MasukCom um puxão brusco e possessivo, Arthur girou ela sobre os saltos de agulha e colou o corpo dela no dele.
O impacto foi devastador. O peito duro e musculoso dele espremeu os seios dela, enquanto as coxas dele travaram os movimentos das pernas dela pela fenda da seda verde. O olhar de Arthur era um abismo a encarando a meros centímetros de distância.
-Temos um problema urgente, minha querida futura esposa. - O tom dele calmo carregado de uma ameaça sensual. - A elite de Manhattan tem faro para o desespero e um radar impecável para farsas. A mídia está quase entrando pelas nossas portas. Se você agir como um porco-espinho raivoso a noite inteira, as ações da minha empresa amanhecerão em queda livre na segunda-feira. E eu não perco dinheiro. Nunca.
-Eu não sou uma atriz treinada. E você não me comprou para ganhar um troféu de cinema. - Elena disse, jogando a cabeça para trás para manter contato visual, os olhos castanhos faiscando de fúria. Ela tentou empurrar ele pelos ombros largos do smoking, mas ele era igual uma parede de pedra. A roçar dos tecidos e dos corpos estavam enviando ondas de eletricidade direto para o pé de sua barriga, e ela odiou a si mesma pela fraqueza.
-Mas você vai atuar a partir desse minuto. -Arthur apertou os dedos na cintura dela, os polegares roçando a pele macia de suas costas, a puxando ainda mais para cima. O quadril dela foi pressionado contra o dele com uma intimidade que não deixava dúvidas sobre a tensão sexual no ar. - Vamos ensaiar o show. Quando as câmeras da Vanity Fair apontarem, eu vou segurar você exatamente assim, como se não pudesse respirar sem você. O que você faz?
-Eu imagino mil maneiras lentas e dolorosas de arrancar o seu coração de pedra do peito, enquanto sorrio largo, - ela sussurrou de volta, a voz falhando no final da frase por causa do calor saindo dele.
-O seu ódio é fascinante, Elena. - O polegar de Arthur subiu devagar do quadril dela, subindo pela lateral até passar pela linha da sua mandíbula. O toque era firme, mas de forma inexplicável suave. - E fica maravilhosa com esmeraldas. Continue me odiando com toda essa paixão. O ódio se traduz de forma espetacular como luxúria nas lentes das câmeras, desde que você mantenha os lábios curvados.
A respiração dele estava irregular agora, dava para ver. O olhar de Arthur saiu dos olhos castanhos e furiosos de Elena, se fixando de forma obsessiva na boca entreaberta pintada de vermelho. Ele inclinou o rosto devagar, diminuindo os poucos centímetros que separavam eles. A bolha de oxigênio ao redor deles pareceu encolher. Elena paralisou por completo, o coração batendo de forma descontrolada na garganta. O cérebro dela gritava para se afastar, mas o corpo inteiro se inclinou de forma traiçoeira na direção do magnetismo que saia dele. Ela estava esperando pelo golpe. Com medo da invasão. Ansiando pelo o que o gosto dele lhe causaria.
No exato segundo em que o lábio dele roçou de forma leve no canto da boca dela, um toque tão quente que fez os joelhos de Elena quase caírem, o som agudo interfone quebrou o silêncio.
Arthur paralisou. O maxilar dele travou com tanta força que o músculo saltou sob a pele. Os olhos cinzentos subiram para encarar os dela mais uma vez, perigosos. Ele a soltou de uma vez, como se o contato de repente o queimasse, e caminhou a passos largos até o painel na parede, a máquina corporativa voltando a assumir o controle.
-Sr. Sterling, - a voz do chefe de segurança soou. - Os primeiros cem convidados acabaram de desembarcar no saguão. A equipe de fotógrafos e os diretores do conglomerado europeu já estão no elevador privativo.
