LOGINNo dia seguinte, último turno...
Quase ninguém na empresa, hora de retirar o lixo, a sala 27 me aguarda, como de costume, lá está ele, com uma blusa social branca, seu relógio de pulso e sua gravata azul, estava tomando mais um café, concentrado, assinava alguns papéis, era difícil identificar.
Me aproximo a porta, e entro sem bater, não quero incomodá-lo, só queria fazer o que sempre faço, mas naquele dia foi diferente.
Meu uniforme azul, tenho que confessar que não me deixava muito atraente, mas poderia estar ali sem roupa, ele nunca olhava para mim, estava ocupado demais fazendo alguma outra coisa.
Aquele dia foi diferente, e eu nem imaginava o que estava me aguardando.
Como ele estava bonito naquele dia, a prepotência e a arrogância só deixavam ele ainda mais irresistível.
Quando fui retirar o lixo, ele estava muito próximo, cheguei a sentir seu perfume, mas quando ergui minha mão, sem querer acabei tocando levemente no copo onde ele estava bebendo café, isso foi suficiente para cair em cima da blusa dele...
O tempo parou, depois de anos naquela empresa, eu descobri finalmente o que era ser olhada por aquele homem.
Obviamente ele não me falou palavras muito amistosas, mas e daí?! Quem liga, foi a primeira vez que ele me olhou.
Escutei uma musica romântica ao fundo, tipo aquelas de novela no primeiro encontro do casal, mas minha idealização rapidamente foi interrompida pelo:
- Você é louca?!
- Não Senhor, me desculpa, foi sem querer!
- Você sabe quanto custou essa camisa?! Ela é italiana, essa camisa custa um ano ou dois do seu salário.
- Mas senhor, eu já disse que não foi intencional!
- Eu não quero nem saber, você está demitida!
- O que?! Eu não acredito que o senhor vai me despedi por causa de uma camisa?! Eu trabalho aqui há anos, e por causa dessa bobeira vou ser despedida?!
- Isso não foi uma bobeira! Isso foi absurdo! Quem te deu autorização para se aproximar tanto de mim?! Você é uma faxineira, era apenas para pegar o lixo, e ir embora! E ainda é prepotente, eu estou falando com você, e ainda por cima fica me questionando, a empresa é minha, e eu despido quem eu quiser! Você me ouviu?!
- Muito bem! Minhas orelhas estão bem limpas! Mas acho que o senhor está passando de todos os limites! Eu já disse que não tinha a menor intenção!
- Qual o seu nome?
- Poliana Silva.
- Muito bem, Poliana Silva pode passar no RH, pegue tudo o que te devemos, e obviamente o preço da camisa será descontado do depósito final!
- O que?!
- Isso mesmo, você verá quanto custa essa camisa, quando ver o seu montante negativo!
- Isso é um absurdo! Se seu pai estivesse vivo, isso não aconteceria! Ele pelo menos respeitava os funcionários!
- Mas ele morreu! E quem manda aqui agora, em todo o império Bravo, sou eu!
- Eu não vou aceitar isso assim, é um absurdo! Eu não fiz por querer!
- Senhorita faxineira, pegue suas coisas, e vá até o RH! Não tenho mais nada para discutir com a senhora!
- Tudo bem, mas eu vou deixar uma coisa bem clara, isso não vai ficar assim!
- Isso é uma ameaça senhorita Poliana?!
- Interprete como quiser!
- Até que você é bem corajosa para uma faxineira!
- Como o senhor é preconceituoso!
- Não senhorita, eu sou prático! Agora se retire, eu não tenho mais tempo para perder com você!
- Isso não vai ficar assim, eu vou te processar!
- Fique a vontade senhorita! Faça o que quiser!
Sai daquela sala, já era! Trabalhei vários anos naquela empresa, eu fui despedida só por que derramei um pouco de café na camisa dele! Era um completo absurdo, mas não vou ficar pra trás não, a história do processo era pra valer!
Cheguei na minha casa, e obviamente a raiva me consumia, mas eu tinha uma idéia.
