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7. A família Montenegro entra em cena

Penulis: A.C. Borges
last update Tanggal publikasi: 2026-08-20 04:35:35

POV: Isadora Montenegro

Bati a porta do gabinete do meu pai com força e joguei a pasta com a cópia da contraproposta em cima da mesa de vidro dele.

Daniel Montenegro continuava sentado atrás da escrivaninha, com os óculos na mão e uma expressão carregada que não conseguiu desarmar a tempo.

— Você se encontrou com ele — afirmou, sem levantar da cadeira. — No restaurante do nosso prédio, Isadora? Em pleno horário de almoço?

— O Rafael queria urgência, e eu não ia subir trinta e oito andares
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  • O CONTRATO DIZIA APENAS NEGÓCIOS (Ele Exigiu Rendição)   21. O escritório vira campo de guerra

    POV: Isadora Montenegro O crachá magnético preto com letras prateadas sobre a minha mesa tinha o meu nome gravado com clareza cirúrgica: DRA. ISADORA MONTENEGRO Diretora de Compliance e Governança Corporativa Eram oito horas e quarenta da manhã de terça-feira. A minha sala no trigésimo sexto andar da sede da Ferraz Nexus tinha vista para a Marginal e espaço suficiente para seis assessores, mas a atmosfera que vinha do corredor parecia densa o bastante para cortar com uma lâmina. Eu não precisava ser vidente para saber o que os funcionários e gerentes cochichavam perto da máquina de café. Para aquele prédio, eu não era a especialista que passou os últimos sete anos desmontando fraudes e bloqueando manobras societárias nos tribunais. Eu era a mulher que havia se casado com o presidente da holding em uma manobra relâmpago de fim de semana para salvar as ações da família Ferraz. Uma intrusa com um anel de diamante no dedo e um cargo decorativo no organograma. A porta de vidro jate

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    POV: Rafael FerrazO celular na minha mesa não parava de vibrar há quarenta minutos.Eram oito horas da manhã de segunda-feira. Antes que eu pudesse abrir a primeira pasta de auditoria do dia, Marcelo empurrou a porta do meu gabinete com o tablet nas mãos e um meio sorriso que raramente deixava escapar em horário de expediente.— Você já abriu as notícias hoje, Rafael?— Eu trabalho com infraestrutura e tecnologia, Marcelo, não com entretenimento — respondi, sem desgrudar os olhos do monitor. — Se for outra matéria do Nogueira sobre a assembleia, mande o jurídico despachar uma notificação extrajudicial.— Não é o Nogueira — Marcelo colocou o tablet sobre a mesa, deslizando a tela com o polegar. — É a coluna social do Estadão e o feed dos três maiores portais de finanças. Alguém na mansão do seu pai tirou uma foto durante o jantar de sábado e vazou para os bastidores do mercado.Puxei o aparelho para perto, os ombros tensos, esperando ver algum flagrante embaraçoso de desentendimento o

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    POV: Isadora MontenegroO eco dos passos de Rafael se afastando pelo corredor deixou a sala de jantar em um silêncio opressor.Helena Ferraz não se mexeu. Continuou apoiada no encosto da cadeira onde o irmão estivera sentado segundos antes, girando a taça de vinho pela haste com uma elegância preguiçosa. Só os olhos permaneciam imóveis, cravados em mim.— Você joga bem, Isadora — a voz dela saiu suave, cortando o ar da sala. — Na coletiva de imprensa, você parecia a advogada perfeita defendendo uma união histórica. Aqui nesta mesa, engoliu o veneno do meu pai sem piscar uma única vez. É uma performance impressionante para quem está noiva há menos de uma semana.Apoiei os braços no assento da cadeira, sem desviar os olhos dos dela.— Não é performance, Helena. É compostura. Uma habilidade básica para quem precisa lidar com conselhos de administração e homens que adoram testar a paciência alheia.Helena soltou uma risada curta, girando o líquido escuro na taça antes de dar mais um gole.

  • O CONTRATO DIZIA APENAS NEGÓCIOS (Ele Exigiu Rendição)   18. Jantar com os Lobos

    POV: Isadora MontenegroA sala de jantar da residência dos Ferraz parecia o cenário de um interrogatório de altíssimo padrão.O lustre de cristal maciço sobre a mesa de vinte lugares iluminava a prataria antiga da família, as taças lapidadas e os rostos das sete pessoas que fingiam estar ali apenas para brindar a um noivado promissor.Eu estava sentada à direita de Rafael, usando um vestido midi verde-esmeralda de corte reto e fechado, com o solitário de platina da mãe dele posicionado de forma impecável sobre a toalha de linho cru.Ao meu lado, Rafael mantinha a postura milimétrica de sempre: o paletó escuro ajustado, a mão esquerda apoiada ao lado do prato e o olhar atento a cada respiração ao redor da mesa.Na cabeceira, Augusto Ferraz presidia o jantar.O patriarca da família parecia ainda mais debilitado do que na reunião da crise: a pele acinzentada, a respiração curta e as mãos manchadas pela idade. Mas os olhos dele continuavam afiados como bisturis. Uma bengala de ébano com c

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    POV: Isadora MontenegroO técnico de redes guardou as ferramentas na maleta e conferiu o painel uma última vez.— Conexão criptografada ponto a ponto estabelecida com a rede da Montenegro Investimentos, doutora. Totalmente segregada da rede doméstica do apartamento.— Excelente. Muito obrigada, Tiago.Acompanhei o rapaz até o elevador e voltei para a biblioteca, onde a mesa de jacarandá — que antes abrigava só uma luminária de design italiano e compêndios intocados de economia — agora acomodava dois monitores, meu notebook blindado e as primeiras pastas de governança da Ferraz Nexus.Eu não estava naquela cobertura para ser uma presença decorativa. Ocupar a biblioteca era estratégia pura, e alinhei o resto com Neusa em cinco minutos: manutenção só às terças e sextas, sempre comigo no apartamento; café da manhã sem horário fixo. A governanta assentiu sem perguntar por quê — vinte anos cuidando da casa de Rafael tinham ensinado a ela quando uma ordem não precisava de justificativa.Enqu

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    POV: Rafael FerrazSete e vinte da manhã.Eu já estava de terno azul-marinho alinhado, sapatos engraxados e a pasta de trabalho fechada sobre a bancada da cozinha.Depois das poucas horas mal dormidas na suíte master, o meu primeiro instinto ao acordar foi restabelecer a ordem. A trégua silenciosa da madrugada, quando dividimos água gelada descalços e olhamos a cidade desarmados, precisava ser soterrada com urgência sob camadas grossas de pragmatismo.Se eu começasse a tratar Isadora Montenegro como uma parceira de verdade em vez de uma aliança de risco, o controle daquela farsa escaparia das minhas mãos antes do fim da semana.O som de saltos firmes na escada de vidro anunciou a descida dela.Isadora entrou na cozinha usando saia lápis preta, camisa de seda branca com os primeiros botões abertos e o cabelo escuro solto caindo pelos ombros. Ela não parecia nem de longe alguém que tinha passado a noite em claro; parecia pronta para tratorar o conselho inteiro da minha empresa.Caminhou

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