Arthur apertou o botão de confirmação sem dizer uma palavra. Ele ajustou os punhos da camisa branca do paletó, respirou fundo e se virou para Elena. O homem que quase beijou ela com uma fome desesperada tinha sido enterrado. Ele ofereceu o braço esquerdo para ela.
-A hora do show chegou, querida - ele declarou, a voz vazia de qualquer emoção. - Sorria esta noite como se a sua vida dependesse disso. Porque as vidas daquelas crianças do abrigo certamente dependem.
Elena engoliu a náusea, caminhou pelo piso de mármore e enlaçou os dedos no braço do bilionário. Enquanto se preparava para enfrentar os abutres de alta-costura, a ficha caiu com força: atuar como se o odiasse era a sua única defesa real. Porque no instante em que ela começasse a fingir que o amava, corria o risco de esquecer que aquilo era apenas um contrato com o diabo.
O elevador descia rápido demais. Elena sentiu o estômago revirar. O visor digital espelhado no teto marcava os andares diminuindo em contagem regressiva: dez, nove, oito.
Ela esfregou as mãos suadas na lateral do vestido de seda, tomando um cuidado enorme para não amassar o tecido caro. O ar na cabine fechada cheirava a menta e ao perfume amadeirado de Arthur.
Ele estava parado do lado dela, digitando alguma coisa na tela do celular com o dedo. A postura dele era reta, os ombros relaxados no paletó escuro. Nem parecia que, em poucos segundos, eles iam enfrentar uma multidão de fotógrafos e investidores imundos.
Thomas deu mais dois choros curtos, soluçou uma vez, encostou a bochecha gordinha e quente no pescoço de Maya... e parou. O silêncio que se instalou na sala foi tanto que o barulho do motor da geladeira lá na cozinha pareceu um trovão. Leo ficou paralisado. Ele olhou para a esposa. Olhou para o filho. Olhou para o tablet. - O que você fez? - Ele sussurrou, horrorizado. - O que você acabou de fazer? Qual foi a variável que você alterou? - Eu não alterei nada, Leo - Maya riu baixo, fazendo um balanço suave com o quadril. - Ele só estava com calor e queria um abraço de verdade, sem você segurar ele como se ele fosse um vaso de cristal caro que vai quebrar se você apertar. - Eu não estava segurando ele como um vaso! Eu estava mantendo a postura ergonômica recomendada no capítulo quatro do guia de pediatria! - Você parecia um robô de fábrica tentando segurar um passarinho, Leo. Você estava tão tenso que o coitado do menino estava absorvendo o seu pânico. Leo piscou. Ele olhou
- Thomas, escuta o meu raciocínio. Por favor. Só escuta por um minuto. Leo estava em pé no meio da sala de estar, descalço. Nos braços, ele segurava um bebê de três meses que parecia ter a capacidade pulmonar de um tenor profissional. O pequeno Thomas Sterling estava vermelho como um pimentão, com os dois punhos fechados perto do rosto, berrando em um tom contínuo. - A mamadeira foi servida em exatamente trinta e seis vírgula cinco graus Celsius - Leo dizia, mantendo um balanço ritmado. - A fralda foi trocada há dezoito minutos. Não há assaduras. A temperatura do ambiente está fixada em vinte e três graus pelo ar-condicionado. A umidade relativa do ar é de cinquenta e cinco por cento. Thomas, estatisticamente falando, você não tem nenhum motivo para estar chorando. O bebê deu uma pausa de meio segundo para puxar o ar e soltou um grito ainda mais agudo. - Tudo bem. Tudo bem. Vamos revisar as variáveis - Leo murmurou para si mesmo, os olhos esbugalhados focados no tablet pos