Vou até o advogado que representa a empresa Bravo, se chama Gimenes. Isso! Vou até lá fazer uma reclamação formal, eu não vou me conformar com isso!
E o que desenha o destino?
Na manhã seguinte cheguei até o escritório desse advogado, confesso que estava intimidada, o lugar colocava uma banca muito respeitosa, mas segui em frente, a minha raiva era tão grande, que deixei o medo de lado, e tomei uma dose dupla de coragem.
Era a chance da minha vida, é bem verdade que eu tinha que marcar hora com o advogado Gimenes, mas alguma coisa estava conspirando ao meu favor naquele dia.
Falei com a secretária do advogado, e pronto, lá estava eu.
Esperei por trinta minutos, e ele me recebeu, seu rosto era amável, e sua personalidade era bastante amistosa, desde a primeira vez que vi o senhor Gimenes, sabia que iria me dar muito bem com ele.
- Olá senhorita, seu nome é Poliana Silva, não?!
- Isso mesmo, eu trabalhava como faxineira na empresa do senhor Lauro Bravo.
- E como foi sua experiência?!
- Trabalhei lá por muitos anos, inclusive quando o senhor Júlio ainda controlava tudo, e depois obviamente também fiquei um período com o senhor Lauro.
- E qual é o motivo da reclamação, minha secretária disse que a sua demissão não foi por justa causa?! Conte-me mais sobre isso.
- Bom, eu estava limpando as salas, como faço todos os dias, e sem querer encostei no copo em que o CEO estava bebendo seu café, e foi suficiente para um pouco cair em cima da sua blusa, e aqui estou eu, essa foi a minha “causa injusta”! Por isso quero reivindicar os meus direitos, ou o senhor acha que eu não tenho motivo?!
- Isso é um completo absurdo, Lauro está perdendo cada vez mais o senso de respeito por seus funcionários! Senhorita Silva, realmente a sua reivindicação faz muito sentido, isso é o mínimo que eu posso falar, e em nome das empresas Bravo, eu quero lhe pedir as mais sinceras desculpas por esse comportamento inaceitável de Lauro Bravo.
- E qual será as próximas providências?
- Bom, a senhorita Silva, você sabe que eu represento a empresa Bravo, mas nesse caso, queria lhe dizer que seria com imenso prazer, que aceitaria ser o seu advogado, vamos mover uma ação contra a Bravo Companhia.
- Mas eu não tenho dinheiro para pagar seus honorários!
- Não tem nenhum problema! Essa causa eu representarei com gosto, sabe senhora Silva, eu também comecei de baixo, meu pai foi faxineiro por vários anos, e se não fosse pelo trabalho dele, eu não estaria aqui!
- Poxa, eu não sabia, e fico tão agradecida com a sua boa vontade.
- Não tem nada senhorita Silva, mas deixa eu te dizer uma coisa, espero que ache que o meu comentário será fora d lugar, mas você me faz lembra alguém conhecido, o seu jeito, seu olhar.
- Quem?!
- Não sei falar exatamente, mas parece que eu já conhecia a senhorita antes.
- Deve ser um engano, eu nunca tinha falando com o senhor antes!
- Eu sei, mas não sei explicar de onde vem essa sensação! Mas vamos parar com essa conversa, me diga uma coisa?! Eu preciso de alguns dos seus dados pessoais, nome dos pais, endereço, local de nascimento, esses detalhes para se mover uma causa.
- Bom, posso dizer para o senhor que eu não sei nenhuma dessas informações, não sei que são os meus pais, não sei onde nasci, só sei que quando cheguei a esse mundo, foi levada para um lar de adoção, nunca tive uma família, nunca tive ninguém nesse mundo.
- Lar de adoção? Perguntou curioso o senhor Gimenes.
- Sim, um lar de adoção, morei lá por vários anos da minha vida.
- Engraçado, não têm muitos lares de adoção em Alvorada!
- Realmente, acho que têm uns três ou quatro.
