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Capítulo 6: Entre o passado e o silêncio

last update Fecha de publicación: 2026-06-22 21:37:40

A voz desapareceu, mas a tensão continuava presa ao ar. Sakura permanecia olhando para Rintaro, incapaz de ignorar o nome que ele havia pronunciado há poucos instantes.

Akira.

Era uma palavra simples, mas a reação dele e de Aoi tinha sido intensa demais para passar despercebida.

A floresta havia voltado a ficar silenciosa, embora o silêncio agora parecesse diferente. Não era tranquilo. Era um silêncio desconfortável, cheio de perguntas sem respostas.

Sakura soltou um suspiro.

"Vocês fazem isso toda hora."

Rintaro a observou.

"O quê?"

"Escondem as coisas."

Ele desviou o olhar imediatamente.

"Nem tudo pode ser explicado de uma vez."

Ela cruzou os braços.

"Vocês adoram repetir essa frase."

Aoi guardou a flecha que havia preparado anteriormente e caminhou até eles.

"Não é por mal."

Sakura olhou para ela.

"Então por quê?"

A arqueira demorou alguns segundos para responder.

"Porque algumas memórias machucam."

A garota ficou em silêncio.

A resposta tinha sido simples, mas sincera.

Pela primeira vez, ninguém tentou desconversar.

Sakura percebeu que existiam feridas ali que não eram pequenas.

Naquele momento, uma brisa suave atravessou a floresta.

Ela carregava pétalas brancas.

Sakura pegou uma delas no ar.

"Tem flores por perto?"

Aoi observou a pétala.

Seu semblante mudou um pouco.

"Existe um lugar."

Rintaro imediatamente olhou para ela.

"Você acha que é lá?"

Ela assentiu.

"Pode ser."

Sakura ergueu uma sobrancelha.

"Que lugar?"

Aoi respirou fundo.

"O Jardim do Eco."

"Jardim do Eco?"

"Um local espiritual."

A caminhada começou novamente.

Dessa vez, porém, o clima era diferente. Sakura já não se sentia uma visitante perdida. Aos poucos, estava se acostumando à presença dos dois.

Ela começou a perceber pequenos detalhes.

Rintaro sempre caminhava um pouco à frente.

Aoi observava tudo ao redor.

E, curiosamente, ambos diminuíam a velocidade sem perceber para acompanhá-la.

Ela sorriu discretamente.

Talvez estivesse começando a pertencer àquele grupo.

Depois de algum tempo, a floresta se abriu.

Um enorme campo de flores brancas surgiu diante deles.

Sakura ficou encantada.

O local parecia ter saído de um sonho.

Centenas de flores balançavam suavemente enquanto uma pequena lagoa refletia o céu.

Ela deu alguns passos para frente.

"É lindo."

Rintaro observava o lugar de forma diferente.

Havia nostalgia em seu olhar.

Aoi também parecia mais silenciosa do que o normal.

Sakura percebeu.

"Vocês já vieram aqui antes."

Os dois trocaram um olhar rápido.

Aoi respondeu primeiro.

"Sim."

Sakura abriu um pequeno sorriso.

"Juntos?"

A arqueira assentiu.

"Há muito tempo."

Ela então olhou para Rintaro.

"Éramos mais jovens."

Sakura percebeu uma pequena mudança na expressão dele.

Não era tristeza.

Era saudade.

Uma saudade que ele tentava esconder.

A garota desviou os olhos.

Uma pontada estranha surgiu dentro dela.

Ela ainda não sabia nomear aquela sensação.

Ciúme seria uma palavra forte demais.

Mas certamente era desconforto.

De repente, uma luz surgiu no centro da lagoa.

Os três imediatamente ficaram atentos.

Uma pequena esfera brilhante começou a flutuar sobre a água.

Sakura se aproximou.

Sem perceber, levou a mão até ela.

Assim que seus dedos tocaram a luz, uma imagem apareceu.

Rintaro sorrindo.

Aoi sorrindo.

Os dois mais novos.

Uma terceira pessoa ao lado deles.

Mas a imagem desapareceu antes que Sakura pudesse ver seu rosto.

Ela arregalou os olhos.

"Eu vi alguma coisa."

Rintaro se aproximou.

"O quê?"

"Vocês dois… e outra pessoa."

Os dois congelaram.

Sakura percebeu imediatamente.

Era importante.

Muito importante.

Mas, antes que qualquer explicação surgisse, uma nova voz ecoou pela floresta.

Só que dessa vez ela não era sombria.

Ela era baixa.

Distante.

Quase triste.

"Encontrem-me… antes que ele encontre vocês."

Os três levantaram a cabeça ao mesmo tempo.

E, pela primeira vez desde o início da jornada, Sakura teve a sensação de que existia alguém tentando ajudá-los das sombras, e não apenas alguém tentando destruí-los.

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