LOGINEla quase não teve tempo de afastar a seda das pernas quando a campainha da cobertura ecoou pelos corredores silenciosos. Segundos depois, a pesada porta do seu quarto foi aberta sem qualquer cerimônia. Uma equipe de cinco mulheres, todas vestidas em terninhos pretos e carregando pranchetas, invadiu o com a eficiência militar de um esquadrão de choque. Atrás delas, araras de metal se arrastavam pelo piso, ostentando vestidos de alta-costura com capas de plástico, enquanto maletas de couro cheias de maquiagem e caixas eram empilhadas na cama king-size.
Elena foi para trás na cama, puxando o roupão felpudo ao redor do corpo. Ela era tratada não como a dona da casa, mas como um manequim de luxo, uma boneca prestes a ser montada para a vitrine do bilionário. As próximas três horas foram um borrão de humilhação. Dedos puxavam seu cabelo, pincéis muito caros espalhavam camadas de disfarce para sua exaustão, e fitas métricas apertavam sua cintura. O ar do quarto se tornou sufocante, impregnado com o cheiro doce de laquê de grife, pó translúcido e o suor frio do seu próprio nervosismo.
Quando a líder da equipe finalmente fechou o zíper nas suas costas, um silêncio tomou conta do quarto. Elena foi empurrada de forma gentil em direção ao imenso espelho de cristal que ocupava a parede inteira.
O ar sumiu dos seus pulmões.
O vestido era uma obra-prima letal de seda na cor verde-esmeralda. O tecido abraçava suas curvas, escorrendo pelo seu corpo como água. O decote em "V" era profundo, elegante, parando perto do inaceitável, enquanto as costas estavam toda expostas até o início da lombar. Uma fenda rasgava a lateral da saia até o alto da coxa, exigindo que ela ficasse perfeitamente reta. A maquiagem esfumaçada escurecia seus olhos amendoados, e os lábios estavam pintados em um tom de vermelho fosco. Ela parecia uma arma carregada. A arquiteta endividada e desesperada do Brooklyn tinha sido aniquilada, no seu lugar, brilhava uma versão poderosa de si mesma.
- Sr. Sterling está esperando na sala principal para a aprovação final. — A voz da stylist quebrou o transe de Elena.
Ela levantou o queixo, transformando a raiva em uma armadura, e desceu a escada de vidro.
Arthur a esperava no centro da sala de estar. Ele servia dois dedos de uísque puro em um copo de cristal pesado. O terno que ele usava era um smoking feito sobre medida em azul-noite com cetim preto, esculpido nos seus ombros largos que gritava poder e dinheiro. Quando ouviu o clique dos saltos dela no mármore, Arthur se virou.
O copo de cristal parou no meio do caminho até a boca dele.
Por um segundo a máscara inquebrável do CEO de gelo caiu. Os olhos de Arthur escureceram na mesma hora para um tom de chumbo. O olhar dele desceu pela extensão pálida do pescoço de Elena, mergulhou no decote de esmeralda, acompanhou a curva do quadril que a fenda mostrava, e subiu de volta para cravar na boca vermelha dela. A fome crua, possessiva que brilhou naqueles olhos fez o coração de Elena golpear as costelas com força. A tensão sexual incendiou a cobertura inteira.
Mas, tão rápido quanto a máscara quebrou, ele voltou ao normal. Arthur piscou, a frieza substituindo o desejo imenso dele.
-O caimento no quadril é aceitável, embora a fenda esteja perto de ser vulgar para o padrão dos nossos investidores mais conservadores. - A voz dele cortou como um chicote, insensível. Ele largou o uísque no balcão de ônix preto e caminhou na direção dela, segurando uma caixa pequena de couro. - E o seu pescoço está de forma embaraçosa nu. A imprensa se alimenta de detalhes, Elena. Faltava o símbolo de propriedade.
Elena cruzou os braços, ignorando o calafrio que a aproximação dele provocava.
- Não se preocupe, Arthur. O código de barras estampado na minha testa já está visível o suficiente para quem souber ler a sua fatura de cartão de crédito.
