LOGINEle sorriu.— Uhum. A gente vai junto.— O café daquela lanchonete é bom. Quando passar trinta anos, a gente ainda vai de mãos dadas, e vai junto comer lá. — Rafael disse.Ele se inclinou e beijou as lágrimas que ainda tinham ficado nos cílios dela.A respiração dele batia no olho dela, dando uma coceirinha, e ela acabou apertando com mais força a roupa no peito dele.— Estela.Estela ia dizer alguma coisa, mas, nesse momento, de dentro da caverna, ali perto, a voz de Lucas saiu apressada, chamando o nome dela.Só então Estela percebeu, com atraso, que ali já não era só os dois.Lucas também estava ali.Os dois não sabiam o que tinha acontecido com Lucas. Com medo de dar alguma coisa errada, não ficaram mais e voltaram.Quando entrou na caverna, Estela viu Lucas caído no chão.Ele estava se esforçando. Um braço apoiado na parede, uma mão no chão, e uma expressão de dor, tentando se levantar.Talvez por achar que estava atrapalhando, ele tinha até jogado fora a trepadeira e o galho que
Nesses dias, aquela pedra presa no peito finalmente caiu no chão.Estela enfim soltou o ar.Vendo que Rafael e Lucas ainda não tinham acordado, Estela diminuiu os movimentos e saiu devagar, sem fazer barulho.Ela foi até o lugar onde Lucas tinha caído.De noite não dava pra enxergar. Agora, olhando direito, ela viu que, mais acima, aquele trecho era extremamente íngreme. A parede de pedra tinha musgo e, depois da chuva, estava escorregadio demais.Tanto pra um resgate descer, quanto pra eles subirem, era praticamente impossível.Se escorregasse, o fim provavelmente seria como o do Lucas.Se Evandro estivesse entre os resgatistas e descobrisse que Lucas tinha se machucado, ele provavelmente ia parar o resgate e tentar por outro caminho.Afinal, ele sabia que não valia a pena colocar mais gente em risco só pra salvar eles.Eles precisavam mesmo sair dali e achar outra saída.Estela pensou, em silêncio.Foi então que ela ouviu, atrás dela, um estalo baixo, de galho quebrando sob um passo.
Lucas reconheceu.Era Rafael.Rafael ajudou Estela a se levantar. Em seguida, ele disse alguma coisa pra ela, e os dois vieram na direção dele.Ao mesmo tempo, uma sonolência forte tomou conta do Lucas.Ele não aguentou mais. Fechou os olhos.— Ele está vivo, mas deslocou o braço e quebrou a perna.— Mas não sangrou muito, não parece fatal. Na cabeça não tem ferimento, não bateu a cabeça. Ter apagado talvez tenha sido de dor.Dentro da caverna, enquanto falava com Estela, Rafael colocou o braço do Lucas no lugar.Lucas, desmaiado, era pesado. Agora há pouco, Estela e Rafael, que ainda estava doente, tinham conseguido trazer ele pra dentro com muito esforço.A noite era fria, mas Estela estava tão exausta que tinha suado.Rafael já estava doente, e depois de voltar ele ficou sem conseguir segurar o fôlego.Antes, mesmo enfrentando com as mãos alguns homens que queriam fazer mal a eles, Rafael parecia fazer tudo com facilidade. Era a primeira vez que Estela via ele tão cansado.— Deixa q
Depois de dizer isso, Estela não esperou a resposta de Rafael. Ela se virou e saiu.Lá fora, a chuva já tinha diminuído.Mas o céu ainda estava escuro de dar medo, só com um pouco de luar, bem fraco e espalhado.Estela não tinha pra onde ir. Não ousava ir longe, mas também não queria voltar.O que Rafael tinha dito deixou ela irritada. Quando falou aquelas coisas, ela também estava com raiva, engasgada.Só que, pensando melhor, de repente ela nem sabia do que estava com raiva, nem do que estava brava.Se fosse ela, ela também faria a mesma escolha.E, antes, ela tinha feito isso mesmo.Naquela época, será que Rafael também tinha ficado com raiva, do mesmo jeito que ela agora?Quando pensou nisso, a raiva dela sumiu na hora.Mas a raiva passou, e o problema continuava bem na frente dela. O que eles iam fazer daqui pra frente? Se fossem sair, como iam sair?Estela andou de um lado pro outro.Enquanto estava quebrando a cabeça, ela viu as árvores fechadas à frente e as trepadeiras bem den
