INICIAR SESIÓNNum Japão que parece respirar duas eras ao mesmo tempo, o presente e um eco feudal cheio de espíritos famintos, surge o mito do Cristal das Quatro Almas: uma relíquia fragmentada que guarda dentro de si emoções humanas cristalizadas — coragem, desejo, medo e ódio. Quando essas quatro forças se desequilibram, o mundo começa a rachar como porcelana sob pressão. Sakura, uma garota comum que jurava que a vida dela era só escola e rotina, descobre que carrega uma ligação inexplicável com o cristal. Não como dona, mas como “chave viva” — alguém capaz de despertar ou selar suas peças perdidas. O problema é que isso também a transforma em alvo. Do outro lado do caos aparece Rintaro, um espadachim marcado por um passado que ele não comenta nem com a própria sombra. Ele não quer salvar o mundo. Ele quer sobreviver a ele. Só que quando os caminhos dele cruzam o de Sakura, os dois acabam puxados para uma guerra entre clãs espirituais, criaturas corrompidas e caçadores de relíquias que fariam qualquer coisa pelo poder do cristal. Enquanto isso, forças antigas começam a despertar, como se o próprio mundo estivesse lembrando de algo que deveria ter sido esquecido. E cada fragmento do cristal recuperado não só muda o destino da batalha, mas também distorce sentimentos, alianças e verdades. No centro de tudo, existe uma pergunta que ninguém consegue ignorar: o cristal está sendo reunido para salvar o mundo… ou para decidir quem merece sobreviver nele? Uma fantasia de aventura sombria, cheia de tensão emocional, viagens entre mundos e escolhas que custam mais do que sangue — custam identidade.
Ver másTóquio, 1996.
Sakura Hoshino ajudava seu avô a limpar o antigo santuário da família. No fundo do terreno havia um poço de pedra cercado por árvores gigantes. Ninguém podia se aproximar dele. Era a principal regra da família. Naquela noite, Sakura ouviu uma voz. "Venha…" Ela se aproximou. "Quem está aí?" Silêncio. Então a terra começou a tremer. Uma sombra gigantesca surgiu atrás dela. Assustada, Sakura perdeu o equilíbrio. Ela caiu dentro do poço depois que um fragmento adormecido despertou sua verdadeira função. Tudo ficou escuro. Quando abriu os olhos… O mundo havia mudado. O ar tinha cheiro de madeira e terra molhada. As árvores eram enormes. Não existiam carros. Nem postes. Nem cidades. Ao longe, um rugido ecoou. Uma criatura monstruosa surgiu da floresta. Sakura ficou paralisada. Foi então que alguém saltou de um galho. Um jovem de longos cabelos escuros, roupas vermelhas e olhos dourados pousou à sua frente. Ele apontou a espada para a criatura. "Afaste-se." Sakura arregalou os olhos. "Quem é você?!" Sem sequer olhar para ela, o rapaz respondeu: "Rintaro." A criatura avançou. Rintaro a derrotou rapidamente. Então olhou para Sakura. "Você não pertence a esta época." Sakura deu um passo para trás. "Como assim?" Nesse instante, uma luz surgiu dentro do seu peito. Um cristal brilhante apareceu no ar. CRACK! Ela se despedaçou em dezenas de fragmentos que voaram pelo céu. Rintaro arregalou os olhos. "O Cristal das Quatro Almas…" E a aventura dos dois começou. A luz dos fragmentos desapareceu no horizonte. Sakura ficou parada, sem entender o que havia acabado de acontecer. Ela olhou para as próprias mãos. "Fui eu…?" Rintaro guardou a espada e suspirou. "Sim." "MAS EU NEM SEI O QUE FIZ!" "Eu percebi." Sakura cruzou os braços. "Você sempre é tão irritante assim?" "Você sempre grita desse jeito?" Ela ficou indignada. "Eu não grito!" Rintaro levantou uma sobrancelha. "Acabou de gritar." Sakura abriu a boca para responder, mas ouviu um som vindo da floresta. CRAAACK. As árvores começaram a cair. Um enorme javali espiritual apareceu. Seus olhos brilhavam em vermelho. Em sua testa, havia um pequeno cristal brilhando. Rintaro arregalou os olhos. "Já encontraram um fragmento." "O quê?!" "O Cristal das Quatro Almas está aumentando o poder dele." O javali rugiu. Sakura deu um passo para trás. "Ele é enorme!" "Fique atrás de mim." "Eu consigo ajudar." "Não consegue." "Como sabe?" "Porque você acabou de chegar aqui." Sakura fez uma careta. "Você nem me conhece." Rintaro sorriu de lado. "Já conheço o suficiente." Ela ficou ainda mais irritada. O javali atacou. Rintaro saltou. Sua espada atravessou o ar. CLANG! Mas o fragmento estava protegendo a criatura. Ela ficou ainda mais forte. "Isso não está funcionando!", gritou Sakura. De repente, algo brilhou dentro dela. Seu corpo começou a emitir uma luz suave. Rintaro olhou assustado. Uma flecha Mágica surgiu nas mãos de Sakura. "EU FIZ ISSO?!" "Atire!", gritou Rintaro. "EU NUNCA FIZ ISSO ANTES!" "ENTÃO APRENDA AGORA!" Sakura fechou os olhos. Respirou fundo. E disparou. WHOOSH! A flecha acertou o cristal. CRACK. O fragmento saiu do javali. Instantaneamente, a criatura voltou ao normal. Ela