-Um código de barras não brilha sobre os flashes dos paparazzi. Isso brilha. - Ele abriu a caixa, revelando um colar pesado de diamantes e esmeraldas colombianas lapidadas em gota que devia custar o triplo da dívida do abrigo.
Arthur não pediu permissão. Ele deu um passo a frente, acabando com o limite do espaço pessoal dela, e deu a volta nela. O calor do corpo dele foi contra as costas nuas de Elena. O contraste entre o ar-condicionado da cobertura e o calor que saia do bilionário fez a pele dela se arrepiar.
- Pare de prender a respiração, Elena. Vai acabar desmaiando antes mesmo de servirem o champanhe, -ele murmurou. O hálito quente dele, misturado com o aroma de sândalo e uísque, roçou a curva sensível do pescoço dela enquanto ele afivelava o fecho de platina. O toque casual dos dedos dele na nuca dela queimou ela como brasa.
-É quase impossível respirar quando o ambiente está do seu ego imenso, — ela rebateu no mesmo segundo, cravando as unhas nas palmas das mãos para não deixar que suas pernas tremessem. O peso frio dos diamantes assentou sobre sua clavícula, como uma ancora a realidade do contrato.
Arthur soltou uma risada ríspida, baixa e sombria. Em vez de recuar depois de colocar a joia, as mãos dele desceram de forma precisa e com uma lentidão torturante pelas costas nuas de Elena. A respiração dela falhou quando as palmas quentes e firmes dele pousaram diretamente na pele nua de sua cintura fina.
Thomas deu mais dois choros curtos, soluçou uma vez, encostou a bochecha gordinha e quente no pescoço de Maya... e parou. O silêncio que se instalou na sala foi tanto que o barulho do motor da geladeira lá na cozinha pareceu um trovão. Leo ficou paralisado. Ele olhou para a esposa. Olhou para o filho. Olhou para o tablet. - O que você fez? - Ele sussurrou, horrorizado. - O que você acabou de fazer? Qual foi a variável que você alterou? - Eu não alterei nada, Leo - Maya riu baixo, fazendo um balanço suave com o quadril. - Ele só estava com calor e queria um abraço de verdade, sem você segurar ele como se ele fosse um vaso de cristal caro que vai quebrar se você apertar. - Eu não estava segurando ele como um vaso! Eu estava mantendo a postura ergonômica recomendada no capítulo quatro do guia de pediatria! - Você parecia um robô de fábrica tentando segurar um passarinho, Leo. Você estava tão tenso que o coitado do menino estava absorvendo o seu pânico. Leo piscou. Ele olhou
- Thomas, escuta o meu raciocínio. Por favor. Só escuta por um minuto. Leo estava em pé no meio da sala de estar, descalço. Nos braços, ele segurava um bebê de três meses que parecia ter a capacidade pulmonar de um tenor profissional. O pequeno Thomas Sterling estava vermelho como um pimentão, com os dois punhos fechados perto do rosto, berrando em um tom contínuo. - A mamadeira foi servida em exatamente trinta e seis vírgula cinco graus Celsius - Leo dizia, mantendo um balanço ritmado. - A fralda foi trocada há dezoito minutos. Não há assaduras. A temperatura do ambiente está fixada em vinte e três graus pelo ar-condicionado. A umidade relativa do ar é de cinquenta e cinco por cento. Thomas, estatisticamente falando, você não tem nenhum motivo para estar chorando. O bebê deu uma pausa de meio segundo para puxar o ar e soltou um grito ainda mais agudo. - Tudo bem. Tudo bem. Vamos revisar as variáveis - Leo murmurou para si mesmo, os olhos esbugalhados focados no tablet pos