- Como eu não tinha pensado nisso antes?! Pensa alto o advogado Gimenes.
- Pensado no que?
- Nada senhorita, e qual é mesmo o se nome completo?
- Poliana Silva. Sem nome do pai ou da mãe.
- Ok, sem nome do pai ou da mãe. Escreve Gimenes em uma folha.
Porém o que mais marcou Gimenes, foi quando Poliana, em um gesto inconsciente, colocou o cabelo para um lado, revelando assim uma marca de nascença no pescoço, o advogado ficou anestesiado, e não pôde acreditar no que estava vendo, Júlio Bravo tinha aquela mesma marca de nascença, não era possível?!
- A sua marca!
- Qual, a do meu pescoço?! Odeio ela, desde criança.
- Meus Deus! A sua marca! Disse Gimenes com um brilho nos olhos. O advogado estava perplexo.
- O que a minha marca?!
- Nada, nada...
Gimenes não poderia falar nada para Poliana, pelos menos por agora, ele tinha que comprovar, mas não era possível?! Será? Era ela? Que apareceu assim, no escritório do advogado, por uma casualidade do destino, não foi necessário nem mesmo procurá-la!
- Senhorita Poliana, você poderia me dar o seu endereço, seu número, para mantermos contato?! Sabe, para o caso.
- Claro, vou deixar tudo, e muito obrigada de verdade pela ajuda!
- Então, aguarde a minha ligação.
- Com certeza, vou aguardar.
Lauro:Quando eu a vi, não acreditei, pensei que que fosse uma miragem, e me dei conta que a mulher só fica mais bonita com o tempo!Me aproximei lentamente, bem lentamente…E nos entregamos à paixão, aquela paisagem, aquele momento, aquilo iria direto para minha galeria de memórias inesquecíveis…Nós nos beijamos, e não é exagero da minha parte dizer, que eu estava completamente louco por aquela mulher, ela sem saber, era a minha dona…Antes eu era de todas, e hoje sou unicamente dela…Nesses cinco anos não consegui fazer sexo com nenhuma mulher, estava sedento de desejo, porque só pensava nela..Só nela, só Poliana…O encontro dos lábios reacendeu uma paixão adormecida, que voltou com força total…Me torturava saber que ela estava com outro homem, mas isso já não importava, ela tinha que ser minha só por mais uma vez…- Faz amor, por favor, eu esperei muito tempo por isso!!! -Ela pegou na minha mão, e me conduziu para a cabana, eu fui, estava sedento por aquilo, precisava estar com
Advogado de defesa: - Sem mais perguntas meritíssimo…Juiz – Por favor Promotor, a testemunha é toda sua…Promotor: - Obrigada meritíssimo, não posso esconder que estava muito ansioso para interrogar a primeira testemunha de defesa, por se tratar de Poliana Oliveira Bravo.Aqui nós temos um caso realmente interessante, quem vive em Alvorada, sabe do histórico odioso que ambas as famílias, tanto Oliveira quando Bravo, nutrem nessa região…E aqui estamos falando de uma híbrida, já que a senhora Poliana, é metade Oliveira e metade Bravo…Além de tudo, era uma amiga íntima da vítima Justine Peres…Curiosamente, penso que Poliana não está descrevendo corretamente seu ex-marido, já que tenho provas que o relacionamento dos dois nunca foi um mar de rosas..Vamos ao primeiro indício, e espero que a senhora Poliana me responda apenas sim ou não…- Segundo relatos dos vizinhos de Poliana e Lauro, os dois não tinham uma convivência nada monótona. Eles moravam na cobertura, e vizinhos confirmavam
