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O Cachorro ou o Nosso Filho?
O Cachorro ou o Nosso Filho?
Author: Anônimo

Capítulo 1

Author: Anônimo
A tal "emergência" de Fidel Lemos era apenas o fato de que o cachorro de sua ex-namorada, Flávia Cruz, havia morrido, e ele não queria deixá-la sozinha.

Esse foi o motivo de sua partida, a razão pela qual não atendeu minhas ligações.

Depois de desligar, cuidei do funeral do meu filho no automático, como se eu mesma não estivesse mais ali.

Quando a urna com as cinzas do meu filho foi entregue em minhas mãos, eu ainda estava em estado de choque.

Eu não conseguia aceitar que a voz que ontem me chamava baixinho de "mamãe" agora coubesse numa caixa pequena demais para todo o meu amor.

Os parentes e amigos presentes tentavam me consolar, enquanto expressavam descontentamento com Fidel, acusando-o de ser um pai que nem sequer estava presente na morte do filho. Diziam que, mesmo que houvesse um problema enorme, ele deveria ter largado tudo e vindo correndo.

Como Fidel era um jovem empresário de destaque na cidade, naturalmente muito ocupado, todos presumiram que ele tivesse sido retido pelo trabalho.

No entanto, Flávia havia postado nas redes sociais um minuto antes, uma foto de Fidel dormindo, com a legenda: [Obrigada a certa pessoa por me ajudar a superar a tristeza. Trabalhou duro a noite toda sem dormir, agora descanse bem.]

Estive com Fidel por oito anos. Todos achavam que ficaríamos juntos para sempre.

Mas hoje, a realidade cruel me dizia que oito anos de sentimentos, no fim, não passaram de uma ilusão.

Conheci Fidel no início de seu empreendimento. Fui eu quem o acompanhou durante aqueles dias mais difíceis e precários.

Quando nos casamos, ele segurou minha mão com firmeza e prometeu:

— Você é o meu escudo mais sólido.

Guardei essa frase no coração, abri mão da oportunidade de lutar ao lado dele nos negócios e aceitei cuidar de tudo em casa.

Assim que ele chegava, podia comer uma comida caseira fresquinha, de manhã, ao sair, suas roupas estavam sempre combinadas e preparadas por mim na noite anterior.

Depois que nosso filho nasceu, cuidei sozinha de cada detalhe da vida dele.

Apesar de todas as mágoas que guardava, nunca reclamei.

Ao longo desses anos, vi a empresa dele crescer cada vez mais, e ele se tornar cada vez mais ocupado.

Sempre que meu filho chorava pedindo pelo pai, eu o consolava dizendo que o papai era o Super-Homem, que estava fora combatendo os vilões, e que precisávamos compreendê-lo.

Eu achava que bastava esperar a empresa de Fidel se estabilizar. Ainda teríamos muitos dias como uma família de três, não havia pressa.

Até que a primeira namorada de Fidel, Flávia, voltou ao país e se tornou sua secretária. Os dois iam e vinham do trabalho juntos. Fosse em viagens de negócios ou eventos sociais, a figura de Flávia estava sempre ao lado de Fidel.

Eu chegava a sentir um perfume suave e indistinto em suas camisas todas as noites quando ele voltava.

Diante dos meus questionamentos, ele dizia que Flávia tinha acabado de voltar ao país, não conhecia mais ninguém, e que a manteve por perto no trabalho apenas por consideração à antiga amizade.

Eu escolhi acreditar nele.

Porque ele havia dito que eu e nosso filho éramos sua eterna preocupação.

Só que eu esqueci uma verdade simples: gente muda — às vezes sem nem pedir licença.

Agora, era hora de encarar a realidade.
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