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Capítulo 3 – Uma proposta inesperada

last update publish date: 2026-06-14 01:31:05

Helena tentou esquecer Gabriel Valença.

Tentou.

Mas havia algo naquele homem que permanecia em sua mente.

Não era o dinheiro.

Ela já tinha conhecido muitos homens ricos na Eclipse.

Homens que entravam pela porta acreditando que o mundo inteiro deveria se curvar diante deles.

Gabriel era diferente.

E isso era justamente o que a incomodava.

Ele não tinha tentado impressioná-la.

Não havia feito promessas.

Não havia usado o nome ou a influência.

Apenas observou.

Como se estivesse tentando entender quem ela era.

— Você está pensando nele de novo.

Helena levantou os olhos.

Sarah estava encostada no balcão, segurando uma bandeja.

— Não estou.

Sarah sorriu.

— Está sim.

— Ele é apenas um cliente.

— Um cliente que ficou olhando para você durante quase uma hora.

Helena voltou a organizar as garrafas.

— Talvez ele estivesse olhando o movimento.

— Claro. E eu sou a rainha da Inglaterra.

Helena riu.

Mas não respondeu.

Porque, no fundo, sabia que havia algo diferente naquela noite.

Do outro lado da cidade, Gabriel Valença estava em uma reunião que normalmente prenderia sua atenção.

Normalmente.

Mas naquela noite, sua mente estava em outro lugar.

— Você não ouviu nada do que eu disse.

Marcus fechou uma pasta sobre a mesa.

Gabriel ergueu os olhos.

— Ouvi.

— Mentira.

O amigo cruzou os braços.

— Você está pensando nela.

Gabriel permaneceu em silêncio.

O que era uma resposta.

Marcus soltou um suspiro.

— Isso é realmente estranho.

— O quê?

— Você.

Gabriel arqueou uma sobrancelha.

— Explique.

— Você passa anos dizendo que pessoas são previsíveis. Que todos têm um preço. Que todos querem alguma coisa.

Gabriel ficou sério.

— E normalmente querem.

— Mas ela não quis nada.

Essa frase ficou no ar.

Porque era exatamente isso que incomodava Gabriel.

Helena Parker não tentou conseguir nada dele.

Nem atenção.

Nem dinheiro.

Nem vantagens.

Ela apenas fez o trabalho dela.

E enfrentou um homem poderoso sem pensar duas vezes.

— Descubra mais sobre ela.

Marcus sorriu.

— Sabia.

— Sabia o quê?

— Que você ia pedir isso.

Na noite seguinte, Helena estava novamente atrás do balcão da Eclipse.

A rotina parecia igual.

Mas algo estava diferente.

Ela sentia.

Como se esperasse alguma coisa.

Ou alguém.

Pouco antes do fim do turno, o gerente apareceu.

— Helena.

Ela olhou para ele.

— Aconteceu alguma coisa?

— Tem alguém esperando por você.

Ela franziu a testa.

— Quem?

Antes que ele respondesse, uma voz conhecida surgiu atrás dela.

— Eu.

Helena se virou.

Gabriel Valença estava ali.

Sem a área VIP.

Sem a presença de seguranças.

Sem parecer alguém que precisava provar quem era.

Apenas um homem parado diante dela.

— O senhor novamente.

Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele.

— Esperava uma recepção melhor.

— Não prometi uma.

Gabriel quase sorriu.

Era exatamente essa resposta que ele esperava.

— Posso conversar com você?

Helena cruzou os braços.

— Sobre o quê?

— Sobre trabalho.

Ela ficou surpresa.

— Trabalho?

— Sim.

— O senhor veio até aqui para falar de trabalho comigo?

— Vim.

Ela analisou o rosto dele.

Tentando descobrir se havia alguma segunda intenção.

— Por quê?

Gabriel respondeu sem hesitar:

— Porque vi você resolver uma situação que muitas pessoas mais experientes não conseguiriam.

Helena ficou em silêncio.

Aquilo ela não esperava.

Ele não estava falando da aparência dela.

Nem tentando elogiá-la de uma forma vazia.

Ele estava falando daquilo que ela tinha feito.

— Eu só estava fazendo meu trabalho.

— Exatamente.

A resposta dele veio rápida.

— Pessoas competentes normalmente dizem isso.

Helena desviou o olhar.

Não estava acostumada a receber aquele tipo de reconhecimento.

— Ainda não entendo o que quer comigo.

Gabriel tirou um cartão do bolso.

Mas não entregou imediatamente.

— Tenho uma proposta profissional.

Ela olhou para o cartão.

Depois para ele.

— Que tipo de proposta?

— Uma que exige alguém com sua capacidade.

— E por que eu?

Gabriel a encarou.

— Porque você não mudou seu comportamento quando descobriu quem estava na sua frente.

Helena ficou quieta.

Aquela resposta tinha mais peso do que deveria.

— Um jantar.

Ela franziu a testa.

— Um jantar?

— Quero explicar a proposta com calma.

— Isso parece uma entrevista de emprego estranha.

— Talvez seja.

Ela quase sorriu.

Quase.

— E se eu não aceitar?

Gabriel deu de ombros.

— Então eu vou respeitar sua decisão.

Aquilo chamou a atenção dela.

Porque era a primeira vez que ele dizia algo que ela esperava ouvir de um homem como ele.

Ele não exigiu.

Não pressionou.

Não tentou comprar uma resposta.

Apenas esperou.

Helena pegou o cartão.

Os dedos dos dois se tocaram rapidamente.

Um contato simples.

Mas suficiente para os dois perceberem algo que nenhum deles queria admitir.

Havia uma atração ali.

— Amanhã.

Gabriel olhou para ela.

— O quê?

— O jantar.

Um sorriso discreto apareceu no rosto dele.

— Às oito.

Ele se afastou.

Helena ficou observando enquanto ele desaparecia pela saída.

O cartão ainda estava em sua mão.

E uma pergunta começou a crescer em sua mente.

Por que um homem como Gabriel Valença precisava tanto de alguém como ela?

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