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CAPÍTULO 24 – A TERRA DA ESPERANÇA

Author: C.R.SANTOS
last update publish date: 2025-05-26 10:17:55

Após saírem do cemitério, Clara quebrou o silêncio. — A fazenda... Fica a menos de uma hora daqui, não é?

Noah, ao volante, assentiu com um breve olhar. — Quarenta minutos, talvez. Você quer ir até lá?

—Sim... Não posso mais adiar. Ligou para o advogado e, com a voz ainda embargada pela emoção, comunicou sua decisão de conhecer a fazenda que acabara de herdar. Marcaram de se encontrar lá mesmo, em Nacogdoches. Ao entrar na caminhonete, seus dedos trêmulos ainda seguravam o envelop
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    O sol do fim de tarde dourava a poeira que subia na entrada da fazenda de Noah, mas o clima dentro do galpão de leilões tinha sido frio e desolador. O leilão de gado — sua última cartada para levantar a quantia necessária e quitar as dívidas acumuladas com o banco — fora um fracasso. Os lances ficaram muito abaixo da avaliação, e o dinheiro arrecadado mal cobriria os juros da dívida. Noah desceu da caminhonete e bateu a porta com força. Entrou em casa jogando o chapéu sobre a mesa da cozinha, os ombros pesados pelo cansaço e pela frustração. Pouco tempo depois, Clara cruzou a porta. Ela trazia um sorriso leve, ansiosa para saber o resultado, mas a expressão sombria no rosto dele a fez parar a poucos passos.— Como foi no leilão, Noah? — perguntou ela, com a voz suave.Noah nem sequer olhou para ela. Pegou um copo, serviu-se de água e respondeu com um tom ríspido, sem esconder o mau humor:— Um desastre. Não deu nem para metade do que eu precisava. A única solução agora é vender a fazen

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    "Algumas sementes não precisam de solo fértil para florescer — basta o tempo certo, uma faísca de lembrança… e tudo volta a crescer." O cheiro de pão torrado e café passado na hora pairava no ar. Roxane estava à mesa com suas afilhadas, como fazia religiosamente aos domingos. As meninas riam, discutindo sobre roupas e namorados, enquanto ela folheava distraidamente o jornal. Foi então que algo lhe chamou a atenção.Uma pequena nota no canto da página de obituários. Uma foto em preto e branco, envelhecida, e um nome que a fez empalidecer de imediato: Fredrick L. Campbell.O jornal escorregou de seus dedos por um instante, mas ela o agarrou a tempo. Seus olhos fixaram-se naquela imagem como se fosse um fantasma do passado.— Fred... — sussurrou, o nome escapando entre os lábios trêmulos.Um turbilhão de lembranças a invadiu: noites abafadas no celeiro antigo, juras sussurradas ao pé do ouvido e, depois, o silêncio. O abandono.Fazia tantos anos que ela não ouvia falar dele. Est

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    Após saírem do cemitério, Clara quebrou o silêncio. — A fazenda... Fica a menos de uma hora daqui, não é?Noah, ao volante, assentiu com um breve olhar. — Quarenta minutos, talvez. Você quer ir até lá?—Sim... Não posso mais adiar. Ligou para o advogado e, com a voz ainda embargada pela emoção, comunicou sua decisão de conhecer a fazenda que acabara de herdar. Marcaram de se encontrar lá mesmo, em Nacogdoches. Ao entrar na caminhonete, seus dedos trêmulos ainda seguravam o envelope de papel pardo com a carta deixada por Fred.Ela respirou fundo, hesitou por um instante, depois apertou os lábios com decisão. — Preciso ver com meus próprios olhos. Sentir o lugar. Ver se faz sentido.Enquanto saíam de Lufkin em direção a Nacogdoches, o caminho revelou-se uma estrada sinuosa e ladeada por carvalhos centenários. A luz do meio-dia filtrava-se pelas copas, criando sombras que dançavam sobre o asfalto. A tensão entre os dois diminuía à medida que se aproximavam do destino.— Est

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