LOGINPonto de Vista do Alfa DimitriO quarto era um desastre silencioso.Fiquei de pé no centro dos meus aposentos, de braços cruzados sobre o peito, examinando o estrago com a mesma frieza calculada que dedicava aos relatórios de fronteira e às negociações de alianças. A pesada cadeira de madeira perto da janela fora empurrada para fora do lugar. Uma das mesas menores jazia tombada, com papéis espalhados pelo tapete como folhas caídas. O copo que repousava sobre a mesa de cabeceira havia se estilhaçado contra a parede do fundo, deixando uma mancha escura na pedra.Meu olhar pousou sobre a cama. As cobertas continuavam retorcidas e desfeitas pelo colapso, testemunhas mudas de onde eu desabara... e de onde ela terminara, por baixo de mim.Não me permiti deter os pensamentos na marca que o corpo dela deixara no colchão. Não agora.O episódio fora pior do que o anterior. A sombra no meu sangue se espalhara mais depressa desta vez, rastejando pelas veias até os músculos a ponto de me manter de
Decidi que o mais sensato era optar pela primeira opção.Minha mão, que estivera paralisada a centímetros do metal, moveu-se. A maçaneta girou sob meus dedos antes que minha mente pudesse me alcançar e gritar para eu parar. A porta de ligação abriu-se com o roçar suave da madeira contra o tapete, e dei um passo para dentro.O Alfa Dimitri estava sem camisa.Ele estava de pé perto do centro do quarto, com uma das mãos agarrada à grossa coluna de madeira da cama, enquanto a outra pressionava o próprio peito. Os ombros retesavam-se a cada respiração, os músculos das costas se contraindo como se até puxar o ar tivesse se tornado um esforço árduo. O suor brilhava ao longo de sua coluna. O peito subia e descia em puxões curtos e descompassados, cada um soando como uma batalha. Seus olhos verde-floresta estavam semicerrados em pura concentração, mas a vivacidade daquela cor apenas fazia com que seu rosto pálido se destacasse ainda mais.Todo o resto desapareceu.As ameaças, o fato de eu esta
Minha boca havia secado. "Eu entendo, Alfa.""Ótimo."Assenti devagar, deixando a informação assentar, mas não fora aquela revelação que se alojara mais fundo. Fora a pessoa que ele mencionara. Aquela garota guerreira de quem você gosta. Ele não dissera o nome de Xena, e nem precisava. Sabia o bastante para usá-la como ameaça sem precisar nomeá-la, o que significava que ele sabia mais sobre mim do que eu jamais lhe dera motivos para saber.Minhas mãos haviam começado a tremer em algum momento durante a ameaça dele, e não pararam mais. Pressione-as espalmadas contra as coxas, forçando-as a ficarem quietas, mas o tremor apenas afundou ainda mais, instalando-se nos meus pulsos como se tivesse feito dali uma nova morada.O pensamento fez meu estômago revirar de um jeito que a ameaça à minha própria vida não havia feito."Obrigada, Alfa", consegui dizer.Por dentro, minha mente corria em disparada. Todo Alfa carrega isso, e não é um assunto comentado fora da linhagem sanguínea.E agora eu
"O nome. Você já tem?"As palavras ecoaram em meus ouvidos enquanto eu lutava para formular uma resposta à altura.O Alfa Dimitri estava emoldurado pelo vão da porta de ligação, os olhos verdes fixos em mim. Meu coração se chocava contra as costelas, cada batida alta o bastante para me dar a certeza de que ele conseguia ouvir. Eu não tinha nada: nenhum nome, nenhum diagnóstico, apenas o eco de suas ameaças anteriores ainda zumbindo na minha cabeça.Engoli em seco, forçando a mente a correr mais rápido do que o meu medo."Quando a doença começou?", perguntei, a voz saindo mais firme do que eu de fato me sentia. "O que ela causa, exatamente? E como o senhor vinha tratando isso até agora?"Não ousei desviar os olhos dos meus próprios dedos, que se retorciam um no outro à minha frente. Embora estivesse ganhando tempo, eu realmente precisava daquelas respostas. Eu não tinha como começar nenhuma pesquisa concreta sem saber dessas coisas primeiro, não é?Meu dom havia me revelado fragmentos
O depósito cheirava a ervas secas e poeira.Entreguei a lista ao homem atrás do balcão, meus dedos ainda doendo pelo aperto excessivo com que segurei o papel durante o caminho até ali. Ele passou os olhos pela folha, franziu a testa e deu a má notícia sem erguer a cabeça."Só temos três dessas em estoque."Meu estômago se contraiu. Três. De doze. Fiquei parada ali, com o coração martelando forte contra a caixa torácica, enquanto a carranca horrível da Sra. Darkmoon vinha à minha mente. O homem atrás do balcão nem parecia estar sendo maldoso. Estava apenas constatando fatos, e isso de alguma forma tornava tudo pior.Engoli em seco. "E quanto ao resto?"Ele deu de ombros. "Algumas você terá de comprar no mercado externo. Uma delas só cresce nos jardins do castelo. O resto… não sei. Podem estar fora de época."Paguei pelas três que ele tinha. A bolsa de dinheiro que a Sra. Darkmoon me dera pareceu consideravelmente mais leve quando saí. Metade se fora em apenas um quarto da lista. Nove e
A porta de ligação permaneceu aberta.Fiquei deitada na cama, encarando a fresta escura entre o meu quarto e o dele, com cada músculo do meu corpo retesado. Tentei dormir e falhei.Minha mente continuava dando voltas nas mesmas imagens: os olhos verdes dele no vão da porta, a tranquilidade com que havia me ameaçado de execução, a sensação dos dedos dele afastando meu cabelo como se fosse a coisa mais natural do mundo. Meu corpo se recusava a relaxar. Cada ruído discreto no castelo — um passo distante, o zumbido baixo do sistema de ventilação correndo pelas paredes, o estalo sutil de algum aparelho eletrônico pelo corredor — fazia meu coração dar um solavanco.Mantive uma das mãos sobre o ventre. O bebê estivera quieto o dia todo. Eu não sabia se aquilo era normal ou se a exaustão e o pavor estavam afetando a gestação. Esfreguei círculos lentos sobre a pequena elevação, sussurrando preces mudas à deusa. Mantenha meu filho a salvo. Apenas mantenha nós dois a salvo.Analisando o quarto s







