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CAPÍTULO 17

Author: Euridce
last update publish date: 2026-09-11 20:52:02

Alexander Blackwood

Dinheiro compra quase tudo.

Casas.

Carros.

Viagens.

Segurança.

Silêncio.

Até pessoas, se você estiver disposto a pagar o preço.

Mas existe uma coisa que nenhum bilionário consegue comprar:

companhia verdadeira.

Eu descobri isso cedo.

Só demorei muitos anos para admitir.

Minha cobertura tinha quarenta e dois cômodos.

Era grande demais para uma pessoa.

Às vezes, eu atravessava um corredor inteiro sem encontrar ninguém.

Não havia brinquedos.

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    Alexander Blackwood Durante toda a minha vida, as pessoas aprenderam a manter distância. Não precisei pedir. Meu sobrenome fazia isso por mim. Blackwood. Um nome construído sobre dinheiro, influência, negócios e medo. Quando eu entrava em uma sala, as conversas diminuíam. Quando eu fazia uma pergunta, alguém imediatamente procurava a resposta. Quando eu dizia não, quase ninguém ousava insistir. Eu era considerado um homem intocável. E, durante muito tempo, gostei dessa reputação. Até perceber que ser intocável significava também não permitir que ninguém chegasse perto o suficiente para tocar aquilo que realmente importava. Na manhã seguinte ao evento, acordei antes do despertador. Não era comum. Fiquei alguns minutos olhando para o teto. Minha mente deveria estar ocupada com os problemas da empresa. O conselho. Os investidores. Meu pai. O casamento. O futuro da Blackwood Empire. Mas eu só conseguia pensar em Evelyn. No vestido vermelho.

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    Evelyn Alexander segurou minha mão. — Venha. — Para onde? — Para um lugar onde ninguém vai incomodar você. Levou-me até uma varanda privada. A cidade brilhava abaixo. O ar estava frio. Ficamos em silêncio. — Melhor? — Sim. Ele apoiou os braços no parapeito. — Sabe o que vejo quando olho para você? Meu coração acelerou. — O quê? — Uma mulher que passou tanto tempo tentando desaparecer que esqueceu que merece ser encontrada. As lágrimas chegaram antes que eu pudesse impedir. — Não diga coisas assim. — Por quê? — Porque eu posso acreditar. Ele me olhou. — Talvez devesse. Uma lágrima caiu. Alexander levantou a mão. Com delicadeza, enxugou-a. — Não chore por causa das palavras de outras pessoas. — Eu não sei como parar. — Então não pare. Ele aproximou-se. — Só não permita que elas decidam quem você é. Fiquei olhando para ele. Naquele momento, o homem poderoso desapareceu. Não havia bilionário. Não havia presidente. Não h

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    Evelyn Durante muito tempo, eu achei que ser invisível era uma forma de proteção. Se ninguém olhasse para mim, ninguém poderia me julgar. Se ninguém me notasse, ninguém poderia rir. Se ninguém esperasse nada de mim, eu nunca decepcionaria ninguém. Foi assim que aprendi a sobreviver. Eu diminuía a voz. Escondia o corpo. Evitava fotografias. Recusava convites. Sentava nos cantos. E, principalmente, nunca permitia que alguém percebesse o quanto eu desejava ser vista. Porque desejar ser vista significava correr o risco de ser rejeitada. E eu já havia sido rejeitada vezes demais. Naquela noite, eu estava diante do espelho. O vestido vermelho estava sobre a cama. O mesmo vestido que eu havia usado no meu primeiro encontro com Alexander. Eu ainda não entendia por que ele havia gostado. Não entendia como um homem como ele poderia olhar para mim e enxergar alguma coisa além das imperfeições que eu via todos os dias. Passei a mão pelo tecido. — Você con

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    Evelyn Na manhã seguinte, acordei com a sensação de que alguma coisa havia mudado. Não sabia exatamente o quê. Minha vida continuava igual. O mesmo apartamento. O mesmo trabalho. As mesmas contas. As mesmas inseguranças. O mesmo espelho diante da cama. Mas eu não era exatamente a mesma mulher que havia acordado no dia anterior. Talvez porque, pela primeira vez, eu tivesse saído para jantar com um homem sem passar a noite inteira pensando em como esconder meu corpo. Talvez porque Alexander tivesse me olhado como se eu não precisasse esconder absolutamente nada. Ou talvez porque eu tivesse gostado. E isso era o que mais me assustava. Eu tinha gostado dele. Peguei o celular. Nenhuma mensagem. Fiquei alguns segundos encarando a tela. Depois ri de mim mesma. — Patético, Evelyn. Joguei o celular sobre a cama. Cinco segundos depois, peguei novamente. Nada. Suspirei. Eu estava esperando uma mensagem de um homem que provavelmente tinha centenas de pessoas esperando por

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    Evelyn Pedimos o jantar. No começo, conversamos sobre coisas simples. Filmes. Livros. Música. Viagens. Descobri que Alexander gostava de música clássica. — Não consigo imaginar você ouvindo música. Ele ergueu uma sobrancelha. — Por quê? — Você parece alguém que trabalha até durante uma sinfonia. Ele riu. Um sorriso verdadeiro. Fiquei olhando. — O quê? — perguntou. — Nada. — Está olhando. — É que. Parei. — É estranho ver você sorrindo. — Você gosta? Meu coração tropeçou. — Talvez. — Talvez? — Sim. Ele sorriu novamente. — Então vou considerar isso uma aprovação. Depois do jantar, caminhamos pelas ruas. A noite estava agradável. As luzes refletiam nas vitrines. Pessoas passavam ao nosso redor. Por alguns minutos, esqueci quem ele era. Esqueci quem eu era. Éramos apenas duas pessoas caminhando. Até que uma mulher passou por nós e reconheceu Alexander. — Senhor Blackwood? Ele parou. Ela sorriu. — Posso tirar uma fotografia? Alexander concordou. El

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