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last update Fecha de publicación: 2026-07-25 09:53:39

Fernand

Acelero o Aston Martin pelo valet do restaurante Teiju, parando rente ao tapete da entrada. Desligo o motor, ajeito o paletó feito sob medida e deixo o ar sair lentamente pela boca.

Abro o celular esperando uma notificação de Artur.

Nada.

De canto de olho, vejo Bianca retocar o batom vermelho. Ela o coloca de volta na bolsa de grife, e não se mexe. Permanece com a postura ereta, o olhar fixo na fachada do restaurante.

Respiro fundo, saio do meu lado e dou a volta no capô. Abro a porta.

Os saltos stiletto finalmente tocam o asfalto com precisão. O vestido de seda emoldura cada curva do seu corpo esculpido. O manobrista quase deixa o ticket do carro cair ao encará-la.

E eu o entendo.

Foi exatamente essa cena magnética que me arrebatou há um ano. Bianca é uma mulher estonteante.

Estendo o cotovelo de forma automática, e ela enlaça seu braço no meu, ajustando a postura para que entremos perfeitamente alinhados. Se ela considerar que está feia em alguma revista, o mundo acaba.

Acompanho-a, controlando o impulso de checar o relógio de pulso. Nesse exato segundo, Artur deve estar puxando a cadeira para negociar a Fazenda Sabiá-Laranjeira em outro restaurante. Eu deveria estar lá. Eu queria estar lá.

Estar aqui é uma contenção de danos. Nada mais do que isso. A imagem do escândalo seis meses atrás ainda queima na minha memória. Bianca surgindo sem avisar no hotel de praia, interrompendo uma decisão decisiva com investidores franceses porque eu não tinha respondido uma mensagem sobre o final de semana. Se eu tivesse dito “não” hoje, ela teria farejado o endereço da reunião.

— Senhor Kestrel, uma honra recebê-lo — o maitre nos guia pelo salão de iluminação baixa.

Escuto o som discreto de talheres contra a porcelana, e o jazz de fundo.

Ao chegarmos à mesa, Bianca desfaz o enlace do meu braço quando a cadeira é puxada para ela. Desliza para a banqueta de veludo, acomodando a bolsa sobre o tampo sem sequer olhar para o rapaz que nos atende.

— Vamos pedir um espumante? Comemorar o primeiro aniversário de muitos, Fernand. — ela comenta, repuxando a boca num sorriso meloso que conheço bem.

— Claro — respondo, fazendo um sinal discreto para o sommelier. — Um espumante para começar, por favor.

Faço um movimento calmo no bolso interno do paletó e retiro uma pequena caixa de veludo marinho. Deslizo o estojo sobre a mesa até parar diante das mãos dela.

— Para você. Um pedido de desculpas por hoje.

Os olhos de Bianca brilham instantaneamente. Ela abre a caixinha com rapidez. Um diamante de lapidação impecável reluz sob a luz baixa das velas, cravado em um arco fino de platina.

— Nossa, Fernand! É lindo! — ela exclama, a voz subindo uma oitava, enquanto tira o anel do berço de veludo e o coloca no anelar.

Observo-a admirar a joia, girando a mão para todos os lados. Ela nem desconfia de que a peça foi escolhida à tarde por Alessandra. Minha secretária tem um gosto impecável e levou exatos dez minutos no catálogo da joalharia para resolver o problema que eu criei.

Entrego o presente como quem cumpre um dever contratual. É um gesto calculado de apaziguamento. Dou um sorriso ao pensar na ironia da situação, já que estou presenteando uma mulher com quem planejo terminar antes mesmo que este mês acabe. É um suborno refinado para comprar a paz desta noite, nada mais. 

— Fernand! — Escuto a voz ecoar atrás de mim.

Vicente surge vestido seu dólmã branco impecável, com a postura ereta de quem comanda uma das cozinhas mais premiadas da América Latina.

— Vicente — levanto-me para apertar a mão do meu amigo com firmeza. — Obrigado por isso. Sério.

— Para você, o salão sempre tem espaço, meu amigo. — Vicente sorri, inclinando a cabeça respeitosamente para Bianca. — Boa noite, Bianca, preparei um menu especial para vocês esta noite.

— Espero que esteja no nível da joia que acabei de ganhar. — ela sorri.

Vicente pisca para mim de leve, diplomático.

— À altura da ocasião. Aproveitem.

Quando o chef se retira, o garçom serve as primeiras taças. Bianca ergue a dela para um brinde, ainda hipnotizada pelo brilho do anel.

Sob a mesa, aproveito a distração para puxar o celular do bolso e deslizar o polegar pela tela. Uma nova notificação de Artur surge no topo.

Abro a mensagem esperando o pior.

“O velho veio sozinho... e topou fechar negócio agora”

Um nó se forma na minha garganta. Encaro as letras na tela cinza enquanto o espumante borbulha na taça diante de mim. Artur está prestar a assinar a compra da fazenda sem que eu esteja lá para conduzir os termos do contrato.

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Último capítulo

  • O CEO e a boiadeira    33

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  • O CEO e a boiadeira    29.

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  • O CEO e a boiadeira    28

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