เข้าสู่ระบบA salva de palmas ecoou pela propriedade como um trovão, abafando o ronco distante da tempestade que finalmente desabava sobre as colinas. Orestes ergueu a taça de cristal na primeira fileira, o semblante radiante e vitorioso transmitido ao vivo para todo o país, cego para a armadilha que acabara de se fechar sobre o seu próprio pescoço.Enquanto desciam a passarela de vidro sob a chuva de pétalas brancas, Aurora e Endrick mantinham o sorriso impecável exigido pelos fotógrafos, mas a troca de olhares entre o casal e Yann — a passos calculados atrás deles — carregava a frieza de uma sentença cumprida.No topo da colina, o rádio de Martins emitia apenas o chiado estático da frequência morta. O detetive guardou o equipamento na mochila com mãos trêmulas, olhando uma última vez para a mansão iluminada antes de disparar pelo matagal, ciente de que a Polícia Federal já cercava a redação do Informa Capital no centro da cidade. A ameaça do jornalzinho amador fora erradicada antes de atingir a
Os primeiros trinta dias transcorreram sob uma calma claustrofóbica, alimentada pela rotina impecável que Aurora e Endrick encenavam para as lentes dos fotógrafos. Jantares beneficentes, aparições estratégicas na Bovespa e notas pagas nas colunas sociais moldavam a imagem do casal do ano. Mas, nos bastidores da matriz, a tensão consumia cada segundo. Yann passara a dormir no alojamento tático do subsolo, monitorando as telas de segurança em turnos ininterruptos, sabendo que qualquer movimento fora do script faria ruir o frágil castelo de cartas.No sexagésimo dia, o cerco começou a se fechar.Aurora saía de uma reunião de diretoria quando seu celular particular vibrou no bolso. O visor não exibia um número, mas a notificação de um envio confidencial por protocolo criptografado. Ao abrir o arquivo em PDF, o sangue de Aurora gelou: era uma foto em altíssima resolução tirada exatamente trinta minutos após a execução na Central Paralela. O ângulo capturava o momento exato em que Yann e En
Assim que a porta se trancou, Endrick soltou a mão de Aurora como se ela estivesse em chamas, virando-se para o pai com o rosto pálido de fúria e pânico.— Três meses, pai? — Endrick sibilou, a voz trêmula de raiva contida. — Você enlouqueceu?— Eu salvei a sua pele e a reputação deste conglomerado, seu moleque — Orestes respondeu sem desacelerar os passos rumo ao seu escritório privativo. — Se a imprensa desconfia da sua vida pessoal, nós damos a eles o maior espetáculo que este país já viu. Vocês dois têm noventa dias para parecerem o casal mais apaixonado do mercado financeiro.Aurora deu um passo à frente, ajustando o blazer com uma frieza cortante, encarando o sogro de igual para igual.— O senhor jogou alto, Orestes. Uma festa de casamento nos coloca sob o holofote do país inteiro. Se houver uma única falha...— Então não falhem — Orestes cortou, parando na porta do seu gabinete e olhando para Aurora, Endrick e Yann, que vinha no encerramento da fila. — O circo está montado. Daq
A iluminação fria dos refletores da imprensa transformava o auditório do vigésimo andar da sede do Conglomerado Brahzão em um caldeirão fervilhante. O zumbido dos flashes, os disparos contínuos das câmeras e o murmúrio ensurdecedor de dezenas de jornalistas preenchiam o espaço. De um lado, as grandes redes de televisão e os portais financeiros alinhavam microfones de espuma aveludada, prontos para reproduzir o discurso oficial que limparia a imagem do império. Do outro, espremidos no canto esquerdo da sala, repórteres de jornais independentes e investigativos — os "jornalzinhos amadores" que a diretoria sempre tentara calar — seguravam gravadores velhos e cadernos rabiscados, buscando a menor trinca na narrativa da família.A porta lateral da sala abriu-se, e o silêncio caiu como uma guilhotina.Orestes caminhou até a bancada central com a imponência de um monarca que jamais perdera uma batalha. Ao seu lado, mantendo uma postura impecável e mãos dadas em um gesto ensaiado de companhei
Com uma lentidão quase teatral, Aurora deu dois passos à frente. Não havia vestígio de pavor no seu semblante, tampouco a vacilação de quem assume a derrota. Deslizou os dedos finos pelo corpo da caneta, ergueu a cabeça e cravou o olhar no de Orestes. O velho capitão sustentou o confronto visual sem piscar, a postura intransigente de quem jamais cedera em uma mesa de negociações.— O senhor é um estrategista brilhante, Dr. Orestes — pontuou Aurora, a voz aveludada, enquanto ajeitava com frieza a dobra do blazer. — Usou minha ambição para varrer os rastros do Hudllan, explorou a vulnerabilidade do seu filho para reter as rédeas da diretoria e tratou o Yann como uma peça descartável. É quase genial.Ela pousou a ponta da caneta sobre a folha do documento de renúncia. Contudo, não assinou.— Só há um detalhe que o seu relatório de rastreamento ignorou — continuou ela, inclinando o rosto com um sorriso enigmático que cortava a tensão do ambiente. — O senhor realmente acreditou que os cinq
O sedã preto deslizou em silêncio pela brita, parando a escassos dez metros da entrada subterrânea da Central Paralela.Lá dentro, Yann e Endrick recém-haviam terminado de enrolar o corpo do chantagista em uma lona plástica pesada. O suor escorria pelo rosto do herdeiro dos Brahzão, enquanto o segurança mantinha as mãos firmes no nó do cabo de náilon. Aurora, com a mão no corrimão de ferro da escada, ensaiava o primeiro passo para subir até o pátio quando o ruído forte e ritmado de passos pesados ecoou do topo dos degraus.Não eram passos cautelosos de invasores. Era o caminhar calmo e cadenciado de quem é dono do terreno.Aurora travou no lugar. Yann reagiu de imediato, largando a lona e sacando a pistola velada em um único movimento fluido, postando-se à frente de Endrick, que recolheu o fuzil e o apontou para a penumbra da entrada.— Abaixem essas armas — a voz cortou a umidade do porão com a autoridade gélida de uma ordem irrevogável.Orestes surgiu sob o facho amarelado da lâmpad







