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Capítulo 5: Sua Curandeira Pessoal

Author: Sada Vii
last update Petsa ng paglalathala: 2026-10-08 16:13:00

A praça ainda parecia irreal.

Em um segundo, eu estava na beira da morte, com a mão sobre o ventre, os olhos azuis de Xena cravados nos meus como se ela pudesse me arrancar da lâmina pela força de vontade. No instante seguinte, a voz do Alfa Dimitri cortou tudo.

E agora os guardas tinham me soltado.

Meus braços pareciam estranhamente leves sem o aperto deles. Meus joelhos quiseram ceder, mas eu os firmei. Eu continuava respirando e continuava de pé. A multidão murmurava ao meu redor, inquieta, sem saber o que fazer com a mulher que deveria ter morrido, mas não morreu.

Então Xena começou a correr.

Ela abriu passagem pelos guardas que a seguravam instantes atrás, empurrando corpos para fora do caminho sem pedir licença. Chegou até mim em segundos e colidiu comigo, os braços me envolvendo com tanta força que senti o ar deixar meus pulmões. O coração dela martelava contra o meu. Suas mãos se moviam freneticamente — pelos meus ombros, braços, rosto — verificando danos como um guerreiro avaliando um campo de batalha.

"Você se machucou?" As palavras atropelavam-se, rápidas. "Eles tocaram em você? Você está bem? Rav— Scarlett— porra, você está bem?"

Eu ri, e até o som me pegou de surpresa. Saiu quebrado e trêmulo. "Estou aqui", sussurrei contra o ombro dela. "Ainda estou aqui."

Ela recuou apenas o suficiente para olhar para mim, com as mãos segurando meu rosto. Os olhos azuis estavam marejados de lágrimas, e a mandíbula, tensa. Por um instante precioso, nós apenas nos entreolhamos. Tudo desde o portão passou entre nós sem palavras — o ácido, a separação, a masmorra, a praça. Tudo. Ela era a única constante que me restava neste mundo, e continuava aqui.

Não tivemos tempo para mais do que isso.

O som de alguém pigarreando nos fez parar. Virei-me devagar, e foi então que o vi.

O Alfa Dimitri estava diante de nós, com o rosto ainda pálido, mas seu corpo impunha poder como qualquer outro lobisomem de sangue Alfa.

O corpo de Xena reagiu no mesmo instante. A coluna se aprumou, os ombros se alinharam, as mãos caíram do meu rosto. A energia frenética sumiu, substituída pela postura rígida de uma guerreira diante de seu Alfa. Senti minha própria cabeça baixar antes que eu pudesse impedir. Anos vivendo com um homem como Lucan faziam isso com qualquer um. O impacto da constatação ardeu. Mesmo aqui, mesmo agora, uma parte de mim ainda temia que todo Alfa fosse me tratar como Lucan tratava.

O Alfa Dimitri parou a poucos passos de distância, sua altura destacando-se sobre todos os outros. Seus olhos verdes percorreram a cena: Xena em posição de guarda, eu com a cabeça ligeiramente baixa e, em seguida, a multidão remanescente. Ele não fez nenhum comentário sobre o reencontro. Apenas olhou na direção da Sra. Darkmoon, que já se apressava para a frente.

"Sim, Alfa?", disse ela, curvando a cabeça profundamente.

"Prepare um quarto para ela", ordenou ele, como se cada vez que abrisse a boca para falar estivesse desperdiçando algo precioso. "Ao lado do meu. Ela começa como minha curandeira pessoal hoje."

Meu estômago despencou.

A Sra. Darkmoon virou-se para mim. Os olhos dela se estreitaram de forma afiada com algo mais frio do que mera suspeita profissional. "Siga-me, Scarlett Bane."

O jeito como ela pronunciou meu nome falso fez meu estômago revirar.

Xena tocou em mim uma última vez com um aperto rápido e firme na minha mão. Os dedos dela tremeram de leve antes de soltar. O olhar dela dizia tudo o que não podia verbalizar diante do Alfa: Fique viva. Estou de olho. Ainda estou aqui.

Apertei a mão dela de volta, uma vez. Então me virei e segui a Sra. Darkmoon.

A caminhada pelo castelo pareceu mais longa do que antes. Guardas nos ladeavam e as pessoas agora me encaravam abertamente. Olhavam para uma mulher de cabelo ruivo acobreado curto que quase morrera na praça e acabara de ser promovida de surpresa. Mantive o olhar baixo, mas a cabeça erguida. Scarlett Bane. Repeti isso a cada passo.

Paramos primeiro na ala dos curandeiros. A Sra. Darkmoon me observou recolher meus poucos pertences em silêncio. Quando terminei, ela falou em um tom mais venenoso do que peçonha de cobra.

"Não sei que tipo de feitiçaria você usou nele", disse, os olhos cravados em mim. "Mas eu não confio em você. Seu dia de prestar contas vai chegar, garota. Guarde o que estou dizendo."

Não respondi. O que haveria para dizer? Ela acreditava que eu havia manipulado o Alfa. A alcateia acreditaria no mesmo. Tê-lo curado apenas me tornava mais perigosa aos olhos deles.

Ela me conduziu ao novo quarto sem dizer mais uma palavra.

O cômodo era maior do que o anterior, embora continuasse modesto. Uma cama de verdade. Cortinas cobrindo o que presumi ser uma janela reforçada. Uma pequena área de estar com uma poltrona de couro rachado que parecia mais velha do que o próprio edifício. Esperei até a Sra. Darkmoon e os guardas saírem antes de me mover.

Fui primeiro até a porta principal e passei a chave. Testei a maçaneta, tranquei de novo e testei mais uma vez. Minhas mãos não paravam enquanto o clique não parecesse real. Mesmo assim, não parecia o bastante.

A exaustão me desgastava, fazendo minhas pernas tremerem.

Quando fora a última vez que tive descanso de verdade?

Mal cheguei à cama antes de minhas pernas cederem. Puxei os lençóis sobre o corpo, ainda vestida, com o lenço alto ao redor do pescoço marcado, e então minha mão encontrou o caminho até meu ventre, pousando ali de forma protetora.

O sono me tomou depressa e, quando fechei os olhos, os sonhos não vieram. Mesmo inconsciente, eu sabia que estava encurralada.

Uma porta estalou.

Meus olhos se abriram em um salto, o corpo já se erguendo antes mesmo de a mente processar. Adrenalina inundou minhas veias. Com o coração disparado e a respiração rasa, examinei o quarto escuro, cada terminação nervosa gritando perigo.

Havia uma segunda porta.

Eu não a tinha visto antes. Ou talvez estivesse exausta demais para notar. Agora ela estava aberta, ligando diretamente àquele que só podia ser o quarto do Alfa Dimitri.

Uma figura alta recortava-se na soleira, iluminada apenas pelo tênue reflexo do luar que vinha da janela atrás dele.

O Alfa Dimitri.

Ele não disse nada. Apenas permaneceu parado ali, os olhos verdes fixos em mim no meio da escuridão.

E compreendi, com um horror frio que me afundou o peito, que todas as minhas trancas cuidadosas nunca haviam importado.

Sempre houvera outra entrada.

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