feliz com seu retorno, meu filho. Estava preocupado com o futuro dos negócios; há meses não tenho condições de conduzir reuniões ou viajar a trabalho. Henry encarou o avô com firmeza e tranquilidade: — Fique em paz, vovô. A partir de hoje, eu me encarrego de tudo. Já contatei a Srta. Fiorella Donato e pedi que convocasse uma reunião de emergência com os diretores e acionistas para hoje. Lorenzo assentiu, satisfeito: — Perfeito. Na empresa, todos já foram instruídos a manter sigilo. Sua imagem não será divulgada, nem mesmo aos funcionários. Por enquanto, você ainda é um mistério para a maioria. — Agradeço a precaução. Prefiro que conheçam Henry Salvattore no momento oportuno. Despediu-se com gentileza e seguiu para o coração financeiro de Milão. Pouco tempo depois, seu carro se aproximava do Distrito Empresarial de Porta Nuova, onde o imponente arranha-céu da família se destacava na paisagem urbana. Meia hora depois, o clima na sala de reuniões da Ala A era de uma expectativa silenciosa e quase tátil. A iluminação embutida refletia no tampo de vidro da imensa mesa oval, onde os principais executivos da Salvattore Technologies aguardavam o momento que definiria o futuro da companhia. Henry adentrou o recinto com a postura natural de quem carrega o peso de um legado, mas domina o ambiente. Com um aceno firme, quebrou o silêncio: — Bom dia a todos. Agradeço a pontualidade. Por favor, acomodem-se. O rastro suave das cadeiras de couro se ajustando foi o único ruído antes de Fiorella Donato, a secretária executiva, intervir com sua eficiência habitual. Em movimentos precisos, distribuiu pastas pretas gravadas com o selo dourado da empresa. Cada dossiê continha o relatório detalhado de rendimentos e perdas dos últimos seis meses. Ao longo do encontro, a competência e a autoridade do novo CEO ficaram evidentes para todos os presentes. No encerramento do expediente, Fiorella aproximou-se para informar que entraria em licença de duas semanas a partir do dia seguinte, sua lua de mel, há tempos postergada. Henry compreendeu perfeitamente a situação, ciente de que, diante da ausência temporária da secretária, precisaria contratar o quanto antes um assistente pessoal de sua extrema confiança.PRÓLOGO VINTE ANOS DEPOIS...O ar na sala principal da mansão Salvattore estava denso, quase sufocante. A poeira dançava no facho de luz da tarde, mas o verdadeiro perigo vinha das mãos tensas de Henry Salvattore. Suas veias saltavam enquanto seus dedos prensavam a garganta do jovem diante dele.— Henry, querido, por favor, solte o rapaz!Zoe avançou, a voz trêmula de pânico, cobrindo as mãos do marido com as suas.— Você vai matá-lo sufocado! Solte o pescoço dele, Henry!— Rapaz?! Henry rugiu, o rosto inflamado pela fúria, os olhos cravados no jovem que mantinha sob seu domínio. — Ele não é a porra de um simples rapaz, Zoe! Você faz ideia do que ele faz no escuro?! Ele mata pessoas a sangue frio! Sabe realmente quem ele é?! Nossa filha enlouqueceu de vez! Eu sabia... eu sabia que era um erro desgraçado ter deixado a Giovanna estudar em Nápoles. E olha o que ela nos trouxe de volta! Um Caccini! Um maldito Caccini.Henry desferiu um empurrão velado, mas o rapaz mal vacilou a base, m
Um mês depois, a mansão Moretti parecia um cruzamento entre um desfile da alta costura italiana e um parque de diversões fora de controle. O motivo? O aniversário de dois anos da pequena Gianne, que já governava a casa com punho de ferro e tutu cor-de-rosa.— Juliana estava radiante com pequeno Matteo nos braços. Com apenas trinta dias de vida, o menino era a cara do pai: a mesma cara de bravo, só que em miniatura. A lista de convidados parecia a chamada de uma cúpula da máfia, reunindo os clãs Rossi, Mancini, Salvattore e o casal Isabel e Alessio. Por exigência expressa da aniversariante (que bateu o pé como uma verdadeira diva), o tema era "Princesas da Disney". O jardim, banhado por um sol de fim de tarde digno de filme, virara um mar de balões rosa-choque. No meio do caos, o jardim era um campo de batalha infantil. Henrico (5 anos) e Giovanna (2 anos e 8 meses), filhos de Zoe e Henry, lideravam uma correria desenfreada. Logo atrás vinha Ginevra (2 anos e 7 meses), herdeira de
