LOGINDAMIEN SINCLAIR Alguns dias haviam se passado desde o incêndio, mas a sensação de que alguma coisa estava errada ainda permanecia. O prédio da Northbridge Advisory estava interditado enquanto as autoridades continuavam investigando as causas do incêndio. Felizmente, a empresa tinha seguro, e boa parte dos prejuízos seria coberta pela apólice. Ainda assim, eu sabia que Savannah não conseguiria simplesmente ficar parada esperando tudo ser resolvido. Por isso, tomei uma decisão. Cedi a ela um dos prédios pertencentes à Sinclair Corporation. Era uma propriedade que estava praticamente vazia, com escritórios suficientes para acomodar toda a equipe da Northbridge e uma estrutura adequada para que eles continuassem trabalhando enquanto o prédio original fosse reconstruído ou recuperado. Não era a solução definitiva, mas era a mais rápida. Assim, pelo menos, Savannah e seus funcionários teriam um lugar seguro para trabalhar. O problema era que Savannah parecia considerar aquilo u
DAMIEN SINCLAIR Eu precisava encontrar Julian Kensington. A imagem da Northbridge em chamas continuava presa na minha cabeça. As sirenes, a fumaça, os funcionários feridos, Savannah parada diante do prédio destruído. E, acima de tudo, as palavras que ela havia repetido sobre a conversa que tivera com Julian no dia anterior. Quando cheguei à sede da Blackthorne Global Holdings, entrei pelo saguão sem diminuir o passo. O segurança se colocou na minha frente, bloqueando minha passagem de forma impositiva. — Senhor, preciso saber quem o senhor veio procurar — ele falou em um tom calmo e neutro que mascarava sua desconfiança. — Julian Kensington. — O senhor tem horário marcado? — Não — respondi, tentando ignorar o bloqueio dele. Ele continuou bloqueando minha passagem, seu corpo parecendo uma parede de pedra na minha frente. — Então preciso que aguarde na recepção enquanto verifico se ele pode recebê-lo. — Não precisa verificar. Grunhi e passei dele com mais facilidad
SAVANNAH SINCLAIR O caminho de volta para casa foi silencioso. Damien não tentou conversar durante o trajeto e eu também não encontrei forças para quebrar o silêncio. Permaneci olhando pela janela, vendo as ruas passarem enquanto tentava compreender como uma manhã que havia começado com desenhos feitos por Noah nos meus documentos tinha terminado com a minha empresa em chamas. Quando chegamos à mansão, Damien saiu primeiro e abriu a porta para mim. Assim que entrei, encontrei minha avó na sala, acompanhada da babá. Noah estava sentado no tapete com alguns brinquedos espalhados ao redor, enquanto Nicholas brincava próximo dela. Ao me ver, Noah se levantou no mesmo instante. — Mamãe! — exclamou, correndo até mim e me abraçando pela cintura. Abaixei-me e o apertei contra meu corpo. — Oi, meu amor. — Você demorou. Engoli em seco, lembrando de tudo o que havia acontecido. Troquei um rápido olhar com a babá e, felizmente, ficou claro que ninguém ali tinha deixado as crian
SAVANNAH SINCLAIR — A senhora interpretou isso como uma ameaça? — um dos policiais perguntou olhando para mim pronto para anotar algo em sua prancheta. — Naquele momento, não tinha certeza. — falei, mas minha voz saiu mais baixa. — Agora não consigo deixar de pensar nisso. O policial me observou antes de fechar parcialmente a prancheta. — Senhora Sinclair, precisamos que a senhora nos conte tudo o que lembrar sobre essa conversa. Não significa que estamos apontando um suspeito. Precisamos apenas estabelecer uma linha do tempo e entender o que aconteceu antes do incêndio. Assenti, respirando fundo antes de continuar a falar. — Eu vou contar tudo o que lembrar... Antes que pudesse continuar, ouvi alguém chamar meu nome. — Savannah! Reconheci aquela voz de imediato. Virei-me e vi Damien atravessando a movimentação do outro lado da barreira, acompanhado pelo meu motorista. Ele caminhava depressa, ignorando os olhares ao redor, com o rosto tomado por uma preocupação que eu raram
SAVANNAH SINCLAIR Meu motorista chegou ao meu lado. — Senhora Sinclair, por favor, venha comigo. Eu mal conseguia ouvi-lo. Tudo o que conseguia pensar eram nos meus funcionários. Nas pessoas que estavam lá todas as manhãs, nas mesas, nos computadores, nos arquivos, nos documentos e na minha sala. Pessoas que trabalhavam em cada canto do prédio. Uma lembrança atravessou minha mente com uma força quase física. "Seria uma pena deixar que circunstâncias externas interferissem no trabalho de uma empresa tão promissora." a voz de Julian falou em minha mente, antes de dar lugar a outras frase. "Espero que, quando decidir, ainda encontre tudo exatamente como deixou." Congelei ali entre policiais e ambulâncias, apenas conseguindo olhar novamente para o prédio em chamas. "Não." pensei "Tudo isso não podia ser coincidência. Não depois de tudo o que havia acontecido, depois de eu recusar assinar o contrato ou depois de Julian ter ido pessoalmente à minha empresa." — Senhora Sin
SAVANNAH SINCLAIR Fechei os olhos e comecei a contar mentalmente: um, dois três... Continuei contando até dez porque sabia que, se falasse antes disso, provavelmente diria alguma coisa que não deveria. Quando abri os olhos, Noah ainda sorria. — Mamãe, olha. Fiz um desenho aqui para você. Ele apontou para uma das páginas. Olhei para um enorme boneco de palitos ao lado de algo que parecia ser um cachorro. — Ficou... lindo, filho. — falei, estendendo a mão. — Agora me dá a caneta. Ele entregou, aproveitei para pegar os documentos, virando algumas páginas para verificar o estrago. Era pior do que eu imaginava. Havia desenhos, estrelas, riscos coloridos e pequenas anotações de Noah espalhadas por várias páginas. Algumas folhas estavam completamente inutilizadas. Nicholas, percebendo que a brincadeira havia terminado, tentou alcançar os papéis. — Não, Nicholas. Esses também não. — Peguei-o no colo e o afastei da mesa. — Vocês dois estão proibidos de trabalhar com a mamã