Ainda bem que ali era uma floresta. Perto tinha fruta do mato, tinha lago. À noite, Estela colocava algumas folhas grandes debaixo da árvore pra juntar um pouco de orvalho pra beber. As condições de sobrevivência até não eram tão ruins.Só que ali não tinha antibiótico nem remédio pra febre. Ela só podia usar água fria, de novo e de novo, pra baixar a temperatura do Rafael.A luz do fogo iluminava o rosto pálido dele.Rafael estava de olhos fechados, e ela não sabia se ele tinha dormido ou não.Sem ter o que fazer, e pra aliviar a ansiedade e o medo, nesses dias eles só podiam conversar. Os dois falavam das travessuras de quando eram pequenos até o que tinham entendido depois de crescer, das comidas e cores de que gostavam, de ações, e de algumas opiniões de cada um sobre como o mercado estava se desenvolvendo.Em dois ou três dias, parecia que eles tinham conversado mais do que em um mês.Agora, vendo que ele tinha dormido, Estela encostou com cuidado a mão na testa dele, tirou o pano
A chuva ficava cada vez mais forte. Lucas segurou a lanterna entre os dentes, agarrou firme a trepadeira no penhasco e foi, devagar, procurando onde apoiar o pé, descendo aos poucos.A visibilidade piorava a cada minuto. Ele fechou os olhos com força por um instante, até conseguir enxergar um pouco melhor.Ele parou, balançou a lanterna, e, não muito longe, aquela coisinha, ele nem sabia o que era, piscou de novo.Ainda bem, não tinha sido levada pela chuva.Lucas soltou o ar.Mesmo agora estando menos longe do que antes, ele ainda não conseguia ver direito o que era, mas devia ser de metal.Lucas descansou por alguns segundos, enfiou a lanterna de volta na boca e continuou descendo.Não sabia quanto tempo tinha passado até finalmente chegar mais perto. Só que aquilo ainda ficava um pouco afastado da trepadeira, e Lucas demorou um bom tempo, no meio daquela visão embaçada, até achar uma pedra onde pudesse apoiar o pé.Com uma mão ele segurava a trepadeira, esforçando-se pra controlar o
Era impossível para Estela não notar os movimentos de Lucas e Jéssica no palco.Mas ela não deu atenção. Continuou circulando pela multidão, distribuindo os cartões de visita que tinha na mão, apresentando os pontos fortes dos robôs inteligentes da UME e estimando os lucros de uma futura cooperação.
A reação de Jéssica agora há pouco já dizia tudo. Estela sabia que Lucas tinha entendido.Era a vida dela que estava em jogo. Mesmo assim, ele não tinha a menor intenção de ir atrás da verdade. Como sempre, escolheu o caminho mais fácil e fingiu que nada tinha acontecido.Estela soltou uma risada ir
Depois de dizer aquilo, Lucas ignorou o rosto pálido e chocado de Jéssica, soltou a mão dela sem hesitar e passou por ela, indo embora.Só depois de voltar ao salão é que Estela parou. Ela se virou para Rafael e disse:— Obrigada.Se não fosse por Rafael, naquele momento ela realmente poderia ter mo
Quando fez aquela pergunta, Lucas já achava que sabia a resposta.Estela não abriria mão daquele lugar.No passado, ela o amava e tinha feito de tudo para se casar com ele.Aquele casamento também tinha sido conquistado ao preço da vida da mãe dela.Se ela desistisse, seria como se a morte da mãe nã