Três meses se passaram em um piscar de olhos, e lá estava Nicola, devidamente paramentado com uma touca cirúrgica verde que destruía qualquer resquício de sua elegância, segurando a mão de Juliana com a força de quem se segurava no topo de um penhasco. Matteo estava prestes a fazer sua grande estreia mundial. O nome já fora decidido há semanas, após intensos debates dignos de um comitê da ONU.Por mais radiante que estivesse, Nicola parecia à beira de um colapso sensorial. Era aquele terror visceral que só surge quando se ama alguém ao ponto da insanidade, o pavor assombrado de que o passado se repetisse, lembrando-se do traumático parto de Caterina. Ele apertava a mão de Juliana tanto que os dedos dela já mudavam de cor.— Querido... se você quebrar a minha mão, eu não vou conseguir segurar o nosso filho.Sussurrou Juliana, entre uma respiração profunda e uma risada contida.Antes que Nicola pudesse pedir desculpas e ter um teto preto ali mesmo, a obstetra interrompeu o pânico com a
Três meses após descobrir a gravidez, Juliana teve a confirmação médica: esperava um menino. Era oficial. Lá vinha o pequeno imperador, o herdeiro legítimo do império Moretti e de todos os neurônios que Nicola certamente perderia nos meses seguintes. E outra alegria invadiu o grupo de amigas, Isabel acabará de receber seu positivo, estava grávida de cinco semanas. Aos seis meses, Juliana descobriu que a gestação era uma montanha-russa insana. Por um lado, seus hormônios haviam transformado seu libido em um vulcão em erupção. Ela não podia olhar para o marido dobrando uma camisa que já começava a salivar. Nem se reconhecia mais, parecia uma adolescente tarada presa no corpo de uma grávida. Nicola, claro, não reclamava de absolutamente nada. Usava a clássica desculpa tática: "O médico disse que não podemos fazer desfeita aos desejos do bebê".Por outro lado, o universo cobrava o seu preço. O cansaço era devastador, mas o verdadeiro vilão da história atendia pelo nome de enjoos matinais
— Gianne, você foi promovida a irmã mais velha!O tempo pareceu parar. Nicola arregalou os olhos, o ar fugindo por um instante dos seus pulmões enquanto o cartão quase escorregava de seus dedos.— Você... você está grávida, meu amor?Gianne, ao notar a comoção geral e a vibração na sala, levou as duas mãozinhas ao rosto e soltou um grito fino e genuíno de alegria, contagiada pela festa que nem conseguia mensurar completamente.Juliana aproximou-se do marido, acariciando-lhe o rosto com ternura.— Sim, meu amor. O nosso sonho começou. Você vai ser pai novamente e a Gianne ganhará um irmãozinho ou irmãzinha.Dominado por uma emoção avassaladora, Nicola ajoelhou-se sem hesitar e pressionou os lábios com imenso afeto contra a barriga ainda plana de Juliana, num gesto de profunda devoção.Donato, o patriarca e avô de Nicola, ergueu sua taça com o rosto iluminado.— Que notícia gloriosa, minha querida Juliana! Que bênção para a nossa família!Os pais de Nicola não continham o riso e as lágr
O sol já ameaçava despontar no horizonte, tingindo o céu daquela ilha paradisíaca em tons suavemente dourados e rosados, quando a exaustão finalmente venceu a paixão. O dia havia sido longo, mas a noite pertencera inteiramente a eles. Enredados em lençóis de linho e no calor da pele um do lado do outro, Nicola e Juliana entregaram-se ao sono, exaustos de tanto se amarem. Aquela semana de lua de mel em um refúgio isolado e profundamente afrodisíaco parecia um sonho suspenso no tempo. A brisa marinha e o isolamento foram o cenário perfeito para que aproveitassem cada minuto, selando o amor que os unira de vez. Ao regressarem à Itália sob a penumbra da noite, a realidade os acolheu com a doçura de um lar pronto. Juliana já havia organizado sua mudança para o sofisticado apartamento de Nicola antes mesmo do altar; agora, eram verdadeiramente uma família. A pequena Gianne, de apenas dois anos e três meses, permanecia morando na imponência da mansão Moretti sob os cuidados carinhosos dos