se transformou em um simples javali e saiu correndo pela floresta. Sakura ficou surpresa. "Eu consegui." Rintaro pegou o pequeno fragmento e o guardou numa bolsa de tecido. "Conseguiu." Ela abriu um enorme sorriso. "Então eu sou poderosa?" Rintaro olhou para ela. "Não se acostume." Ela fez uma cara de indignação. "Você estraga todos os meus momentos felizes." "Parece meu talento." Antes que Sakura pudesse responder, um vento gelado atravessou a floresta. Uma voz desconhecida ecoou. "Então… a portadora finalmente despertou." Os dois olharam para o céu. Uma enorme sombra observava tudo do alto de uma montanha. Rintaro imediatamente segurou sua espada. Seu rosto ficou sério. Muito sério. Sakura percebeu. "Quem é ele?" Rintaro demorou alguns segundos para responder. Então disse: "...O pior inimigo que você poderia encontrar."O tempo tinha uma maneira curiosa de passar. Quando Hina era pequena, eu tinha a impressão de que cada mudança acontecia diante dos meus olhos. Primeiro vieram os primeiros passos, depois as primeiras palavras, as corridas pelo quintal, as amizades, as discussões, os sonhos. Então ela cresceu. Casou-se. Construiu sua própria casa. E, quando percebi, aquela menina que um dia segurou minha mão para aprender a andar agora segurava a mão dos próprios filhos. Eu estava sentada na varanda de casa naquela manhã, observando o movimento do jardim, quando ouvi uma risada vindo da estrada. Sorri antes mesmo de olhar. Eu conhecia aquela voz. "Vovó!" Virei o rosto. Kanao corria em minha direção, com Amane logo atrás. "Kanao, não corre tanto!", Hina gritou de longe. Era tarde demais. Kanao subiu os degraus da varanda quase tropeçando e se jogou nos meus braços. "Vovó!" "Calma, menina." Ela riu. "Eu cheguei primeiro!" Amane apareceu logo depois, respirando fundo.
A primeira coisa que descobri depois de me casar foi que uma aliança não mudava magicamente a rotina.Eu continuava acordando cedo.Continuava reclamando quando fazia frio.Continuava esquecendo onde tinha colocado algumas coisas.E Kazuki continuava deixando objetos em lugares que, na opinião dele, eram perfeitamente lógicos e, na minha opinião, não faziam sentido nenhum.A diferença era que agora acordávamos na mesma casa.Nossa casa.Ainda parecia estranho pensar nisso.Nossa.Depois do casamento, passamos alguns dias na casa dos meus pais, cercados pela família e por comemorações. Mas, pouco tempo depois, chegou o momento de começar nossa própria rotina.A casa ficava numa parte tranquila da vila, não muito distante das outras famílias. Era simples, construída de madeira, com um pequeno jardim na frente, uma cozinha, dois quartos e uma varanda que dava para algumas árvores.Não era grande.Não era luxuosa.Mas era nossa.Naquela manhã, acordei com o som de alguém mexendo em alguma
Dois anos.Às vezes, eu ainda achava estranho pensar em como o tempo tinha passado tão rápido.Parecia que tinha sido ontem que eu estava sentado perto do rio, tentando controlar o nervosismo enquanto segurava uma pequena caixa de madeira.Agora, eu estava diante de um espelho, ajeitando a roupa do casamento pela terceira vez.Eu tinha vinte e um anos.Hina também.E, naquele dia, nós finalmente nos casaríamos.Passei a mão pelo tecido da roupa e respirei fundo."Você vai furar o tecido se continuar fazendo isso."Virei o rosto.Kaien estava encostado na porta, me observando com um sorriso."Você está aqui há quanto tempo?""Tempo suficiente para perceber que está nervoso.""Não estou.""Está.""Não estou."Ele entrou no quarto."Você está ajeitando a mesma parte da roupa há uns cinco minutos."Olhei para baixo.Era verdade."Talvez eu esteja um pouco nervoso."Kaien riu."Um pouco?""Está bem. Muito."Ele se aproximou e colocou a mão no meu ombro."É normal.""Você ficou nervoso quan
Um ano.Foi estranho perceber o quanto podia mudar em apenas um ano.Quando completei dezoito anos, achei que as mudanças aconteceriam de maneira lenta, quase imperceptível. Imaginei que continuaria acordando todos os dias na mesma casa, vendo as mesmas pessoas e vivendo praticamente a mesma rotina.E, em parte, foi exatamente assim.Mas, ao mesmo tempo, tudo tinha mudado.Agora eu tinha dezenove anos.Kaori e Itsuki tinham vinte.Yuki e Akane tinham dezesseis.E algumas das pessoas que cresceram conosco já estavam começando suas próprias vidas.Inclusive Kaori e Itsuki.Os dois tinham se casado alguns meses antes e agora moravam em uma casa própria, construída um pouco mais afastada da nossa vila. Ainda apareciam praticamente todos os dias, mas havia algo diferente quando eu os visitava.Aquela casa era deles.As escolhas eram deles.A rotina era deles.Era estranho.Bonito.E, de certa maneira, assustador.Naquela manhã, eu estava sentada na varanda de casa, observando o movimento d






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