Catarine Almeida Bravo chega para conversar com a ex-nora…- Quando me disseram, eu não pude acreditar, minha ex-sogra frequentando a minha casa! O que devo a ilustre visita?! - Pergunta Poliana…- Eu não venho por vontade própria, venho a pedido do meu filho! Ele pediu pra você visitá-lo na prisão! - Diz Catarine…- E como eu posso fazer isso, se ele é o principal suspeito de ter matado a minha amiga Justine… -- Não se engane Poliana, ele não matou ninguém! O meu filho não é um assassino! -- Engraçado, agora que sou digna de você me chamar de Poliana, porque antigamente vocês todos me chamavam de bastarda! E não pense que eu esqueci que você foi a autora intelectual daquele plano absurdo, o casamento, as procurações, e todo o roubou… - Diz Poliana…- Eu não nego! Fiz tudo isso, e quem sabe nós realmente cometemos um erro! Mas o meu filho te devolveu tudo, não foi?! -- Como você é soberba Catarine, ainda não se deu conta que tudo aquilo foi sim um erro, e que ele me devolver o que
Justine está se debulhando em lágrimas ali do lado….Lauro dá uma última olhada em Poliana, e vira as costas para ir embora…Mas é interrompido pela doce voz da herdeira, que diz:- Lauro… Espera…Imediatamente Lauro se vira esperançoso para ouvir o que Poliana tem a dizer…Ela vai em direção ao CEO e dá um abraço forte nele, os dois quase se beijam, mas Poliana evita, a herdeira por fim diz sua última frase:- Seja feliz Lauro! Seja feliz! Porque eu vou tentar ser feliz…Lauro olha pra ela, dá um beijo na sua testa, e vai embora, deixando Poliana com o coração apertado…Justine parece que está assistindo um filme, onde o final não é feliz, e fica desesperada com aquele desfecho. Será que aquele é o final?Lauro fica observando do lado de fora da igreja…Justine faz uma última pergunta para Poliana:- Você tem certeza que você quer se casar com o Cristiano?- Eu não posso desistir agora Justine…- Não é uma questão de poder ou não, e sim de querer! E com esse homem que você quer realm
E então morreu…E daí pra frente você já sabe a história…Júlio assumiu a culpa pela morte de Roberto Oliveira, mesmo ele não tendo disparado contra o carcamano…Mas tinha que fazer isso, já que Catarine tinha salvado sua vida, Júlio para agradecer, criou os três filhos de Catarine como sendo seus, eles eram muito pequenos na época, jamais desconfiaram que eram adotados, e Júlio deu um jeito que ninguém comentasse sobre isso na cidade, deu certo, os meninos Bravo nunca sequer cogitaram não serem filhos de Júlio Bravo, toda a verdade só veio a tona após a morte de Júlio…Essa foi a triste história de amor de Lúcia Oliveira e Júlio Bravo, até o último dia ele tentou te encontrar, até o último dia da sua vida, ele amou sua mãe…Por isso senhora Poliana, seja feliz nessa vida por três motivos, pela sua mãe, seu pai e seu bebê…Seja feliz, pois a vida é curta, e tudo pode acabar de uma hora para outra...Poliana beija as mãos de Frida e a agradece por ela ter contado toda a verdade...Após
Júlio ficou frio, distante, nada o comovia, nem as lágrimas de Lúcia…- Meu Deus! Você, você está igualzinho a imagem da minha memória, fiquei com tanto medo de que ela fosse aos poucos se apagando…- Engraçado, o que mais eu pedi para Deus nesses anos, foi que ele tirasse a sua imagem da minha mente…Obviamente Lúcia não entendeu o comentário de Júlio, por que ele estava tão frio?!- Júlio, não entendo, por que você está dizendo tudo isso pra mim?!- Não se faça de inocente, e nem muito menos de desentendida! Eu recebi aquela carta!- Eu sei Júlio, mas você tem que acreditar em mim, eu fui forçada a escrever aquela carta!- Obrigada! E por quem você foi obrigada?!- Meu pai, ele é um mostro Júlio, você sabe disso! Ele me obrigou!- E ele te obrigou também a se casar com outro homem, por favor Lúcia, eu não sou um idiota que vai cair de novo nas suas mentiras!- Eu não menti pra você em nenhum momento Júlio! A única inverdade foi aquela carta, que jamais foi escrita por vontade própri