- O gato tentou me roubar dois parafusos mais cedo. - Ele comentou, a voz mais calma. - Tive que perseguir o Bug até a cozinha. - O Bug está só tentando garantir que o berço não seja montado, porque ele sabe que vai perder o posto de único ser desta casa que recebe atenção sem fazer nada. - Ela riu, tomando um gole de água. Leo terminou de comer, limpou as mãos na calça de moletom e olhou para Maya. A luz do final da tarde entrava pela janela do quarto, iluminando os fios soltos do cabelo dela e a curva suave da barriga. Ele engoliu em seco, arrastando-se pelo chão até ficar sentado ao lado do banco onde ela estava, apoiando as costas contra a parede. - O médico disse que o desenvolvimento está dentro da curva percentual normal. - Ele começou, a voz baixando de tom. - Vinte e quatro semanas. O peso estimado é de seiscentos gramas. É o tamanho de uma berinjela grande, Maya. Como é que uma coisa do tamanho de uma berinjela vai sobreviver aqui fora? Maya sorriu, esticando a m
O café na caneca de Leo já estava frio há pelo menos quarenta minutos. Na tela do notebook, uma planilha de monitoramento de riscos exibia colunas infinitas de prazos, custos e projeções de rendimento. Ele digitava com a rapidez habitual, o cenho franzido. O som da porta do quarto se abrindo não o fez tirar os olhos do monitor, mas o barulho de algo sendo jogado sobre o teclado do laptop fez seus dedos pararem. Era uma caixa pequena, acompanhada por um bastão fino e um bloco de notas colado em cima. No papel, com a caligrafia rápida e ligeiramente inclinada de Maya, estava escrito em caneta azul: `[LOTAÇÃO DE INFRAESTRUTURA] Erro crítico identificado no sistema. Expansão involuntária do banco de dados em andamento. Prazo estimado de entrega: 36 semanas. Verifique os logs.` Leo piscou. Ele tirou os óculos com a mão esquerda, limpou a lente na barra da camisa e os colocou de volta. Depois, pegou o bastão. Duas linhas vermelhas. - Maya? - Ele chamou. A voz dele saiu num tom
- Está perfeito. - Leo sussurrou. A garganta dele fechou de repente. O ar na sala pareceu ficar rarefeito. Ele apertou a camisa contra o próprio corpo, como se alguém fosse tentar roubá-la. - Muito obrigado, dona Helena. É o melhor material que eu já vi. A mulher bufou, revirando os olhos. Ela deu um passo à frente, quebrando a distância, e jogou os dois braços ao redor do tronco rígido de Leo. O abraço foi esmagador. Não foi um tapinha polido nas costas. Foi um abraço de urso, apertado. Ela encostou o rosto no ombro dele e apertou as mãos nas costas. - Obrigada por cuidar da minha menina, Leo. - Ela murmurou contra o peito dele. - Feliz Natal, meu filho. Meu filho. Aquelas duas palavras o abalaram. Ele não soube como reagir. Os braços dele ficaram paralisados nas laterais do corpo, antes de finalmente subirem de forma desajeitada, as mãos pousando nas costas da mulher mais velha, devolvendo o abraço de forma rígida, mas desesperada. Ele sentiu os próprios pulmões falharem. Um
O ventilador de teto da sala de estar girava na velocidade máxima, balançando perigosamente enquanto tentava, sem muito sucesso, espantar o calor de trinta graus na noite de vinte e quatro de dezembro. As janelas da frente estavam escancaradas para a rua, deixando entrar o cheiro de asfalto quente, o som de fogos de artifício estourando ao longe e a música alta que vinha do rádio do vizinho. Dentro da casa, o som era quase ensurdecedor. Havia pelo menos quinze pessoas espremidas entre o sofá, as cadeiras de plástico trazidas do quintal e o tapete da sala. Duas crianças pequenas, sobrinhos de segundo grau de Maya, corriam em círculos ao redor da mesa de centro, gritando e segurando pedaços de panetone esfarelado. Um tio de voz grave discutia apaixonadamente sobre futebol com um primo encostado no batente da porta, enquanto o som de panelas batendo vinha da cozinha. No centro daquele caos, espremido no canto do sofá de dois lugares, estava Leo. Ele segurava um copo de vidro america