- O gato tentou me roubar dois parafusos mais cedo. - Ele comentou, a voz mais calma. - Tive que perseguir o Bug até a cozinha. - O Bug está só tentando garantir que o berço não seja montado, porque ele sabe que vai perder o posto de único ser desta casa que recebe atenção sem fazer nada. - Ela riu, tomando um gole de água. Leo terminou de comer, limpou as mãos na calça de moletom e olhou para Maya. A luz do final da tarde entrava pela janela do quarto, iluminando os fios soltos do cabelo dela e a curva suave da barriga. Ele engoliu em seco, arrastando-se pelo chão até ficar sentado ao lado do banco onde ela estava, apoiando as costas contra a parede. - O médico disse que o desenvolvimento está dentro da curva percentual normal. - Ele começou, a voz baixando de tom. - Vinte e quatro semanas. O peso estimado é de seiscentos gramas. É o tamanho de uma berinjela grande, Maya. Como é que uma coisa do tamanho de uma berinjela vai sobreviver aqui fora? Maya sorriu, esticando a m
O café na caneca de Leo já estava frio há pelo menos quarenta minutos. Na tela do notebook, uma planilha de monitoramento de riscos exibia colunas infinitas de prazos, custos e projeções de rendimento. Ele digitava com a rapidez habitual, o cenho franzido. O som da porta do quarto se abrindo não o fez tirar os olhos do monitor, mas o barulho de algo sendo jogado sobre o teclado do laptop fez seus dedos pararem. Era uma caixa pequena, acompanhada por um bastão fino e um bloco de notas colado em cima. No papel, com a caligrafia rápida e ligeiramente inclinada de Maya, estava escrito em caneta azul: `[LOTAÇÃO DE INFRAESTRUTURA] Erro crítico identificado no sistema. Expansão involuntária do banco de dados em andamento. Prazo estimado de entrega: 36 semanas. Verifique os logs.` Leo piscou. Ele tirou os óculos com a mão esquerda, limpou a lente na barra da camisa e os colocou de volta. Depois, pegou o bastão. Duas linhas vermelhas. - Maya? - Ele chamou. A voz dele saiu num tom
- Está perfeito. - Leo sussurrou. A garganta dele fechou de repente. O ar na sala pareceu ficar rarefeito. Ele apertou a camisa contra o próprio corpo, como se alguém fosse tentar roubá-la. - Muito obrigado, dona Helena. É o melhor material que eu já vi. A mulher bufou, revirando os olhos. Ela deu um passo à frente, quebrando a distância, e jogou os dois braços ao redor do tronco rígido de Leo. O abraço foi esmagador. Não foi um tapinha polido nas costas. Foi um abraço de urso, apertado. Ela encostou o rosto no ombro dele e apertou as mãos nas costas. - Obrigada por cuidar da minha menina, Leo. - Ela murmurou contra o peito dele. - Feliz Natal, meu filho. Meu filho. Aquelas duas palavras o abalaram. Ele não soube como reagir. Os braços dele ficaram paralisados nas laterais do corpo, antes de finalmente subirem de forma desajeitada, as mãos pousando nas costas da mulher mais velha, devolvendo o abraço de forma rígida, mas desesperada. Ele sentiu os próprios pulmões falharem. Um
O ventilador de teto da sala de estar girava na velocidade máxima, balançando perigosamente enquanto tentava, sem muito sucesso, espantar o calor de trinta graus na noite de vinte e quatro de dezembro. As janelas da frente estavam escancaradas para a rua, deixando entrar o cheiro de asfalto quente, o som de fogos de artifício estourando ao longe e a música alta que vinha do rádio do vizinho. Dentro da casa, o som era quase ensurdecedor. Havia pelo menos quinze pessoas espremidas entre o sofá, as cadeiras de plástico trazidas do quintal e o tapete da sala. Duas crianças pequenas, sobrinhos de segundo grau de Maya, corriam em círculos ao redor da mesa de centro, gritando e segurando pedaços de panetone esfarelado. Um tio de voz grave discutia apaixonadamente sobre futebol com um primo encostado no batente da porta, enquanto o som de panelas batendo vinha da cozinha. No centro daquele caos, espremido no canto do sofá de dois lugares, estava Leo. Ele segurava um copo de vidro america







